Você estar comprometido ou apenas envolvido?

Há alguns anos li uma história que me chamou muito atenção. Era uma fabula de um porco e uma galinha que resolveram formar uma sociedade para oferecer um dos pratos de café da manhã mais desejados pelos americanos: ovos com bacon.

A galinha pensou: “Já que os americanos gostam tanto de ovos com bacon, eu e meu amigo porco poderíamos abrir uma empresa. Eu dou os ovos e ele dá o bacon”. Convicta do sucesso da sociedade a galinha fez a proposta para o seu amigo porco. Este por sua vez achou o máximo à ideia, e, com muita euforia, foi correndo contar para seus amigos.

Após contar a todos que seria empresário e que ficaria rico, resolveu falar também com o porco mais velho da fazenda, sobre a nova vida que teria. Este após ouvir a entusiasmada história do jovem porco, disse: “querido amigo porco você já parou para pensar com atenção sobre esta sociedade?” o jovem porco respondeu: “Já! Será simples, eu darei o bacon e o galinha os ovos”.

O velho porco o chamou no canto e disse: “meu jovem você ainda não percebeu que nesta sociedade a galinha esta apenas envolvida e você completamente comprometido até o pescoço?” E continuou: “para galinha dá os ovos, ela não faz nada de mais, porém, para você dá o bacon você tem que da a vida!”

Esta pequena história mostra a diferença entre estar envolvido e estar comprometido. A galinha estava apenas envolvida, mas o porco comprometido. Eu não vou perguntar se na vida cristã você é um porco ou uma galinha, pois, não cairia bem. Mas gostaria de pergunta: “você estar comprometido ou é apenas um envolvido?”

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Diante do que Deus tem feito por nós, o que devemos fazer por ele?

Estamos chegando ao final do ano, e esse tempo pode ser para nós uma grande oportunidade de exercitarmos a gratidão. Um momento para olharmos para trás e vermos o que Deus já fez e tem feito em nós e através de nós, e com isso desenvolver no nosso coração o sentimento de gratidão.

Isso aconteceu com salmista no salmo 116. Nos primeiros 11 versículos o salmista lembrar tudo que Deus havia feito por ele (ouvindo sua oração; livrando sua alma; restaurando sua alegria). Diante disso se viu perante uma pergunta perturbadora: Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?(v. 12). Nos versículos seguintes ele mesmo responde e mostra-nos como podemos ser gratos pelo que Deus tem feito por nós.

A primeira maneira de demonstrar a nossa gratidão para com Deus é andando com Ele. O salmista diz: Andarei perante a face do SENHOR na terra dos viventes” (v.9). A ideia de andar aqui envolve uma atitude constante e habitual. A gratidão deve nos tornar não apenas servos, mas acima de tudo amigos de Deus.

A segunda é invocando nome dele. O salmista diz: invocarei o nome do SENHOR (v. 4). Ele nos mostra que devemos louvá-lo, bendizê-lo e buscá-lo sempre, fazendo isso a todo tempo e não só no templo. O salmista ensina-nos que devemos invocar o nome do SENHOR não apenas no momento da angustia, mas também no momento de gratidão. Não somete para clamar, mas também para adorar.

A terceira é dando a Ele o melhor de forma voluntária. O salmista diz: Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor (v. 17) e ainda: “Pagarei os meus votos ao SENHOR (v. 18). Sacrifícios de ações de graças referi-se a uma oferta do melhor de forma voluntaria, dada por um coração grato. É uma ação sem obrigação e motivada pela gratidão. E fazer por puro prazer em fazer.

Meu desejo é que estes últimos dias de 2009 sejam dias de reflexão e também de gratidão pelo que Deus fez e tem feito por nós.

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Resenha: Calvino, Genebra e a Reforma

Resenha

Jailson Jesus dos Santos

WALLACE, Ronald S. Calvino, Genebra e a Reforma. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003. 285 p.

Durante os últimos séculos, tanto do ponto de vista teológico, como do ponto de vista literário, nenhuma pensamento contribui com igual clareza e igual força para o desenvolvimento das sociedades como o pensamento de Calvino, o qual, ao longo da história tem alcançado gerações. Nos últimos anos as “Institutas” (sua principal obra) têm sido o livro texto de muitas instituições religiosas. Varias edições latinas e francesas, e numerosas traduções em línguas estrangeiras foram dadas ao público durante sua vida e continuaram a ser após a sua morte. Nas palavras de Gouvêa, não é exagero afirmar que a historia da teologia pode ser dividida em pré-Calvinista e pós-Calvinista.

