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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Carta a um Universitário Cristão




Carta a um Universitário Cristão
Por
Alderi Souza de Matos [1]


Caro irmão em Cristo,

Você tem o privilégio de frequentar um curso superior, algo que não está disponível para muitos brasileiros como você. Todavia, esse privilégio implica em muitas responsabilidades e em alguns desafios especiais. Um desses desafios diz respeito a como conciliar a sua fé com determinados ensinos e conceitos que lhe têm sido transmitidos na vida acadêmica.

Até ingressar na universidade, você viveu nos círculos protegidos do lar e da igreja. Nunca a sua fé havia sido diretamente questionada. Talvez por vezes você tenha se sentido um tanto desconfortável com certas coisas lidas em livros e revistas, com opiniões emitidas na televisão ou com alguns comentários de amigos e conhecidos. Porém, de um modo geral, você se sentia seguro quanto às suas convicções, ainda que nunca tivesse refletido sobre elas de modo mais aprofundado.

Agora, no ambiente secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, você tem ficado exposto a ideias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé até então singela, talvez ingênua, da infância e da adolescência. Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas. Algumas de suas crenças e valores parecem agora menos convincentes e você se sente pouco à vontade para expressá-los. No intuito de ajudá-lo a enfrentar esses desafios, eu gostaria de fazer algumas considerações e chamar a sua atenção para alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, você não deve ficar excessivamente preocupado com as suas dúvidas e inquietações. Até certo ponto, ter dúvidas é algo que pode ser benéfico porque ajuda a pessoa a examinar melhor a sua fé, conhecer os argumentos contrários e adquirir convicções mais sólidas. O apóstolo Paulo queria que os coríntios tivessem uma fé testada, amadurecida, e por isso recomendou-lhes: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos" (2 Co 13.5). As dúvidas mal resolvidas realmente podem ser fatais, mas quando dão oportunidade para que a pessoa tenha uma fé mais esclarecida e consciente, resultam em crescimento espiritual e maior eficácia no testemunho. O apóstolo Pedro exortou os cristãos no sentido de estarem "sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Pe 3.15).

Além disso, você deve colocar em perspectiva as afirmações feitas por seus professores e colegas em matéria de fé religiosa. Lembre-se que todas as pessoas são influenciadas por pressupostos, e isso certamente inclui aqueles que atuam nos meios universitários. A ideia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes - agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos antirreligiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.

Você, estudante cristão que se sente ameaçado no ambiente universitário, deve lembrar que esse ambiente é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar e/ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições antirreligiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas.

Todavia, ao lado dessas questões mais pessoais e subjetivas, existem alegações bastante objetivas que fazem com que você se sinta abalado em suas convicções cristãs. Uma dessas alegações diz respeito ao suposto conflito entre fé e ciência. O cristianismo não vê esse impasse, entendendo que se trata de duas esferas distintas, ainda que complementares. Deus é o criador tanto do mundo espiritual quanto do mundo físico e das leis que o regem. Portanto, a ciência corretamente entendida não contradiz a fé; elas tratam de realidades distintas ou das mesmas realidades a partir de diferentes perspectivas. O problema surge quando um intelectual, influenciado por pressupostos materialistas, afirma que toda a realidade é material e que nada que não possa ser comprovado cientificamente pode existir. O verdadeiro espírito científico e acadêmico não se harmoniza com uma atitude estreita dessa natureza, que decide certas questões por exclusão ou por antecipação.

Mas vamos a alguns tópicos mais específicos. Você, universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades: acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos), de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo), da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições), de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático), da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe), dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante. Não temos aqui espaço para responder a todas essas alegações, mas perguntamos: Quem conferiu às pessoas que emitem esses julgamentos a prerrogativa de terem a última palavra sobre tais assuntos? Por que deve um universitário cristão aceitar tacitamente essas alegações, tantas vezes motivadas por preferências pessoais e subjetivas dos seus mestres, como se fossem verdades definitivas e inquestionáveis?

O fato é que, desde o início, os cristãos se defrontaram com críticas e contestações de toda espécie. Nos primeiros séculos da era cristã, muitos pagãos acusaram os cristãos de incesto, canibalismo, subversão e até mesmo ateísmo! Foram especialmente contundentes as críticas feitas por homens cultos como Porfírio e Celso, que questionaram a Escritura, as noções de encarnação e ressurreição, e outros pontos. Eles alegavam que o cristianismo era uma religião de gente ignorante e supersticiosa. Em resposta a esses ataques intelectuais surgiu um grupo de escritores e teólogos que ficaram conhecidos como os apologistas e os polemistas. Dentre eles podem ser citados Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes, que produziram notáveis obras em defesa da fé cristã.

Em nosso tempo, também têm surgido grandes defensores da cosmovisão cristã, tais como Cornelius Van Til, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, John Stott e outros, que têm utilizado não somente a Bíblia, mas a teologia, a filosofia e a própria ciência para debater com os proponentes do secularismo. Além deles, outros autores têm publicado obras mais populares acerca do assunto, apresentado argumentos convincentes em resposta às alegações anticristãs. Um bom exemplo recente é o livro de Lee Strobel, Em Defesa da Fé, que possui um capítulo especialmente instrutivo sobre uma questão até hoje não aclarada pela ciência, ou seja, a origem da vida. É importante que você, universitário cristão, leia esses autores, familiarize-se com seus argumentos e reflita de maneira cuidadosa sobre a sua fé, a fim de que possa resistir à sedução dos argumentos divulgados nos meios acadêmicos.

Outra iniciativa importante que você deve tomar é aproximar-se de outros estudantes que compartilham as mesmas convicções. É muito difícil enfrentar sozinho as opiniões contrárias de um sistema ou de uma comunidade. Por isso, envolva-se com um grupo de colegas cristãos que se reúnam para conversar sobre esses temas, compartilhar experiências, apoiar-se mutuamente e cultivar a vida espiritual. Muitas universidades têm representantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e de outras organizações cristãs idôneas que visam precisamente oferecer auxílio aos estudantes que se deparam com esses desafios. Não deixe também de participar de uma boa igreja, onde você possa encontrar comunhão genuína e alimento sólido para a sua vida com Deus.

Em conclusão, procure encarar de maneira construtiva os desafios com que está se defrontando. Veja-os não como incômodos, mas como oportunidades dadas por Deus para ter uma fé mais madura e consciente, para conhecer melhor as Escrituras, para inteirar-se das críticas ao cristianismo e de como responder a elas, para dar o seu testemunho diante dos seus professores e colegas, por palavras e ações. Saiba que você não está só nessa empreitada. Além de irmãos que intercedem por sua vida, você conta com a presença, a força e a sabedoria do Senhor. Muitos já passaram por isso e foram vitoriosos. Meu desejo sincero é que o mesmo aconteça com você. Deus o abençoe!

_________________
[1] Alderi Souza de Matos é doutor pela Boston University e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

PARA SUA ALEGRIA




Quem é Jesus para você? É possível ter a verdadeira alegria nele? Se você já se questionou a respeito desse assunto e está buscando respostas — não com base em seus próprios pensamentos e teorias, mas com base na Palavra de Deus — nós o convidamos a unir-se a nós, para sua alegria. 

Neste livreto John Piper responde os seguintes questionamentos:


Por que Jesus teve que morrer?
Como Deus pode me amar?
E se eu não amar a Deus?
Como posso amar um Deus que permite tanto mal?
Por que Deus está no centro de tudo isso?
O que tudo isso tem a ver comigo?
O que devo fazer?
Você sabia que Deus ordena que você seja feliz?


... É interessante notar que normalmente as pessoas têm conceitos errados sobre alegria. Uns acham que Deus deseja que elas sejam miseráveis e outros que a fonte de alegria está em coisas deste mundo. Que compreender e curtir a alegria do alto? Então: Leia, Indique, Divulgue, Alegre-se.


UMP 76 ANOS: É TEMPO DE GRATIDÃO E CONSAGRAÇÃO.



        Em 1936 os jovens de várias Igrejas Presbiterianas do Brasil já estavam se organizando sob nomes, como por exemplo: Sociedade de Jovens, Sociedades Heróis da Fé, Sociedade Esforço Cristão etc. O Supremo Concílio então recomendou que os pastores dessem todo apoio para os jovens se organizassem em cada Igreja sob o nome de União da Mocidade Presbiteriana (UMP). Desde que tudo começou já se foram 76 anos, e hoje é uma grande oportunidade de exercitarmos a gratidão. Um momento para olharmos para trás e vermos o que Deus já fez e tem feito na UMP e através da UMP, e com isso desenvolver no nosso coração o sentimento de gratidão, consagração, esperança, fé, amor e união.

           Isso aconteceu com salmista no salmo 116. Nos primeiros 11 versículos, o salmista lembra tudo que Deus havia feito por ele (ouvindo sua oração; livrando sua alma; restaurando sua alegria). Diante disso, se viu perante uma pergunta perturbadora: “Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?” (v. 12). Nos versículos seguintes, ele mesmo responde e mostra-nos como podemos ser gratos, pelo que Deus tem feito por nós.

           A primeira maneira de demonstrar a nossa gratidão para com Deus é andando com Ele. O salmista diz: “Andarei perante a face do SENHOR na terra dos viventes” (v.9). A ideia de andar aqui envolve uma atitude constante e habitual. A gratidão deve nos tornar não apenas servos, mas acima de tudo amigos de Deus.

            A segunda é invocando nome dele. O salmista diz: “invocarei o nome do SENHOR” (v. 4). Ele nos mostra que devemos louvá-lo, bendizê-lo e buscá-lo sempre, fazendo isso a todo tempo e não só no templo. O salmista ensina-nos que devemos invocar o nome do SENHOR, não apenas no momento da angústia, mas também no momento de gratidão. Não somente para clamar, mas também para adorar.

        A terceira oferecendo para Ele o melhor de forma voluntária. O salmista diz: “Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor” (v. 17) e ainda: “Pagarei os meus votos ao SENHOR” (v. 18). Sacrifícios de ações de graças referi-se a uma oferta do melhor, de forma voluntária, dada por um coração grato. É uma ação, sem obrigação e motivada pela gratidão. É fazer por puro prazer, em fazer.

            Meu desejo, é que hoje seja um tempo de gratidão e consagração, pelo que Deus fez e tem feito na UMP da nossa igreja e do Brasil.

Jailson Santos



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bispo Robinson Cavalcanti e esposa assassinados a facadas. Filho é suspeito.

O bispo diocesano da Igreja Anglicana, cientista político e professor aposentado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Dom Edward Robinson Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos, foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda, na noite do último domingo (26).
De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O homem morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos. Eduardo estava passando por um processo de deportação.
Abaixo um vídeo com a reportagem:



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Culto de abertura da Federação de UMP do PRDC

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Discurso de Formatura JMC




Meus colegas me concederam a honra de representá-los na formatura do curso de bacharelado em teologia do Seminário Teológico Rev. José Manuel da Conceição. Agradeço a todos pela escolha. Abaixo segue minhas simples e rápidas palavras.

Discurso de Formatura JMC

Ilustre Sr. diretor do Seminário Teológico Rev. José Manuel da Conceição, Rev. Ageu Magalhães; Nobre paraninfo da turma, Rev. Christian Medeiros; Digno patrono Rev. Dario Cardoso; Queridos professores homenageados Rev. George Canêlhas, Rev. Gildásio Reis e Rev. Hermisten Maia;  Senhores coordenadores, em nome de quem saúdo a todos os demais professores; autoridades aqui representadas; demais componentes da mesa; Senhores e senhoras presentes, boa noite!
Meus caros colegas, amigos e irmãos. Nem que eu tivesse o maior poder de síntese do mundo e a noite inteira para discursar nesta tribuna, conseguiria expressar em palavras o que vocês merecem ouvir. Isso porque a nossa história é longa e intensa.
Lembro como se fosse hoje do dia em que chegamos do interior do Brasil e do centro do Chile com os corações empolgados, e agora, aqui estamos nós, com os olhos hora aguados. Entre a alegria da chegada e a tristeza da partida muitas coisas aconteceram. Algumas alegres outras tristes.
Victor Hugo dizia que “a gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano”. Nós pudemos experimentar esta verdade em muitos momentos do nosso curso. Estudamos muito, mas rimos, também, bastante. Se tivesse que defini-los em três palavras diria: Responsabilidade com alegria. Jamais nos esqueceremos dos apelidos que aqui adquirimos e das histórias vivenciamos. Como nos esqueceremos da dramatização feita pelo Eliseu no “tribunal” da matéria Constituição 2. Isso é inesquecível!
Mas não apenas nos alegramos com os que se alegraram, mas choramos com os que choraram. Choramos com colegas que ficaram pelo caminho e não puderam esta aqui conosco. Choramos a recente perda do pai do nosso colega Luciano.
O fato é que vivemos tantas emoções que se fôssemos contar a nossa história por meio de um filme, seríamos injustos se escolhêssemos apenas um gênero. Pois, tivemos A AVENTURA de deixamos tudo e viajarmos para um "novo mundo"; O DRAMA de aprendermos grego e hebraico e até aramaico; A COMÉDIA nos intervalos das aulas; A ANIMAÇÃO (quase em 3D) do PowerPoint de certos alunos; A AÇÃO na nossa quadra “rala ombro”; E O SUSPENSE da lista final dos formandos. Uma coisa é certa. No final deste filme (em homenagem ao chileno Juan) ao invés de termos FIM, teríamos “tetelestai” “está consumado!” Não somos mais seminaristas.
 Passamos estes anos nos preparando para um único propósito: Cumprir a vocação e a missão mais nobre de todas, isto é: Sermos pastores. Entretanto, o que vem a ser isto? Certamente pastorear não é usar a fé sincera de um povo sofrível para explorá-lo de forma visível. Não é viver em desprezível ganância e ainda fazer do ministério meio de jactância. Não é ser um palestrante motivacional fazendo do homem ainda mais carnal!
            Ser pastor é ser muito mais que ser um grande orador; Está além de ser um administrador e fica aquém da figura de salvador. Ser pastor é se lançar numa extensa e desafiante obra muito além das forças humanas é “gastar-se e se deixar gastar em favor das almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. 
A priori nos preparamos nestes anos da melhor maneira possível para sermos pastores; a posteriori não será nada fácil os sermos. Teremos que resistir algumas tentações ministeriais, vencer alguns desafios práticos e seguir os bons exemplos. É sobre isso que desejo falar-lhes.

1.      Uma tentação a ser resistida: Abandonar as velhas práticas e abraçar novos métodos.
A cada raia do sol uma nova metodologia nos é apresentada para como a solução para termos um ministério bem sucedido. Milhares de congressos são realizados a cada ano e inumeros livros são lançados a cada dia. Estes nos apresentam: “Dez maneiras de fazer a igreja crescer”; “Sete princípios para você ser torna um lider de sucesso”; “Cinco passos para plantar uma igreja em um ano”... O problema, muitas vezes, é que essa metodologia estar fudamentada mais em princípios racionais que revelacionais. Mais voltada para entreter o homem que agradar a Deus!
Não são poucos os líderes que têm mergulhado a fundo nas aguás da medodologia humanista. Mas, meus colegas, o que nós mais precisamos não são de novos métodos antropocêntricos, mas sim de velhas práticas teocêntricas, entre elas, as práticas da oração e do estudo sério da Palavra.
Leiam a história dos verdadeiros avivamentos e vocês verão que a igreja de Cristo se expandiu quando pastores se voltaram para prática diaria da oração e do estudo da Palavra. Foi depois de um período de oração e estudo da Palavra que sugiu a reforma. Foi após dias e noites de oração, agonia e suor nas frias selvas americanas que David Brainerd experimentou com abundância a graça de Deus sobre seu ministério entre índios pele-vermelhas.
Os homens que foram usados por Deus nos grandes avivamentos da História, foram homens de vida abundante de oração. Charles Haddon Spurgeon um dos maiores pregadores que o mundo já viu, conhecido como “o Príncipe dos Pregadores”, em uma autobiografia, revelou o segredo do seu ministério; diz ele: “Quando cheguei à capela da rua de New Park, era apenas um grupinho de gente a quem primeiro pregava; mas não posso esquecer jamais o fervor com que eles oravam”. Somos informados de que de 1854 – 1905 o sol nunca surgia no horizonte da China, sem que Hudson Taylor não tivesse de joelhos. Muito mais que mentes brilhantes o que precisamos e de corações ungidos.
 Se lermos a História da Igreja, veremos ainda que os ministérios dos grandes pastores foram logocêntricos: centrados na Palavra. Veja o que aconteceu Savonarola. Enquanto muitos desprezavam a Palavra de Deus, este grande homem de Deus “desbruçava-se sobre a Bíblia, dia e noite, de modo que se dizia que ele a sabia de cor, do princípio ao fim”.[1] E quando subia ao púlpito para pregar, seu sermão irrompia como um meteoro do céu, quando sua palavra ecoava, o rosto de todo auditório branqueava.
            A solução para a revitalização da nossa igreja não é darmos um mergulho profundo nos novos métodos, mas sim a volta às velhas práticas. O D. Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, a saber: olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: “Foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido”.[2]
O que a igreja precisa não é de novos métodos humanos, mas de velhos homens de Deus. Vivemos em uma época de grandes palestrantes, mas de pequenos pregadores. Há muita oratória, porém pouca oração. Há muita performance, mas pouco poder. Há muitas palestras sobre livros do cristianismo, todavia poucas pregações sobre Cristo. A igreja não precisa de pessoas cheias de conhecimento do mundo consumista, mas cheias de Deus. Pessoas vazias de Deus púlpito geram bancos vazios na igreja. Por isso, resistamos à tentação de abandonar as velhas práticas e abraçar novos métodos.

2.      Um desafio a ser vencido: Manter casado o que ultimamente tem sido divorciado: Ortodoxia e ortopraxia.

Dizem que há seminários que formam teólogos e outros pastores. Que alguns privilegiam o estudo acadêmico em detrimento da piedade. Os que assim asseveram estão tentando divorciar duas coisas que sempre devem andar de mãos dadas, isto é, ortodoxia e ortopraxia. Teologia sem piedade não gera vida e piedade sem teologia leva a morte! Eu costumo dizer que nós precisamos ter a mente informada para dar razão da fé e o coração empolgado para viver a fé.
Por isso, precisamos manter juntas estas duas coisas que andam separadas em muitas igrejas da nossa pátria. Uma análise superficial de a realidade evangélica brasileira dar-nos a entender que estas verdades estão polarizadas.
Por um lado temos muitas igrejas históricas que são ortodoxas em sua teologia. Sabem sem titubear as verdades basilares da fé cristã. Mas que não estão tão comprometidas com a evangelização do mundo e a transformação da sociedade. Por outro lado, temos pessoas engajadas e entusiasmadas com essas coisas, mas que desprezam quase que por completo o estudo bíblico-teológico, ao ponto de dizer que “o estudo é coisa de homens”. Assim, se por um lado temos ortodoxia sem ortopraxia, por outro temos ortopraxia sem ortodoxia!
Nossa tradição reformada jamais divorciou ou dicotomizou estas verdades. Dr. Abraham Kuyper falando sobre Calvino, diz que o pensamento deste Genebrino não deve ser visto apenas como um conjunto de dogmas teológicos que teve influência no meio eclesiástico, mas que tem sido antes de tudo, uma filosofia de vida que tem afetado a sociedade e os indivíduos como um todo.  Segundo ele “a visão teológica de Calvino permeada pela soberania de Deus, fez com que ele procurasse relacionar a aplicação desta soberania às diversas atividades culturais do ser humano”. Zuínglio dizia que “o reino de Cristo é também externo”.[3] Piedade e teologia devem ter um casamento sólido e sem crise. Na verdade, a igreja necessita “deixar o monte da transfiguração e descer até ao povo sofrido onde se encontram os perdidos da sociedade”.
Em suma precisamos ter a mente informada para dar razão da fé e o coração empolgado para viver a fé. Por isso, vençamos o desafio de manter casado o que ultimamente tem sido divorciado: Ortodoxia e ortopraxia.

3. Um exemplo a ser seguido: Paulo um homem que abriu mão das glórias deste mundo para viver para glória de Deus.

            O passado de Paulo – Um homem honrado pelos homens. Era natural de um dos maiores centros intelectuais de sua época. Seus escritos posteriores mostram sua erudição grega. Um cidadão romano “por direito de nascimento” (At. 22.28). No que se refere a sua linhagem era a tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; Quanto à lei era um dos grandes entre os fariseus (Fp. 3.5).
            Porém este homem quando alcançado pela graça de Deus abriu mão de todas estas glórias para viajar o mundo de sua época e viver para glória de Deus! Escrevendo aos Filipenses ela assevera: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp. 3.8).
Paulo foi um homem que viveu intensamente para glória de Deus! Uma de suas últimas palavras foi: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm. 4. 7). Estas palavras revê-nos que Paulo encerrou o seu ministério com três certezas:
A certeza que viveu intensamente para o senhor. Com as palavras: “Combati o bom combate”, ele mostra o quanto viveu profundamente para glória do Senhor. É da palavra grega usada para combate que vem que deriva nossa palavra agonia. Isso revela que seu ministério era tão intenso quanto difícil. Por anos e anos a fio Paulo guerreou pelo evangelho. E esse não era qualquer combate era o “bom combate”.
Com as palavrascompletei a carreira” ele revela a sua certeza de que cumpriu o propósito estabelecido pelo Senhor. O termo grego traduzido como “carreira” faz alusão a uma corrida de atletismo. Aprendemos nesta casa que ministério não é uma corrida de cem metros, mas uma grande maratona. Paulo no final dela pode dizer “eu Completei” ou “eu fui até o fim!”. O nosso ministério começará em breve. Não deixemos que os escândalos morais; o apego às coisas deste mundo; as dificuldades do ministério no deixe pelo caminho. Ao contrário, combatamos o bom combate e completemos a nossa carreira.
Finalmente, com as palavras “guardei a fé” ele revela a certeza que abriu mão do que não era necessário reter para guardar o que não poderia perder! A palavra “fé” neste contexto se refere ao conjunto de doutrinas presente na Palavra de Deus. Esta fé ele guardou até fim da sua carreira. 
Um estudioso da Bíblia fez um esboço exaustivo dos homens e das mulheres da Bíblia. Ele concluiu que existem, pelo menos, cerca de 100 biografias detalhadas na Bíblia. E observou que cerca de dois terços dos homens e mulheres, começaram bem e terminaram mal. Não foram poucos se voltaram para a imoralidade e afastaram da fé. Leiam a história dos juízes e dos reis e vocês confirmaram esta verdade. Paulo, porém, perdeu família, fama, dinheiro, amigos e as glórias deste mundo, mas guardou a fé. Por isso, abramos mão do que não é necessário reter para guardar o que não podemos perder!
Eu poderia encerrar dizendo: “nos vemos no FaceBook”. Mas isso seria muito superficial. Poderia dizer o tradicional adeus. Porém direi apenas até breve! Pois, se por acaso, não nos vermos mais, em meu coração vocês sempre estarão. E há uma esperança de nos vermos outra vez. Acredite, o nosso último encontro vai ser diferente, pois vai ser pra sempre! Deus os abençoe. Muito obrigado!
Jailson Santos


[1] FISHER, Harold A. Avivamentos que Avivam. Tradução de Messias Freire. Rio de Janeiro, Editoras Livros Evangélicos, 1961, p. 77.
[2] Apud NETO, F. Solano Portela. A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje. In: MATOS, Alderi Souza de; LOPES, Augustus Nicodemos. Fides Reformata. v.2, n.2. jul/dez, 1997. p.29.
[3] Apud GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. Trad. Gérson Dudus, Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 112

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Exegese de Atos dos Apóstolos - 6. 1-7.