O livro “Calvino, Genebra e a Reforma” de Ronald S. Wallace é uma obra para acadêmicos e leigos que desejam conhecer a vida e a obra deste grande reformador genebrino de maneira clara e sucinta, sem que tenha que consultar ao mesmo tempo, uma biografia. A proposta principal da obra é mostrar “como o seu pensamento determinou seu objetivo e sua ação política” , a qual segundo Wallace era olhada pelo genebrino por meio das “lentes” da soberania de Deus.

Ronald S. Wallace (1911-2006), é de formação reformada calvinista. Estudou engenharia civil na Universidade de Edimburgo; depois se formou em Letras e em seguida Teologia. Enquanto ministro de São Kentigern em Lanark obteve seu Ph. D., em Edimburgo defendendo uma tese sobre a Calvino: Doutrina da Palavra e dos Sacramentos”. Wallace foi professor no Seminário Teológico Columbia, Geórgia, EUA. É autor de várias obras, entre elas “Aí vem o sonhador!”, publicada pela Editora Vida. Pastoreou na Escócia, onde viveu seus últimos dias.

Através do método dedutivo, o autor aborda o assunto proposto de forma didática e dentro de uma sequencia sistemática e lógica, trata do tema com grande clareza mostrando um vasto conhecimento do assunto e um grande poder de síntese. O autor não faz conclusões pessoais de forma sistemática ao finalizar cada capitulo, nem no final do livro. Suas conclusões estão tácitas em todo o seu texto, e revelam o calvinismo não é apenas como um conjunto de dogmas teológicos que teve influência no meio eclesiástico, mas que tem sido antes de tudo, uma cosmovisão que foi desenvolvida a partir da doutrina da soberania de Deus, e, que tem sido uma filosofia de vida que tem afetado a sociedade e os indivíduos como um todo.

A obra é divida em uma introdução e três seções com um total de dezessete capítulos, os quais trazem uma síntese de vários aspectos da vida e obra do reformador, no seu exercício ministerial na cidade, seu ofício pastoral na igreja e finalmente sua vida como teólogo acadêmico. Os dois primeiros capítulos, que é uma espécie de introdução da obra, tratam do pano de fundo histórico medieval e o chamado do reformador ao sagrado ministério e seu início. Neles Wallace mostra que Calvino viveu em um contexto extremamente humanista e esteve aberto aquilo que o humanismo tinha a oferecê-lo de bom. E que sua conversão que foi gradual teve como ponto principal o poder singular das Escrituras, que levou o doutor Calvino a se tornar um Pastor e pregador da Palavra, mesmo em meios a lutas e perseguições.

A primeira seção (dos capítulos 3 a 9), o autor fala do “Reformador e sua cidade”. Na qual o autor destaca o envolvimento crescente de Calvino com as questões seculares da cidade tendo sempre como centro o poder sacramental da Palavra de Deus. (p.35). A obra mostra também a visão de Calvino e sua época e do contexto paroquial no qual vivia, destacando o fato de que Genebra entrou para história após a influência de Calvino (p. 42). Um ponto de destaque é a luta do reformador genebrino pelo “governo espiritual” contra os “libertinos”, que viviam um evangelho secularizado, e o conselho governamental de genebra.

Outra questão levantada refere-se aos rumores, calunias e processos que ele sofreu no decorrer de sua vida. Lembrando-nos dos três casos que tiveram maior repercussão que tiveram como protagonistas Sabastian Catellio, Jerome Bolsec e Michael Servetus. Sendo que como se poderia esperar gasta mais tempo com o caso de Servetus, no qual retrada os dois lados da questão. Ele coloca os principais erros de Servetus e as razões que o levou a fogueira. O autor não dfenfe Calvino nem o acusa nas questões acima levantadas. Wallace apresenta, logo em seguida, o pensamento de Calvino sobre a economia que se baseado na ideia de que deveria doar quando se tinha. (p.84).

Um penúltimo aspecto importante desta seção refere a educação em Genebra e o pensamento de Calvino em relação as ciências naturas. A visão teológica de Calvino permeada pela soberania de Deus, fez com que ele procurasse relacionar a aplicação desta soberania às diversas atividades culturais do ser humano. “a cultura popular, em diferentes gerações, precisa ser estimulada” e guiada por uma elite cultural (...) para a expansão de novas formais culturais”. (P. 93). Calvino fez isso por meio da universidade e da igreja que eram formadoras da cultura genebrina. Seu objetivo era conduzia a cidade para uma sociedade cristã. “Sua principal preocupação em Genebra era, portanto, criar no coração da cidade uma comunidade de fiéis em Cristo, cujas formas de mútua satisfação amor e perdão iriam promover um modelo para o restante da sociedade civil”. (p. 102)

A segunda seção (capítulos 10 a 14), fala do reformador como “sacerdote e Pastor”. Nela o autor preocupa-se em analisar o reformador no âmbito eclesiástico. Ele deixar claro que apesar de Calvino se envolver com questões civis ele sempre foi, em primeiro lugar leal a igreja (p.115). Esse envolvimento se deu em todas as áreas da igreja. Calvino é uma espécie de arquiteto (em um sentido metafórico) da igreja neste período. Ele se preocupou com sua reconstrução interna, tento como principal ferramenta a pregação da Palavra, e externa por meio de uma mudança de vida na igreja que refletisse Cristo para seus contemporâneos.