Exegese de Atos dos Apóstolos - 6. 1-7.


Por Jailson Santos


Sumário


 


 

 

INTRODUÇÃO


A presente exegese visa estudar a narrativa de Atos 6. 1-7 a partir de uma análise histórico-gramatical-teológica, com o objetivo de entender e extrair o sentido original proposto pelo autor. Para isso será considerado o contexto dos seus leitores originais. Partimos do pressuposto que Lucas pretende com essa narrativa apresentar a igreja que triunfa, diante dos obstáculos colocados no seu caminho, enquanto ela avança para os confins da terra.[1] Lucas quer mostrar aos seus leitores que “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”.[2] A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, seu propósito salvífico avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.
Diante de uma sequência de acontecimentos ligados a esta ideia, o narrador claramente mostra, que a igreja de Cristo, triunfava mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e dos líderes religiosos judeus (5. 11ss), e da crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). Por isso, o ponto alto da perícope aqui estudada é o verso sete, onde Lucas, após mostrar o problema e a solução assevera: “E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé” (tradução e destaque nosso).
Uma pergunta antiga, mas que ainda ecoa nos anos atuais, no presente texto é: se o mesmo é a base para a instituição do diaconato? Seria a escolha dos sete, também a escolha dos primeiros diáconos? Este texto descreve ou prescreve o oficio de diácono? O substantivo diakonos do qual tomamos “diácono” (cf. 1 Tm 3. 8), tem sua gênese em atos 6? Estas serão importantes perguntas a serem respondidas, mesmo que forma breve, no presente trabalho.
Para uma maior compreensão será estudado o texto em sua língua original, a fim de busca uma tradução literal do mesmo, tentando respeitar ao máximo o sentido das palavras. Finalmente, analisada a mensagem do texto para sua época, e a partir dela, perceber o significado para todas as épocas. Já que o objetivo final deste trabalho é a pregação e aplicação das verdades estudadas ao contexto atual da igreja.

Estudo Contextual


Contexto Histórico e Cultural da Passagem.


Para entendermos a narrativa de Atos faz-se necessário determinar o ambiente religioso, histórico, cultural e social no qual a igreja se encontrava. Por isso, veremos alguns aspectos que laçam luz ao mesmo.


A cidade de Jerusalém no século I.

A cidade de Jerusalém era uma das grandes cidades da Palestina. Não se sabe ao certo quantas pessoas moravam em Jerusalém, mas estudiosos têm chegado a uma variante entre 3 milhões a 20 milhões. Além disso, era um centro religioso do século I e por isso o lugar de grandes ajuntamentos e consequentemente foi o lugar dos primeiros Atos do Espírito Santo. Vejamos estas duas coisas de forma mais detalhada. 
Lugar das festas e de ajuntamento. Como um centro religioso Jerusalém era marcada pelo calendário festivo. Destas festas três exerciam, em Israel, um papel importante e juntavam multidões: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (ou Tendas). No séc. I, cada uma dessas festas durava uma semana completa.[3] Foi na festa do Pentecostes que muitos dos eventos dos primeiros dias da igreja aconteceu.
Lugar dos primeiros eventos. É importante também notar os principais eventos do início da igreja primitiva aconteceram na cidade de Jerusalém. Foi lá que antes de ser elevado aos céus Jesus deu as últimas instruções aos seus discípulos (At. 1: 6-8); que o Espírito Santo foi pela primeira vez derramado (At. 2: 1-4); que Pedro pregou o memoriável sermão cristocêntrico (At. 1: 6-8); que os primeiros convertidos começaram a viver como comunidade(At. 2: 42 - 47); que se deu o primeiro milagre feito por Pedro (At. 1: 6-8). Em palavras modernas podemos dizer que a cidade de Jerusalém foi à base da missão.


A assistência social em Jerusalém.

Segundo Alderi Matos, a temática social está fortemente presente em todas as partes do Antigo Testamento. [4] Esta ênfase do Antigo Testamento estava presente no judaísmo do século I. Neste período, uma parte dos dízimos era reservada para ajudar os pobres. Por essa razão, havia em Jerusalém um costume judaico de aliviar os pobres nativos e estrangeiros,[5] que segundo Barrett, funcionava de duas maneiras. (1) Uma distribuição diária, o תמחוי, composta de alimentos básicos que era dada aos pobres que tinham necessidades casuais. (2) Uma esmola semanal de alimentos e roupas, o קפה, dado aos membros pobres da comunidade.[6]
A comunidade cristã de Jerusalém expressou igualmente a sua unidade espiritual na partilha dos bens comuns e atos de caridade (cf. 2: 44-45, 4: 32 - 05: 11).  Os crentes vendiam suas propriedades e entregavam o valor da venda aos apóstolos. O dinheiro não era usado para construir templos, casas ou qualquer aquisição semelhante. Dava-se de comer aos pobres, de tal maneira que “nenhum necessitado havia entre eles” (At 4.34). Todavia, o enorme crescimento da comunidade gerou uma grande dificuldade nesta distribuição, de maneira que a igreja enfrentou um grande problema, como veremos neste trabalho.


     O crescimento da igreja.

              Como veremos a frente, o problema do esquecimento de algumas viúvas, enfrentado pela igreja primitiva, estava intimamente ligado ao tamanho da nova comunidade. As evidencias internas mostram que o crescimento da igreja do 1º século foi assustador. Começou com um pequeno grupo de pessoas que se reunia no Cenáculo, At 1: 14. Esse grupo cresceu para 120, após o primeiro sermão de Pedro, o número passou para quase três mil (Cf. At. 2.41); logo após, o “rol de membros” subiu para cinco mil homens (Cf. At. 4.4); A cada dia, a igreja ia se multiplicando, de tal maneira que em Atos 5: 14 Lucas define como a “multidão” dos discípulos. Não sabemos a exatidão dos números, mas Merril C. Tenney, afirma que mesmo depois da difusão causada pela perseguição (8.1,4) a igreja de Jerusalém era composta de dezenas de milhares entre os judeus que creram.[7]


Judeus e helenistas.

A igreja primitiva era composta de dois grupos. Os Hebreus (cristãos judeus da Palestina, que falavam o Aramaico e alguns poucos também falavam hebraico) e os “helenistas” (judeus cuja língua materna era o grego). O termo “helenistas” não é encontrado na literatura bíblica antes de Atos. Segundo M. Hengel, a palavra Ἑλληνιστῶν é provavelmente derivada da forma verbal ελληνιζειν, que significa possivelmente “aquele que fala grego”.[8] 
A grande maioria destes últimos eram, sem dúvida, judeus por nascimento. Apesar de ser perfeitamente possível ter havido alguns indivíduos entre eles, que eram gentios por nascimento, mas que haviam sido previamente incorporados como prosélitos ao povo de Israel. Como Nicolau de Antioquia, que está expressamente descrito no verso cinco como um προςήλυτος. Os judeus, os quais eram nativos da Palestina, foram educados a conservar as características peculiares do judaísmo com mais pureza e rigor do que os helenistas. Em muitos casos, os descendentes de judeus estrangeiros, não aderiram apenas à língua grega, mas também, inconscientemente, os costumes gregos, que combinada com as formas de judaísmo.[9]


As viúvas helenistas

Muitos judeus piedosos da diáspora se mudaram para Jerusalém, em seus últimos anos, a fim de ser enterrado no monte Sião ou perto dele. [10] Quando esses morriam suas viúvas ficavam desamparadas, pois não tinham parentes próximos para cuidar delas, como as viúvas dos judeus nativos. Além disso, por se tornem cristãs perderam o direito da ajuda oferecida pelas sinagogas. Assim, com o passar do tempo, o número de viúvas dos helenistas, dependentes de ajuda da igreja, tornou-se desproporcionalmente grande. As que moravam longe de Jerusalém, eram particularmente mais carentes por estarem distantes de Jerusalém e sem possibilidade de se deslocar para a mesma.[11] Então, o problema em frente à igreja tornou-se agudo.

Contexto Literário da Passagem


Para melhor entendermos Atos 6. 1 -7, veremos como ele se relaciona com o contexto próximo e remoto.

Contexto Próximo

Muitos comentaristas têm dividido o livro de Atos em três seções maiores, a partir da síntese feita por Lucas em 1.8. Sendo assim, teríamos: 1) A igreja em Jerusalém (Atos 1: 1 – 6.7). 2) A igreja na Palestina e os primórdios do cristianismo helenista. 3) De Antioquia a Roma, a viagens missionárias de Paulo e outros (9. 1 – 28.31.).[12] Estas seções por sua vez tem sido divididas subseções menores.
Seguindo a estrutura proposta por Carson, pecebemos que a passagem que estamos estudando está diretamente ligada a subseção “A igreja em Jerusalém” (2.42—6.7) e inderetamente ao prólogo do livro (“Alicerces da igreja e sua missão” – 1.1 – 2.42).[13] A subseção 2. 42 – 6.7 é iniciada por Lucas um resumo das características da igreja primitiva em Jerusalém (2.42-47). Em seguida, há uma descrição da cura de um aleijado no recinto do templo feita por Pedro (3.1-10), um milagre notável e público, que segundo Carson, conquista para Pedro um público para outro sermão missionário (3.13-26).[14]
Os eventos seguintes são fundamentais para um dos propósitos[15]  secundários de Lucas, de apresentar a igreja vitoriosa em meio as lutas.[16] Ela vence a oposição do Sinédrio, por meio da resistência, da ousada pregação em “nome de Jesus” (4. 1-22) e da oração fevorosa (4.23-31). Vence a hipocrisia de Ananias e Safira (4.32-37)  através da disciplina que traz juízo imediato sobre eles (5.1-11).
O ministério apostólico popular de cura e pregação (5.12-16) novamente suscita oposição dos líderes judeus, e uma vez mais os apóstolos são presos e levados perante o Sinédrio. Todavia, Deus usa Gamaliel, que aconselha moderação, e os apóstolos vencem as cadeias e são soltos (5.17-42). A subseção termina com apresentação de um grande problema interno (a murmuração dos Helenistas pelo fato, de suas viúvas estarem sendo negrigenciadas do serviço diário) e com o triunfo da igreja, sobre ele através da eleição dos sete (6. 1 – 6).
O último verso é tanto o fechamento da perícope como um sumário, onde mais uma vez a igreja é apresentada como vitoriosa, pois mesmo com as pedras do caminho, alcança nos horizontes. Lucas destaca isso com as seguintes palavras: “E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé” (6.7 - tradução nossa). Nesse aspecto Estêvão é um personagem central. Personagem carismático que atraía um número considerável de seguidores.[17] Por essa razão, a quem diga que um dos propósitos da perícope aqui estudada é apresentar Estêvão, o qual será o personagem principal da perícope seguinte. (6.8 – 8.1a).


Contexto Remoto

Os primeiros sete versos do capítulo seis são muito importante no livro de Atos, tanto no que se refere ao desenvolvimento da narrativa (que começa a mudar de cenário), como para a estrutura, pois é uma importante transição dos blocos de ideias do autor. Segundo Carson, a partir dessa transição, Lucas leva o leitor a uma viagem por “horizontes mais amplos”,(Cf. 1.8), os quais são apresentados dois importantes personagens Estêvão e Saulo.
Carson, mais uma vez assevera que até esse ponto da narrativa, Lucas descreve os crentes primitivos como judeus leais, mesmo que um pouco incomuns.[18] Os relatos desta próxima seção mostram como a igreja começou a forçar os limites do judaísmo tradicional. A partir do capítulos 6 temos um crescimento de um tipo de cristianismo “helenista”, que em alguns aspectos se distingue bastante do presente entre os judeus nativos (de fala aramaica ou hebraica para alguns).[19] É digno de nota, que a partir daqui os gentios são “enchertados” no novo Israel de Deus (a igreja) e passam a desfrutar dos mesmo privilégios dos judeus, nessa nova aliança, independente da linhagem saguínia, da lingua falada ou cultura na qual vivem.
Se em 1.1 – 2.42 temos o prólogo do livro que apresenta os “alicerces da igreja e sua missão”; e em 2.42—6.7 temos  “a igreja em Jerusalém”; a parir do capítulo 6 temos uma igreja que começa a sair da judéia em direção a samaria, e os confins da terra (Cf. 1.8). Assim, dentro da estrutura de Atos o capítulo 6 é uma transição de Jerusalém para Samaria, e de “hebreus nativos” para “os judeus helenistas”. Além disso, a proclamação do evangelho está sendo passada dos doze apóstolos (que permanecem em Jerusalém, Atos 8:1), para todo o resto, e especialmente os crentes helenistas (como Estevão e Filipe, e mais tarde, Paulo), que serão espalhados, pregando o evangelho aos “Judeus helenistas” e também para os gentios dos confins da terra (cf. Atos 8:1-4; 8:5-25; 11:19-21).[20] 
           
Estrutura do Contexto[21]


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2. ESTUDO TEXTUAL


(1) Ἐν δὲ ταῖς ἡμέραις ταύταις πληθυνόντων τῶν μαθητῶν ἐγένετο γογγυσμὸς τῶν Ἑλληνιστῶν πρὸς τοὺς Ἑβραίους, ὅτι παρεθεωροῦντο ἐν τῇ διακονίᾳ τῇ καθημερινῇ αἱ χῆραι αὐτῶν.
(1) Mas,[22] nestes[23] dias, multiplicando-se[24] os discípulos,[25] houve[26] uma murmuração[27] dos Helenistas[28] contra[29] os hebreus,[30] porque[31] estavam sendo deixadas de lado,[32] no serviço diário as viúvas[33] deles.
(2) προσκαλεσάμενοι δὲ οἱ δώδεκα τὸ πλῆθος τῶν μαθητῶν εἶπαν· οὐκ ἀρεστόν ἐστιν ἡμᾶς καταλείψαντας τὸν λόγον τοῦ θεοῦ διακονεῖν τραπέζαις.
(2) Convocando,[34] então,[35], os doze,[36] a multidão[37] dos discípulos, disseram: “Não é desejável[38] que nós abandonemos[39] a palavra de Deus para servir[40] às mesas”.
(3) ἐπισκέψασθε δέ, ἀδελφοί, ἄνδρας ἐξ ὑμῶν μαρτυρουμένους ἑπτά, πλήρεις πνεύματος καὶ σοφίας, οὓς καταστήσομεν ἐπὶ τῆς χρείας ταύτης,
(3) Selecionai,[41] porém, irmãos, dentre vós sete varões que tenham bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria, os quais nomearemos[42] necessidade esta;
(4) ἡμεῖς δὲ τῇ προσευχῇ καὶ τῇ διακονίᾳ τοῦ λόγου προσκαρτερήσομεν.
(4) Porém, nós[43] à oração[44] e ao serviço[45] da palavra continuaremos envolvidos.[46]
(5) καὶ ἤρεσεν ὁ λόγος ἐνώπιον παντὸς τοῦ πλήθους καὶ ἐξελέξαντο Στέφανον, ἄνδρα πλήρης πίστεως καὶ πνεύματος ἁγίου, καὶ Φίλιππον καὶ Πρόχορον καὶ Νικάνορα καὶ Τίμωνα καὶ Παρμενᾶν καὶ Νικόλαον προσήλυτον Ἀντιοχέα,
(5) E agradou a palavra a vista de toda a multidão. E escolheram Estêvão, varão cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímom, Pármenas Nicolau, prosélito de Antioquia,
(6) οὓς ἔστησαν ἐνώπιον τῶν ἀποστόλων, καὶ προσευξάμενοι ἐπέθηκαν αὐτοῖς τὰς χεῖρας.
(6) os quais puseram de pé a vista dos apóstolos, e estes tendo orado, puseram sobre eles suas mãos.
(7) Καὶ ὁ λόγος τοῦ θεοῦ ηὔξανεν καὶ ἐπληθύνετο ὁ ἀριθμὸς τῶν μαθητῶν ἐν Ἰερουσαλὴμ σφόδρα, πολύς τε ὄχλος τῶν ἱερέων ὑπήκουον τῇ πίστει.
(7) E, a palavra[47] de Deus crescia[48] e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão[49] de sacerdotes obedecia[50] à fé[51].


Estrutura do Texto.

O texto analisado por nós tem os limites e a estrutura bastante evidentes. Por se tratar de uma narrativa, as delimitações da perícope podem ser definidas a partir das análises de tempo, espaço e principalmente de personagens.

Delimitação da perícope.

Quando olhamos para o texto anterior e posterior, vemos uma clara mudança nos personagens e no discurso narrado por Lucas. Nos anteriores temos Gamaliel, um rabino importan­te daqueles tempos, aconselha moderação, e os apóstolos são soltos (5.17-42). Somado a isso, temos o δὲ (“porém” ou como traduzimos “mas”) que aponta para um contraste com os últimos versos do capítulo cinco. Se lá há uma grande alegria por causa do crescimento da igreja, aqui temos um grande problema que gera murmuração por parte de alguns e preocupação por parte dos discípulos.
No que se refere à perícope seguinte a mudança de personagem nos ajuda a entender a delimitação da nossa perícope. Se em 6. 1-7 encontramos a nomeação dos sete para resolver o problema da murmuração dos Helenistas em 6. 8 – 15, temos o início da história de um único personagem, isto é, Estêvão, personagem carismático que atraía um número considerável de seguidores, que é falsamente acusado de falar contra o templo e a lei.  Além disso, temos elementos internos que lançam luz na delimitação da perícope. O problema levantado e solucionado e o sumário no verso sete aponta para a conclusão e fechamento das ideias trabalhadas por Lucas até aqui. Talvez, a pergunta que se deve fazer nesta perícope é se este resumo do verso sete não seria por si só uma perícope. A maioria dos comentaristas (tais como: Bruce[52], Carson[53], Constable[54], Longenecker[55], Lange[56], Ryrie[57] Spence-Jones [58] Witherington III[59] ) tem entendido que não. Essa tem sido também a linha que temos seguido.
Considerando então, todas as marcas de tempo presentes no texto acima, bem como a mudança de personagens e discurso, mostram claramente uma sequência de cenas (que se estendem do v. 31 - 38) que são desenvolvidas dentro de um momento determinado. O que delimita nossa pericope de forma natural e sem grandes problemas.

Divisões internas do texto.

As divisões internas do texto são claras e de modo geral, a um consenso por parte dos comentarias das mesmas. O texto pode ser dividido como se segue no gráfico a baixo:


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Fluxo de ideias



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Comentários


1. O problema.


(1) Mas, nestes dias, multiplicando-se os discípulos, houve uma murmuração dos Helenistas contra os hebreus, porque estavam sendo deixadas de lado, no serviço diário, as viúvas deles.

Lucas começa a narrativa, apresentando o significativo problema causado pelo crescimento da igreja. A conjunção δὲ (“mas”)[60] juntamente com os elementos temporais (“nestes dias”), revelam o contraste com a atual condição da igreja (o problema) e a situação próspera indicado nos versos 41 e 42 do capítulo 5. Enquanto em 5: 41 temos alegria, no 6: 1 temos uma γογγυσμὸς (“murmuração”) dos Ἑλληνιστῶν (“Helenistas” – aqui judeus de fala grega) por causa da παρεθεωροῦντο (“negligência”) para com as χῆραι (“viúvas”) deles.  Não é fácil entender como um problema como esse poderia ter surgido na Igreja de Jerusalém, que tinha como características a vida cheia do Espírito e o mútuo amor. Todavia, como veremos ao longo deste trabalho ele está ligado ao propósito central do autor, em mostrar uma igreja vitoriosa em meio às lutas (v. 7). Por ora, nos concentraremos em entendê-lo.  
Este problema inserido por Lucas não parece ser simples. Ele usa palavras fortes para descrevê-lo. A palavra traduzida como “murmuração” é mais que uma observação ou uma reclamação por algo que não está acontecendo como deveria acontecer.  Ao contrário, está é palavra que a LXX usa para descrever a “murmuração” (תְּלֻנָּה) dos judeus contra Moisés no deserto (Ex. 16: 07 ; Nm. 14:27) e aponta para um reclamação amarga. Lucas, mostra que a causa deste resmungo enfático refere-se ao fato das viúvas “estarem sendo deixadas de lado”. O verbo παρεθεωροῦντο aparece somente aqui em todo o Novo Testamento.  O radical verbal traz a ideia de “passa as vistas por cima”.[61] Obseve que o tempo imperfeito aponta para uma ação frequente e que já estava sendo habitual. Em outras palavras, as viúvas estavam nesta situação durante um período considerável, e elas continuavam sendo “esquecidas” (ARA) do serviço (διακονίᾳ) diário.
Diante disso, devemos fazer (e tentar responder) a seguinte pergunta: por que essas viúvas estavam sendo deixadas de lado? As respostas para essa pergunta podem ser variadas e vai desde preconceitos étnicos, a descriminação por parte dos apóstolos. Todavia, há elementos textuais, geográficos e históricos que lançam luz para essa negligência.
De início, devemos notar que a murmuração não foi direcionada especificamente aos Apóstolos (apesar da iniciativa de resolução vir deles). Kistemaker, lembra-nos que preposição πρὸς, em dado contexto, significa “contra”, entretanto, ela traz a conotação de abordagem indireta ao invés da direta anti (face a face). Assim, a reclamação não é direcionada para as outras viúvas, nem para um grupo especifico (discípulos) que pode ter sido responsável, mas para toda a comunidade dos hebreus nativos.[62]
O verbo ἐγένετο, (“vir a ser”, “acontecer”) aqui traduzido como nas demais traduções como “houve”, tem a ideia de algo de uma mudança de estado. Desse modo, apesar de imperfeitos da narrativa, que apontam para uma ação contínua e incessante”, somente aqui “vem a ser conhecido” pelos discípulos. Além disso, o aoristo aponta para uma ação que difere da expressada pelo imperfeito (continua), foi pontual. A murmuração não foi contínua e parece ter cessado com a solução dos doze. Sendo assim, os discípulos não fizeram vistas grossas para com estas viúvas.
Podemos concluir que, é quase certo que as viúvas dos helenistas não foram deliberadamente discriminadas.  Aparentemente, quando os μαθητῶν (“crentes”)  πληθυνόντων τῶν (foram se multiplicando”) com o passar do tempo, o número de viúvas dos helenistas, dependentes de ajuda da igreja, tornou-se desproporcionalmente grande. Pode-se notar que até Atos 4.34 “nenhum necessitado havia entre eles”. Além disso, muitos helenistas da diáspora se mudaram para Jerusalém, em seus últimos anos, a fim de ser enterrado no monte Sião ou próximo dele, e suas viúvas não teriam parentes próximos para cuidar delas, como as viúvas dos judeus nativos. [63]
Essas viúvas gregas eram particularmente mais carentes por estarem distantes de Jerusalém e sem possibilidade de se deslocar para a mesma.[64] Então, o problema em frente à igreja tornou-se agudo. Assim, a causa do esquecimento das viúvas, foi o aumento no número de discípulos de “cento e vinte” (At. 1. 15) para “multidão de crentes” (5. 14). Em um movimento ativo e em expansão, é possível algumas pessoas não seriam lembradas.
Finalmente, Lange destaca que nós não temos nenhuma razão para atribuir a qualquer espírito arrogante por parte dos judeus da Palestina, nem a qualquer sentimento real doente, é mais provável que a falta de um conhecimento pessoal das viúvas estrangeiras e das suas circunstâncias particulares, tenha ocasionado a negligência denunciada pelos Helenistas.[65]

2. A proposta v. 2-4.


(2) Convocando, então, os doze, a multidão dos discípulos, disseram: “Não é desejável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas”. (3) Selecionai, pois, irmãos entre vós sete homens que tenham bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais nomearemos necessidade esta; (4) Porém, nós na oração e no serviço da palavra perseveraremos.

Após ouvir a enfática reclamação os doze convocam a todos os crentes e reconhecem a importância do serviço da palavra e expressam o seu desejo de não deixá-lo de lado. Em seguida, propõe a escolha de sete homens que possuam os requisitos necessários para o desempenho deste serviço. Observe que Lucas não está interessado na questão: de quem é a culpa? Mas, apenas no que fizeram os apóstolos para resolver o problema.
De início, devemos notar que somente aqui, em todo livro, Lucas usa a palavra οἱ δώδεκα (“os doze”) para designar os discípulos, como grupo especial.  Este grupo parece ser sinônimo de τῶν ἀποστόλων (“os apóstolos”) (v. 6). O uso da rara expressão (δώδεκα) tem sido entendido por muitos estudiosos como um elemento de contraste entre os doze e os sete, a fim de mostrar que, a partir deste momento o serviço de assistência passaria da responsabilidade dos doze[66], para os sete. Pesch observa, que com esse jogo de palavras, Lucas coloca entre tensão o serviço (διακονίᾳ) da Palavra e o serviço (διακονεῖν) às mesas.[67] Já Lange, acredita que eles revelam uma antítese entre os dois serviços.[68] A questão não está em servir ou não servir (ambas as palavras tem o mesmo radical), mas sim na prioridade do serviço para qual foi chamado, ou seja, a pregação da palavra de Deus (Cf. v. 4.).
A fim de resolver o problema os doze “convocam a multidão dos crentes”. A voz média do verbo προσκαλεσάμενοι (“Convocando”) aponta para um envolvimento dos discípulos e mostra que eles estavam empenhados em resolver o problema. Observe que a fim de resolver o problema, os doze reúnem a “multidão”. F.M. Cruz Jr., observa que as semelhanças linguísticas e funcionais entre o uso de רבּים (“os muitos” – usados para falar das “sessões públicas” de Qumran) [69] é equivalente ao uso de τὸ πλῆθος (“o número inteiro”, “a multidão”), em Atos 6:2, 5 e 15:12, 30).[70] Assim, fica evidente que toda a comunidade[71] estava envolvida nas deliberações de seus líderes.
Com a comunidade reunida, os doze propõem a escolha de sete varões, que possuam os requisitos necessários, para o desempenho deste serviço. Não fica claro no texto como estes sete foram escolhidos. O verbo ἐπισκέψασθε (“selecionai”) tem o significado básico de “olhar para fora” [72] ou “visitar ou inspecionar, a fim de descobrir as qualificações necessárias”.[73] Segundo Vine, uma forma tardia deste verbo é ἐπισκέπτομαι que significa “olhar para as pessoas certas para uma finalidade específica”. Assim,  ἐπισκέψασθε (“selecionai”) traz a ideia de uma escolha feita a partir de uma inspeção dos elementos necessários para se alcançar um propósito.[74] Já o número ἑπτά (“sete”), pode ter sido uma relação à tradição das comunidades judaicas, onde sete homens respeitados eram escolhidos para gerenciar os negócios públicos, em um conselho de oficiais.[75]
Considerando a importância da seleção, os doze destacam os requisitos necessários, para os que deveriam ser encarregados deste serviço. Ryrie[76] aponta cinco qualificações necessárias, as quais, desenvolveremos aqui com acréscimos e pequenas mudanças. (1) Estes ajudantes deviam ser ἄνδρας (“homens”). A palavra grega usada, o específica como uma pessoa do sexo masculino. (2) Eles tinham que ser da multidão convocada. A preposição ἐξ (“entre vós”) aponta para a origem. A ideia é que eles “venham do meio de vós”.[77] (3) Eles tinham que ser respeitáveis. Este é o significado de “boa reputação”. Testemunho público tinha que atestar cargo de responsabilidade (Cf. I Tm 3:7;. 05:10 e Tt. 1:6.). (4) Eles tinham que ser espirituais “cheio do Espírito Santo”. Esta foi à expectativa normal, não é incomum, da igreja. (5) Tinham que ser sábios. Isso envolve inteligência natural, bem como a sabedoria do Espírito.
O verso 4, encerra este bloco de ideias. Enquanto os sete assistiriam o trabalho de caridade, os doze continuariam na “oração e no serviço da palavra”.[78]  A estrutura frasal feita por Lucas ἡμεῖς δὲ (“nós porém”) cria um contraste entre os serviços ao mesmo tempo dá uma forte ênfase ao verbo προσκαρτερήσομεν (“continuaremos envolvidos”). O aspecto verbal deste verbo enfatiza a continuidade da operação ser entendida, que era realizada no sentido de que a oração e a pregação foram as únicas atividades dos apóstolos, mas sim, era a sua principal obra
O real sentido de διακονία[79] τοῦ λόγου não é claro. B. Gerhardsson acredita que devemos pensar não em proclamação, mas sim em “ensino” (διδαχή) da palavra.[80] Não há dúvida, que o ensino da palavra era uma característica marcante na igreja primitiva, todavia, Barrett obseva, que a interpretação que contempla o serviço da pregação como proclamação, é apoiada pelo uso em Atos da palavra λόγος.[81] Considerando o contexto de expansão da igreja creio que o termo λόγος está mais ligado a proclamação. Na sequencia da narrativa, Lucas mostra como esta proposta foi aceita pela comunidade. É sobre esse assunto que falaremos no tópico a seguir.

3. A implementação da proposta. (V. 5 - 6)


5.  E agradou a palavra a vista de toda a multidão. E escolheram Estêvão, varão cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Tímom, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. (6) Os quais puseram de pé a vista dos apóstolos, e tendo [eles] orado, puseram sobre eles suas mãos.
Nestes versos Lucas mostra a reação da comunidade em relação à proposta feita pelos doze. Lemos que a comunidade executa a proposta feita pelos doze e escolhe sete varões e os apresenta diante dos apóstolos.
 A palavra ἐνώπιον indica que a comunidade (assim com no verso 2 refere-se a multidão de discípulos), como um todo estava bem satisfeita com a sugestão e em harmonia com os apóstolos. O verbo ἐξελέξαντο (“escolheram”) aponta para uma ação de toda a congregação, mas, sem deixar de considerar o regulamento dado pelos apóstolos.
É digno de nota que todos os escolhidos têm nomes gregos. Não se pode concluir precipitadamente que eles eram todos helenistas, pois a maioria dos judeus no mundo antigo tinha três nomes, um judeu, um grego e um nome romano e utilizava um ou outro dependendo da ocasião. Apesar de termos outros fatores que indicam eles provavelmente eram helenistas. F. F. Bruce assevera, que a conclusão que eles eram helenistas, não se baseia apenas no fato de que todos eles têm nomes gregos, mas provavelmente terem sido reconhecidos como líderes dos helenistas na igreja.[82]
Os sete eleitos são Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímom, Pármenas e Nicolau. Nesta lista, um nome recebe destaque do autor, por meio da ordem onde foi colocado, e dois através das notas explicativas. O primeiro é Filipe, recebe a segunda posição na lista. O segundo é Estêvão, a quem Lucas diz ser um “varão cheio de fé e do Espírito Santo”. Creio que o propósito de Lucas com esses qualificadores enfáticos é duplo: 1º destacar essas duas qualidades espirituais. 2º informar e preparar o leitor para a narrativa seguinte, onde Estêvão é o personagem principal. Está verdade se aplica também a Felipe, um personagem importante na extensão do evangelho, fora do círculo de Jerusalém e Judéia. A segunda nota, se refere a Nicolau a quem ele acrescenta: “prosélito de Antioquia”. Esta última distinção, sugere que todo o resto de linhagem judaica e Nicolau o único a se converter Judaismo.
Os apóstolos, por conseguinte, impuseram as mãos sobre os sete e os nomeou para ser responsável pela distribuição diária de comida. A questão que surge aqui é: como devemos relacionar Atos 6 com o oficio de diácono como temos hoje? Segundo Daniel Wallace, três opções de respostas são apresentadas: 1) Atos 6 dá um padrão essencial da liderança da igreja, 2) Dá uma opção válida da liderança da igreja, 3) Dá  uma descrição incidental que talvez seja irrelevante para a liderança da igreja.
Os exegetas estão divididos sobre esta questão, a qual sem dúvidas é uma das mais difíceis do livro de Atos. Infelizmente, devido o propósito deste trabalho não temos tempo para uma análise mais detalhada do assunto, por ora faremos apenas algumas observações. De início precisamos reconhecer que, não há dúvidas, que um dos propósitos de Lucas é mostrar mais o crescimento da igreja por meio da ação do Espírito, que a sua organização eclesiástica, por meio da ação dos apóstolos. Além disso, Lucas não descreve uma igreja que é modelo em tudo, para todas as épocas.[83] Todavia, há alguns elementos exegéticos fortes que para uma gênese do diaconato.
O primeiro é a se encontra no verso 3, quando os doze dizem que os eleitos seriam encarregados “deste serviço” (ARA). A palavra “serviço” no original é a palavra “χρείας”. A tradução mais como para esta palavra é “necessidade”. Todavia, segundo Danker, uma das possibilidades de tradução (mesmo que não primaria) contempla a ideia de um serviço necessário a ser prestado.[84] Vine, vai mais longe ao dizer que χρείας, nesta passagem se refere “a distribuição de fundos”, e traz a ideia de uma “função” instituída.[85] Assim, parece que no verso 3 os doze propõe instituir os sete para a função de distribuir os fundos arrecadados diariamente.
A segunda evidência, que é mais clássica, está no verso 6. Onde lemos que após orarem impuseram sobre os sete as mãos. A imposição de mãos lembra Moisés comissionamento de Josué em Números 27: 18-23, onde, através deste ato, a autoridade foi conferida Josué (cf. Lv 03:02; 16:21) . Isso é, evidentemente, que a imposição de mãos foi feita para simbolizar aqui, a transmissão de autoridade para os sete, selecionados pela Igreja (cf. 8:17; 09:17, 13:03, 19:06).[86]
Finalmente, precisamos considerar outras questões. Primeiro, o cargo de diácono é assumida na carta aos Filipenses de modo natural e em distinção dos bispos (cf. Fp. 1:1). Assim, se Atos 6:1-6 não é uma história de iniciação, em seguida, surge a pergunta, quando e onde eles se originaram os diáconos? Em segundo lugar, várias palavras relacionadas ao diaconato estão aqui, “distribuição” (διακονίᾳ), Servir (διακονεῖν) Serviço (χρείας). Além disso, essa tem sido a interpretação deste o segundo século. Por fim, Calvino quando interpretou este texto asseverou o seguinte: Imposição de mãos era um sinal de consagração solene nos termos da lei. Para esse efeito que os apóstolos agora as suas mãos sobre os diáconos, para que saibam que são oferecidos a Deus.[87] (Destaque nosso).
Os argumentos contra essa ideia são fortes e convincentes. Por questão de tempo não pudemos aqui apresentá-los e abrimos um diálogo. Todavia, em poucas palavras podemos dizer provavelmente foi de atos 6 que a igreja pós primitiva concebeu a ideia de diácono.


O resultado - V. 7.


(7) E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé.

O verso 7 é antes de mais nada, um “sumário” de todos os eventos narrados até aqui (1.1 – 6.6). Segundo Carson, estes “resumos fundamentais”, em forma de “notas breves”, servem para mostrar uma sequência de acontecimentos, e são usados por Lucas, para nos dizer que, eles levaram ao crescimento da Palavra de Deus ou da igreja. Além disso, o fato de esse sumário ter sido colocado após um grande problema enfrentado pela igreja aponta para um dos objetivos de Lucas, que é apresentar a igreja triunfante em meio às lutas deste mundo. Ela continua vitoriosa mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e os líderes religiosos judeus (5. 11ss), ou a crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). Frank Thielman, acertadamente, mostra que a história de Jesus e da igreja primitiva demonstra que os propósitos salvíficos de Deus para Israel e o mundo sempre triunfarão. [88]
Este verso também é um fechamento da perícope que temos estudado até aqui. Se nos versos anteriores temos a apresentação do problema, a proposta e a execução da mesma, no verso sete, Lucas apresenta o resultado, isto é palavra de Deus continuou se espalhando; O número de discípulos em Jerusalém aumentou grandemente; e uma multidão de sacerdotes obedecia a fé. Vejamos cada parte deste resultado separadamente.
Primeiro, a “Palavra de Deus continuou se espalhando”. Há dois sumários com a mesma ênfase em 12: 24 e  19: 20. O termo λόγος (“palavra”), neste contexto, não é sinônimo de livro, mas uma referência à palavra de Deus como os apóstolos continuaram a pregar (Cf. 2, 4). Bob Deffinbaugh observa, por outro lado, que Lucas não está destacando o crescimento da igreja (apesar disso ter acontecido em consequência da pregação), mas sim a ampliação círculo, onde o Evangelho está sendo proclamado.[89] Assim, este sumário aponta uma transição, isto é, pregação que ecoa além dos murros de Jerusalém (Cf. At. 1: 8). O imperfeito[90] progressivo do verbo ηὔξανεν (“continuou se espalhando”) assinala uma ação continua e crescente. A cada dia que se passava novas regiões eram alcançadas.
Consequentemente, a igreja continuou a crescer em números: “era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente”. Em consequência da divisão de trabalho (vv.3-6), da maior dedicação dos doze a oração e a pregação da Palavra (v. 4) e, sobretudo da ação soberana do Espírito, a igreja cresce no lugar que poderíamos chamar de base da missão (Cf. At. 1: 8).
Finalmente, somos informados que uma multidão de sacerdotes obedecia à fé. A construção frasal com sujeito coletivo no singular (ὄχλος – “multidão”) com verbo no plural (ὑπήκουον - Lit. “obedeceram”), segundo Wallace, indica ênfase nos indivíduos do grupo,[91] aqui os sacerdotes. Assim, essa nota colocada por Lucas destacando os sacerdotes parece ter sido proposital e merece nossa atenção. Primeiro, precisamos entender sua quantidade. Jeremias destaca, que nesse período houve talvez até oito mil sacerdotes e dez mil levitas, divididos em 24 grupos semanais, servindo no templo de Jerusalém, durante o período de um ano, dos quais muitos abraçaram a fé.
Segundo sua conversão. “Obedecia à fé” é uma descrição da conversão de muitos sacerdotes.  O verbo ὑπήκουον (“escutar atentamente”) no Novo Testamento traz a ideia de ouvir com a atenção e responder positivamente ao que ouviu.[92] Assim, ele expressa um ato de obediência à vontade graciosa de Deus em Cristo. Já o seu uso no imperfeito aponta, para uma ação continua, ou seja, eles continuavam obedecendo a fé.
Por fim, o uso de πίστει é usado como sinônimo do evangelho de Cristo. Sendo assim, Lucas fala de uma fé objetiva incorporada ao ensino doutrinário, e não a fé subjetiva do crente. Mais do que crer em hw"hy (Yahweh – Deus) eles estavam aceitando as palavras de Jesus por meio dos apóstolos. Este é um incidente importante na história da Igreja, tanto porque eles eram uma ordem superior entre os homens, mas acima de tudo por sempre terem preconceitos contra a fé que agora abraçaram.

 Mensagem para a época.


Esta instrução não é só para Téofilo. Quando Lucas escreveu este texto, estava interessado também, na resposta dos leitores dos primeiros anos da igreja. Segundo Frank Thielman, Lucas esperava que sua narrativa, desse para os leitores a certeza da fé, a qual haviam se comprometido. Esperava fortalecer o compromisso dos cristãos perseguidos com a fé professada e assim edificá-los.[93] Por isso, talvez a pergunta a ser feita, seja: Como os leitores seriam edificados por essa verdade e responderiam positivamente a este ensino?
Primeiramente, precisamos entender que Lucas possuía dois tipos de leitores, isto é, judeus e gentios. A mensagem de Lucas, visa ao mesmo tempo alcançar ambos. Quando um judeu lia este texto, seria edificado através da exortação e compreensão, que a aliança de Yahweh agora se estende aos gentios. A partir daqui, os gentios são por meio de Cristo inseridos no novo Israel de Deus (a igreja) e passam a desfrutar dos mesmo privilégios dos judeus, nessa nova aliança, independente da linhagem sanguínia, da lingua falada ou da cultura na qual vive. Os leitores gentios, diante desta verdade, seriam edificados em saber que podem desfrutar desses beneficios privados até então dos judeus.
Lucas diante do mapa social que possuia em mãos, visava ainda, mostrar aos leitores judeus e de modo especial aos gentios, à medida que seguiam a sua narrativa, que eles são parte do povo muito mais importante que os povos da sociedade grego-romana, pois fazem parte da nação de Deus. Por isso, desfrutam de bençãos incomuns, não dadas aos demais povos que estavam a sua volta. Por outro lado, como um novo povo devem conduzir suas vidas enquanto segue no caminho de maneira diferente. Lucas queria que seus leitores entendessem, que eles devem praticar a inclusividade, pregando a salvação às pessoas de cultura diferente e ajudando aos pobres que estivessem a sua volta, como vemos no tratamento dado as viúvas.[94]
Outra mensagem que é fortemente vista em todo o livro, e que está clara nossa perícope, é a que apresenta a igreja triunfando sobre os obstáculos. Este triunfo está relacionado com o propósito da salvação. Mais uma vez, Frank Thielman, assevera o propósito da salvação, como Lucas afirma triunfará sobre todos os obstáculos colocados em seu caminho pelo tradicionalismo desobediente da igreja ou pela oposição direta de perseguidores incrédulos.[95] Assim, Lucas quer mostrar as seus leitores que “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”.[96] A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, a avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.

Mensagem para todas as épocas


Como podemos aplicar essa passagem a nossa época? O livro de Atos como uma narrativa tem alguns princípios que não podem ser considerados, como permanentes para todas as épocas. Todavia, em outras situações, os eventos narrados nos dão exemplos que podem ser úteis, mesmo que não possamos vislumbrar princípios absolutos a partir deles.[97]
Por essa razão, podemos tirar de atos 6. 1-7 princípios fundamentais para a vida da igreja hoje. Em primeiro lugar, a igreja primitiva se preocupava com a combinação de preocupações espirituais e materiais na realização do ministério que Deus lhe havia dado. Usando uma terminologia atual, podemos dizer que a missão da igreja era uma missão integral. Como a igreja de Atos, precisamos entender que o papel da igreja não é apenas salvar uma alma, mas transformar uma vida como o todo. Nosso entendimento Reformado das Escrituras implica que tudo da vida deve ser trazido em obediência a Cristo. Isto significa que as missões cristãs, devem envolver tanto o ministério de ação (ajuda os pobres realizada pelos sete) como o ministério da palavra (atividade desenvolvida de modo especial pelos doze).

Teologia do Texto


O texto nos apresenta a doutrina soteriologia e eclesiologia, sendo que temos mais elementos da segunda.

Soteriologia - Vocação eficaz [98] - O texto nos apresenta a conversão de um dos maiores grupos de oposição ao Evangelho, a saber, os sacerdotes. Temos claro aqui a vocação eficaz é a obra secreta da vivificação ou regeneração realizada na alma dos eleitos pela operação imediata e sobrenatural do Espírito Santo. Aqueles que se levantavam contra Cristo agora se rendem a Ele, pois quando Deus que não há quem não queira.

Eclesiologia - Soberania de Deus e a responsabilidade humana - Uma das maiores lições deste texto é o da soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Ele nos deu o Seu Espírito, que nos permitirão realizar essas tarefas. Esse paradoxo mostra-nos que a igreja cresce porque Deus soberanamente e graciosamente a faz crescer, mas também Ele faz isso por meio de sua igreja que é a agencia de proclamação e transformação.[99]

Eclesiologia: Missão integral – Atos 6 nos ensina que é preciso voltar a ver o ser humano, não apenas como uma alma a ser conquistada para o Reino de Cristo, mas uma vida a ser  transformada em seu Reino já inaugurado. Deve ser uma prática cotidiana da igreja, de se preocupar tanto com as necessidades espirituais, como com as materiais. A igreja é também uma agência de transformação social.  

Eclesiologia - Uma igreja multicultural. A igreja de Jerusalém tinha uma composição multicultural. A conclusão de David Fiensy em um estudo da composição da igreja de Jerusalém é que as indicações são de que quase todos os níveis da sociedade estiveram representados. “A igreja parece ter sido um microcosmo da cidade” diz ele.[100] Atos 6 nos ensina que a igreja deve alcançar todas as classes sociais.

Eclesiologia - Liderança e oração. Atos 6 apresenta também a oração como o segredo do poder no ministério. Em resposta à pergunta dos discípulos sobre a sua incapacidade de expulsar um espírito maligno de um menino, Jesus disse: “Este tipo só sai por meio da oração” (Mc 9:29).

Eclesiologia - Liderança e o ministério da Palavra. Uma das principais responsabilidades de um líder é ensinar às pessoas a Palavra. Por esta razão, quando Paulo enumera as qualificações para bispos da igreja, a única exigência capacidade relacionadas, ele cita é que a pessoa deve ser “capaz de ensinar” (1 Tm 3:2;... Cf 2 Tm 2:2) .

Eclesiologia - Critérios para seleção da liderança. Os três critérios utilizados na seleção dos servos da área administrativa da igreja primitiva eram: “uma boa reputação”, “cheio de sabedoria”, e “ser cheio do Espírito Santo”. Ao nomear os líderes da igreja devemos olhar para estas três qualificações.

 

 

SERMÃO.


Titulo: A igreja que triunfa sobre os obstáculos gerados pelo crescimento.
Tema: Como solucionar problemas gerados pelo crescimento da igreja?
Doutrina: Eclesiologia.
Necessidade: Toda comunidade que faz parte da igreja visível tem problemas, pois seus membros são humanos e, por isso, falhos. Por isso, faz-se necessário compreender que diante desses problemas os líderes devem manter o foco na palavra de Deus e escolher pessoas certas para a os ajudar nas soluções dos mesmos.
Imagem: O corpo humano que apesar de tanta diversidade possibilita unidade.
Objetivo: Levar a igreja ao final do sermão a reconhecer a necessidade de uma atitude humilde para reconhecer os problemas e com o foco na palavra e na oração, buscar as soluções dos mesmos.

Esboço:

Introdução: Ilustração sobre a vida em família, mostrando os problemas e as dificuldades de se conviver na mesma. Aplicar a igreja que a grande família das famílias. Mostrar que por essa razão, os problemas não comuns e muitas vezes inevitáveis. Mas que como corpo de Cristo é possível ter unidade na diversidade se mantermos o foco na oração e na Palavra.

Tema: Como solucionar problemas gerados pelo crescimento natural da igreja?

1. Não negligenciar o problema. (v. 1)

ü  Ouvir os que têm problemas.
ü  Ser humilde para reconhecer o erro. (como foram os doze)

2. Manter o foco na Palavra e na oração. (v. 2, 4).

ü  Colocar sempre as primeiras coisas nos primeiros lugares.
ü  Não abandonar a Palavra

3. Escolher as pessoas certas para ajudar. (v. 3,5,6)

ü  Escolher priorizando os dotes espirituais.
o   “uma boa reputação”,
o   “cheio de sabedoria”, e
o   “ser cheio do Espírito Santo”
o    
ü  Pessoas próximas dos necessitados (Nomes gregos)

Conclusão: (v. 7).

*      A igreja de Cristo com o foco na Palavra sempre triunfará sobre todos os obstáculos, pois, é Deus que está escrevendo a história de sua igreja.
*      Como a igreja primitiva continuou vitoriosa mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e os líderes religiosos judeus (5. 11ss), ou a crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). A Igreja de hoje também vencerá, ela é a igreja do Senhor Jesus.
*      A vitória final da igreja será na consumação dos séculos.

  

Conclusão


Agora que chegamos juntos ao fim deste trabalho, esperamos ter lançado luz sobre a narrativa bíblica aqui analisada. Gostaria de concluir com três aspectos apenas. O primeiro, está relacionado com a mensagem principal do texto. A conclusão que chegamos é o que nessa narrativa Lucas apresenta a igreja que triunfa, diante dos problemas colocados no seu caminho, enquanto ela avança para os confins da terra.[101] Lucas traz edificação aos seus leitores ao mostrar eles “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”. A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, seu propósito salvífico avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.
O segundo, estar ligado a pergunta inicial: o substantivo diakonos do qual tomamos “diácono” (cf. 1 Tm 3. 08), tem sua gênese em atos 6? Entendemos, apesar de Lucas não descreve uma igreja que é modelo em tudo, para todas as épocas. Todavia, há alguns elementos exegéticos fortes que apontam para uma gênese do diaconato. Destacamos a palavra “χρείας” que segundo Danker e Vine, nesta passagem se refere “a distribuição de fundos”, e traz a ideia de uma “função” instituída. Falamos ainda da clássica interpretação da imposição de mãos, a qual simbolizava aqui, a transmissão de autoridade. E mostramos o pensamento do reformador Calvino sobre este assunto, onde ele claramente usa a expressão diácono para se refere os sete. Entretanto por ser uma questão aberta preferimos ser cautelosos e deixá-la aberta no desafio de estudá-la com mais afinco.
Terceiro e último, gostaria destaca, os aspectos teológicos e práticos dessa perícope. Atos 6 nos ensina que é preciso voltar a ver o ser humano, não apenas como uma alma a ser conquistada para o Reino de Cristo, mas uma vida a ser  transformada em seu Reino A igreja é também uma agência de transformação social. A muitos lugares da nossa nação onde as pessoas precisam tanto do alimento para alma como para o corpo. A prática dessa verdade levará nossa igreja ser uma comunidade multicultural.  David Fiensy em um estudo da composição da igreja de Jerusalém é que as indicações são de que quase todos os níveis da sociedade estiveram representados. “A igreja parece ter sido um microcosmo da cidade” diz ele.[102] Atos 6 nos ensina que a igreja deve alcançar todas as classes sociais.
A minha mais sincera oração, é que Deus dê graça a sua igreja para que ela triunfe sobre os problemas no caminho do alcance de todas as nações e se volte para todas as classes.

Jailson Santos


Referência para este artigo: SANTOS, Jailson Jesus. Exegese de Atos dos Apóstolos - 6. 1-7.. Disponível em: <http://jailsonipb.blogspot.com/2011/10/exegese-de-atos-dos-apostolos-6-1-7.html> Acessado em: DATA DO ACESSO.





[1] Cf. THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[2] Ibid
[3] SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A palestina no tempo de Jesus. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1983. 95 p.
[4] Matos, Alderi Souza de. Estudos sobre Ação social cristã. Artigo disponível em: acessado em 06 nov. 2010
[5] Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[6] Barrett argumenta ainda, que havia também algumas comunidades religiosas especiais (como os fariseus e os essênios), que tinha seus próprios agentes em cada cidade, para proporcionar aos seus membros “um serviço social em algum lugar entre os serviços privado e público”. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[7] ENCICLOPÉDIA da Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. v. 3. P. 464
[8] Apud Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[9] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[10] Apud, Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the Acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[11] Cf. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[12] CHAMPLIN, Russell Norman. O novo testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Milenium distribuidora cultural, 1985. v.3. p. 128.
[13] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 204. 
[14] Ibid
[15] A maioria dos estudiosos tem entendido que o propósito primário de Lucas em Atos é a “edificação dos crentes”. Cf. CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 224.
[16] Essa ideia, mesmo que embrionária e incomum, foi destacada pelo Prof. Ver. João Paulo Thomás de Aquino em uma de suas aulas de Exegese do NT2 no 2º semestre de 2010 - seminário JMC. , e faz muito sentido com o sumário encontrado no verso 7.
[17] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205
[18] Ibid
[19] CHAMPLIN, Russell Norman. O novo testamento interpretado : versículo por versículo. São Paulo: Milenium distribuidora cultural, 1985. v.3. p. 128.
[20] Cf. DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[21] Está estrutura foi montada a partir dos esboços sugeridos por Carson e Constable. Cf. CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205; Ver também CONSTABLE, Thomas L. Notes on Acts. Comentário Bíblico online Disponível em: http://www.soniclight.com/constable/notes/pdf/acts.pdf Acessado em: 08 de novembro de 2010
[22] A conjunção δὲ, apesar de ser normalmente traduzida por “então” ou “ora” (ARA, PJFA) e ser uma conjunção adversativa mediana (“porém”), é mais bem traduzida aqui por “mas”, (como se fosse alla, – adversativa forte), pois, segundo Vincent, revela o contraste com a atual condição de próspera da igreja indicado no final do último capítulo. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[23] Preferimos a tradução “nestes”, diferentes das demais versões, pois expressa melhor a ideia original onde temos Ἐν (“em”) + ταύταις (Estes) = “nestes”;  ao invés de Ἐν (“em”) + ekeííi´,naiς (aqueles)= “naqueles”.
[24] Literalmente “quando os discípulos foram se multiplicando”, o particípio presente, indicando que algo em andamento. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword
[25] Esta é a primeira vez no livro de Atos, onde a palavra μαθητῶν (“discípulos”) é utilizada para se refere aos cristãos, de modo mais geral. No total, o termo grego correspondente é usado mais de 25 vezes em Atos: uma vez com o acréscimo “do Senhor” (At. 9: 1). Em atos 9: 25 a referência pode ser limitada aos seguidores de Paulo. Há uma leve diferença entre a ideia de discípulo nos Evangelhos em relação a Atos. Nos Evangelhos μαθητῶν (“discípulos”) são “aqueles a quem Jesus ensinou” ou “aqueles que andaram e aprenderam com Jesus”, em Atos, é necessário empregar uma expressão que indica associação indireta com Jesus, por exemplo, “aqueles que foram seguidores de Jesus”, sendo que a palavra “seguidores” tem mais a ver com o compromisso com as ideias de Cristo (crentes em Jesus) do que como companheiros de imediatos dele (μαθητῶνcomo nos Evangelhos). Por essa razão, muitas traduções usar simplesmente “crentes” para os discípulos em Atos. Cf. Newman, B. M., & Nida, E. A. (993], c1972). A handbook on the Acts of the Apostles. Originally published: A translator's handbook on the Acts of the Apostles, 1972. UBS handbook series; Helps for translators (pg 134ss). New York: United Bible Societies.
[26] O verbo ἐγένετο, (“vim a ser”, “acontecer”) aqui traduzido como nas demais traduções como “houve”, (ARA, NVI, PJFA) tem a ideia de uma mudança de estado. Sendo assim, apesar de imperfeitos da narrativa, que apontam para uma ação contínua e incessante”, somente aqui “vem a ser conhecido” pelos discípulos. Já o aoristo, dele, aponta para uma ação pontual, ou seja, eles reclamaram, mas por que foi resolvido o problema a murmuração cessou.
[27] Atos 6 em parte traz uma realidade diferente de atos 2: 42 – 47, onde vemos comunhão sem conflitos.
[28] Ἑλληνιστῶν é o termo que significa propriamente aqueles que falavam o grego ou seguiam as práticas gregas. Ele normalmente era aplicado tanto para estrangeiros cristãos como para não cristãos. Segundo, muitos estudiosos a tradução do termo “helenistas” deve ser determinado pelo contexto no qual é usado. Considerando este detalhe e olhando a luz para o contexto de atos 6 podemos concluir que os helenistas como temos aqui refere-se judeus da dispersão que viviam em países onde o grego era falado, e que se falava a língua grega. Foi por uma questão semelhante que a versão Alexandrina das Escrituras, comumente chamada de LXX., foi feita. Ver: The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc. Ver também: Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[29] πρὸς – em dado contexto, a preposição significa “contra”. Ela traz a conotação de abordagem indireta ao invés da direta anti (face a face). Assim, a reclamação não é direcionada para as outras viúvas, nem para um grupo especifico que pode ter sido responsável, mas para toda a comunidade dos hebreus nativos. Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299
[30] Hebreus, os judeus da Palestina e outros, que falavam aramaico (2 Co. 11:21;. Fp. l 3:5), em oposição aos gregos.
[31] O termo ὅτι, na construção frasal que temos aqui, funciona como uma conjunção causalA maneira como Lucas constrói a frase, isto e,  ὅτι + παρεθεωροῦντο faz do verbo παρεθεωροῦντο um imperfeito progressivo, ou seja, uma ação continua e ainda em andamento.
[32] O verbo παρεθεωροῦντο (viip3p) aparece somente aqui em todo o Novo Testamento.  O radical verbal traz a ideia de “passa as vistas por cima”, em outras palavras deixar de ser visto e assim “negligenciado” (ARA, PJFA). Obseve que o tempo imperfeito aponta para algo que já estava sendo habitual, ou seja, elas “continuavam sendo esquecida”.  Por essa razão é que traduzimos por: “estavam sendo deixadas de lado”. Cf. STRONG. Dicionário Bíblico Strong-Léxico Hebraico, Aramaico e Grego - Sociedade Bíblica do Brasil. Disponível na bíblia E-sword.
[33] Diário; καθημερινός ocorre apenas aqui no Novo Testamento, e raramente em escritores gregos; vem do verbo ἐφημερινός “febre diária”. Esta palavra foi usada por Hipócrates, que pode, eventualmente, ter sugerido o uso da palavra rara usada pelo médico Lucas. CF. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[34] O verbo προσκαλεσάμενοι Significa: a) “chamar a si mesmo”, ou, “convidamos a vi”, e é usado somente na voz média. Esse foi o termo usado por Lucas em At. 2: 39. Para se refere ao “chamado” (ARA) de Deus para os gentios, por meio do evangelho. A voz média traz a ideia de envolvimento, por isso poderia ser traduzido por: “Convocando com empenho”.
[35] Diferente do verso 1 a conjunção δὲ aqui é melhor traduzida por “então” como temos na ARA, pois, traz a ideia continuação do que foi dito no verso anterior.
[36] Essa é a primeira vez que Lucas usa apenas a palavra οἱ δώδεκα para se referir a liderança exercida pelos Apóstolos.
[37] Apesar da palavra “comunidade” usada pela ARA , trazer implícita, a ideia de um grande grupo, preferimos a tradução literal do termo πλῆθος (multidão), pois expressa melhor a ideia de um grupo além dos 120 de atos 1. 15. F.M. Cruz Jr., apontou as semelhanças linguísticas e funcionais entre o uso de רבּים (rabbîm, “os muitos”) em um QS 6,8-13, que lida com a ordem das sessões públicas de Qumran, e o uso de τὸ πλῆθος (“to plethos” , “o número inteiro”, “todo”), em Atos 6:2, 5 e 15:12, 30 (cf. antiga Biblioteca de Qumran [Londres: Duckworth, 1958], p. 174). Embora nem o acampamento dos Essênios em Qumran, nem a igreja de Jerusalém poderia ser chamado em nosso sentido moderno, uma assembleia democrática, é evidente que em ambos a congregação estava envolvida nas deliberações de seus líderes. Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[38]  O termo ἀρεστόν é usado aqui como adjetivo verbal do verbo areskw (“eu agrado” como temos no verso 5). ἀρεστόν é muitas vezes a interpretação de טוב (“bom”, “agradável”). Normalmente se refere ao termo יָשָׁר, “o que é certo”. ἀρεστόν juntamente com a partícula negativa οὐκ (não) significa “não é desejável”, como traduzimos aqui. Cf. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc. Ver também: KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[39] καταλείψαντας é o verbo diretivo composto de kataleipw (“eu deixo de lado” “eu desisto”) significa  “abandonar” ou “renunciar” ou literalmente  “deixar em apuros”. Além disso, este verbo como particípio aoristo ativo demonstra modo. Assim, tanto o pronome ἡμᾶς (sujeito do infinitivo) como o infinitivo do presente διακονεῖν (servir) abrangem a construção verbal principal. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[40] διακονεῖν - Presente infinitivo ativo de diakonew. Esta palavra é derivada de diakonov. Esta palavra vem da raiz diâmetro que significa “guardar com cuidado”. Normalmente se referia a uma tradução que a LXX fez para se referir ao cuidado providencial de Deus. No NT normalmente está ligada a ideia de “servir”, “ministrar”, quer na mesa ou em outro serviço (João 12:25). Em muitos contextos, como neste caso é uma referência a “servir” como diácono (1 Tm. 3: 10,13; Fp. 1: 1). Esta palavra tem a mesma raiz de  diakonia (“serviço” ou “distribuição diária”), usada no versículo 1. Este termo é também, mais frequentemente utilizados no NT, para se refere aos ministros (pastores) do que dos diáconos, mas é também muitas vezes usada para falar do ofício de diácono, como separado presbíteros e pastores. Cf. Thayer and Smith. “Greek Lexicon entry for Diaphulasso”. “The New Testament Greek Lexicon”.  Disponível em: <http://www.studylight.org/lex/grk/view.cgi?number=1314> Acessado em 02/11/2010. Ver também: Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[41] O verbo ἐπισκέψασθε (“selecionai”), vem de verbo ἐπισκευάζω “equipada com as coisas necessárias”. Era o verbo usado para descrever os equipamentos necessários aos animais de carga para uma viagem. Uma forma tardia deste verbo é ἐπισκέπτομαι que significa “olhar para as pessoas certas para uma finalidade específica”. Por isso,  ἐπισκέψασθε, traz a ideia de uma seleção feita a partir de uma inspeção dos elementos necessários para se alcançar um propósito. Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[42] Futuro ativo indicativo de katisthmi (“nós nomearemos”), aponta para o fato que a ação dos apóstolos é posterior e segue a escolha da igreja, mas é prometido como uma certeza, não como uma possibilidade. O Texto Receptus tem um aoristo ativo do subjuntivo (katasthswmen). Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[43] “Porém, nós” (ἡμεῖς δὲ). Apesar do δὲ não ser uma conjunção adversativa tão forte como alla,, ela mostra claramente o contraste entre o trabalho dos apóstolos e o dado aos sete. Cf.: em Atos 2: 42. Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[44] É improvável que προσευχή refere-se a um lugar de oração em que os apóstolos estavam constantemente a ser encontrada. Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[45] O ministério da palavra (τῇ διακονίᾳ τοῦ λόγου). A mesma palavra διακονίᾳ empregada no versículo 2, mas aqui este serviço se referia ao ministério especial com que os apóstolos estavam em causa e que deveria “continuar firmes” ou “perseverando”  (προσκαρτερήσομεν) como em Atos 2: 42. Op cit 9.
[46] O verbo προσκαρτερήσομεν continuaremos envolvidos” vem de προσκαρτερέω (“eu persevero”). Este verbo é de uso frequente em Atos (Cf. 1:14;. 02:42, 02:46, 08:13, 10:07, ver também Col. 4:02). É utilizado de pessoas e coisas às quais qualquer um se adere e perseverança, que são colocados no caso dativo, como aqui. Cf. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (p. 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[47] ὁ λόγος τοῦ θεοῦ - Lucas aqui não está falando em palavra como sinônimo de livro,  porém se refere a palavra de Deus como os apóstolos continuaram a pregar (vv. 2, 4), mas que agora se espalhava para lugares além de Jerusalém. 
[48] O verbo ηὔξανεν pode ser analisado tanto como um particípio, como um imperfeito. A luz do contexto, preferimos analisá-lo como: 3pms do imperfeito ativo do presente do indicativo. Além disso, traz a ideia que a palavra de Deus “continuava a crescer em influência e efeito”.
[49] À primeira vista, esta informação deve nos deixar no mínimo, um pouco perplexos em vista de 4:1 e ss. 5:17 e ss., parece difícil de acreditar que todos os sacerdotes teriam se tornado cristãos. No entanto, como Jeremias observou em pormenor, houve talvez até oito mil  sacerdotes e dez mil levitas, divididos em 24 grupos semanais, servindo no templo de Jerusalém durante o período de um ano, cuja posição social foi nitidamente inferior ao das famílias sacerdotal e cuja piedade em muitos casos, poderia muito bem ter que os levaram a uma aceitação da mensagem cristã. Cf. Jerusalém, p. 198-213, Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[50] O verbo ὑπήκουον significa literalmente “escutar atentamente”. Entretanto no Novo Testamento traz a ideia de ouvir com a atenção e responder positivamente ao que ouviu. Normalmente os tradutores traduzem como “obedecer” como fizemos aqui.
[51] Πίστει - Está expressão é muito usada por Paulo e sua tradução é variada. Pode se referir ao ato de ter fé ou até mesmo ao conteúdo da fé. O uso aqui parece ser o que os pais da igreja chamavam de “fides quae”, isto é, o conteúdo da fé cristã e da vida.
[52] F. F. Bruce, The Book of Acts, Revised Edition (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1988), p. 121.
[53] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205
[54] CONSTABLE, Thomas L. Notes on Acts. Comentário Bíblico online Disponível em: http://www.soniclight.com/constable/notes/pdf/acts.pdf Acessado em: 08 de novembro de 2010
[55] Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[56] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[57] Ryrie, C. C. (1961). Acts of the Apostles. Everyman's Bible Commentary (pg 42ss). Chicago: Moody Press.
[58] The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[59] Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[60] A conjunção δὲ, apesar de ser normalmente traduzido por “então” ou “ora” (ARA, PJFA) e ser uma conjunção adversativa mediana (“porém”), é mais bem traduzida aqui por “mas”, (como se fosse alla, – adversativa forte), pois, segundo Vincent, revela o contraste como descrito acima. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[61] Cf. STRONG. Dicionário Bíblico Strong-Léxico Hebraico, Aramaico e Grego - Sociedade Bíblica do Brasil. Disponível na bíblia E-sword.
[62] Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299
[63] Apud, Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the Acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[64] Cf. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[65] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[66] A responsabilidade deste trabalho, tinha sido até então restrito aos apóstolos; doações de caridade foram colocadas a seus pés (4: 35, 5:2), e foram distribuídos ou aplicados de acordo com o seu julgamento, (4:35). Outros estudiosos tem obsevado que algumas vezes a palavra διακονίᾳ foi usada para se refere ao serviço apostólico que Judas Iscariotes fazia e que Matias passou a fazer. Cf. Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures : Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[67] Apud Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (p. 302). Edinburgh: T&T Clark.
[68] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[69] cf. Antiga Biblioteca de Qumran [Londres: Duckworth, 1958], p. 174
[70] Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[71] Lange acredita que “toda a multidão dos discípulos”, se refere a todos os membros do sexo masculino, o que pode ser possível considerando o contexto da época. Cf. Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures : Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[72] THAYER, J. H. Greek-English Lexicon of the New Testament. Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1999. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[73] Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[74] Ibid
[75] Cf. Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[76] Cf. Ryrie, C. C. (1961). Acts of the Apostles. Everyman's Bible Commentary (pg 42ss). Chicago: Moody Press.
[77] Para Longenecker a preposição ἐξ (“dentre vós”) refere-se aos helenistas sozinhos. Eles mesmos poderiam assumir a responsabilidade no caso diz ele. Esse argumento faz sentido quando olhamos para os nomes dos escolhidos, todavia não podemos afirma essa verdade com certeza. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[78] Ambas as atividades são vistas como formas de culto público, eles elas eram chamadas no mundo grego, λειτουργοι (liturgias). Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[79] A mesma palavra διακονίᾳ empregada no versículo 2, mas aqui este serviço se referia ao ministério especial com que os apóstolos estavam em causa e que deveria “continuar firmes” ou “perseverando”  (προσκαρτερήσομεν) como em Atos 2: 42. Op cit 9
[80] Gerhardsson, B. Memory and Manuscript, 1961, 245. Apud Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[81] Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[82] BRUCE, F. F. The Book of Acts, Revised Edition (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1988), p. 121.
[83] Daniel Wallace obseva, que Lucas descreve muitas coisas que certamente não são válidas para no ministério contínuo da igreja (por exemplo, o comunismo inicial da igreja, o batismo do Espírito depois da salvação). Assim, é preciso ter cuidado para distinguir as coisas que parecem ter significação permanente daqueles que não.
[84] Arndt, W., Danker, F. W., & Bauer, W. (2000). A Greek-English lexicon of the New Testament and other early Christian literature. "Based on Walter Bauer's Griechisch-deutsches Wr̲terbuch zu den Schriften des Neuen Testaments und der frhchristlichen [sic] Literatur, sixth edition, ed. Kurt Aland and Barbara Aland, with Viktor Reichmann and on previous English editions by W.F. Arndt, F.W. Gingrich, and F.W. Danker." (3rd ed.). Chicago: University of Chicago Press. p. 1088
[85] Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[86] Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[87] Calvino, Acts. Calvin's New Testament Commentaries Series, vol. 13. Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1994. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword

[88] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[89] DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[90] O verbo ηὔξανεν pode ser analisado tanto como infinitivo, como um imperfeito. A luz do contexto, preferimos analisá-lo como: 3pms do imperfeito ativo do presente do indicativo.
[91] WALLACE, Daniel B. Gramática grega: uma sintaxe exegética do novo testamento. São Paulo: Batista Regular, 2009. p. 401.
[92] Cf. THAYER, J. H. Greek-English Lexicon of the New Testament. Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1999. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
Ver também: VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[93] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[94] Ibid
[95] Ibid p. 250
[96] Ibid
[97] Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[98] CALVINO, As Institutas – edição Clássica, Vol III, p.429.
[99] DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[100] Fiensy, “Composition of the Jerusalem Church,” 4:213. Apud Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[101] Cf. THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[102] Fiensy, “Composition of the Jerusalem Church,” 4:213. Apud Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.


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