Outra preocupação do pastor Calvino era com a liderança da igreja. Segundo Wallace a unidade de toda a igreja era um ponto central no pensamento de Calvino. “Quando cremos e Cristo” disse Calvino “abraçamos a unidade da igreja”. Para ele a comunhão faria as pessoas melhores. Outro aspecto pastoral destacado pelo autor e a referencia de Calvino como um “curador de almas”. Seu ministério preocupava-se com a saúde interior dos que vinham a Cristo. Para cumprir esta missão Calvino se dedicava ao cuidado pastoral por meio de aconselhamento e pregação da Palavra. Por meio da última era possível “levar a alma a completa e libertadora segurança de fé” (p. 145).

O autor destaca ainda, que aquilo que Calvino extraiu das Escrituras tornou-se um “guia para vida cristã”. Este guia baseava-se em quatro características principais, a saber: “Autonegação”, “Levar a Cruz”, “Meditação sobre a vida futura”, e “O uso e a fruição desta vida presente”. A seção termina abordando a exortação pastoral que o genebrino fazia constantemente em sua igreja para ela vivesse em vigilância e disciplina no estudo da Palavra e nas orações de modo que tivesse uma vida diante de Deus irrepreensível.

A terceira e ultima seção (capítulos 15 a 17) é dedicada a análise de Calvino como um teólogo. Wallace mostra-nos que como teólogo ele era um interprete das Escrituras. O objetivo principal de Calvino “era relatar de forma fiel e sistemática aquilo que ele próprio encontrara nelas” (p.184). Seu principal pressuposto era que a Bíblia era a Palavra de Deus infalível e a única fonte de autoridade. Além disso, ele entendia que a mensagem principal da revelação divina era o Filho encarnado, por meio do qual ela deveria ser interpretada. Por isso, a principal ocupação do teólogo e conhecer a Deus, “fé em busca do entendimento”, por meio de “uma mente piedosa”.

O autor mostra ainda que como teólogo, Calvino tinha como uma das questões centrais a cristologia. Nesta matéria o reformador seguia a ortodoxia da igreja até em tão, razão pela qual ele pouco discordava dos conceitos católicos sobre a pessoa do Redentor. Dentre os aspectos abordados por Calvino em seu arcabouço teológico estão “a pessoa de Cristo”, “a obra de Cristo”, e a “natureza e atributos de Deus”. Finalmente, ao autor mostra que a vida de Calvino foi extremamente influenciada pela sua teologia, principalmente pela doutrina da soberania de Deus, manifesta no seu ato providente de governar todas as coisas.

A leitura da obra foi bem produtiva, pois, de maneira rápida e clara foi possível conhecer os principais aspectos da vida deste grande reformador e acima de tudo suas implicações práticas do seu pensamento, na vida igreja reformada contemporânea, além disso, nos ajuda a entender o presente mundo que vivemos e evitar a repetição no futuro dos erros do passado. A grande contribuição da obra é apresentar a vida deste reformador genebrino de maneira clara e concisa, o que a torna uma grande fonte de consulta rápida. Wallace buscou a neutralidade, o que faz dessa obra algo bastante interessante. Apesar de ser reformado e Calvinista ele não nega pontos fracos, os anseios e lutas deste grande da história eclesiástica. E de igual modo não o exalta além da mediada.

Na obra fica claro o propósito era trazer de forma sintética os principais aspectos da vida e obra de João Calvino, e ele faz isso com eficiência e clareza. A obra é indicada para todos aqueles desejam ter um resumo da vida e obra deste grande reformador genebrino. Obra é uma ótima ferramenta para o entendimento da matéria. Ela também traz no final, notas que conduz o leitor aos textos escritos por Calvino e um índice de assunto o que ajuda em uma consulta rápida. Por isso, para todos estudiosos e interessados em conhecer a cosmovisão de Calvino dentro de seu contexto socioeconômico, este é um livro que não pode faltar na biblioteca.

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AQUECIMENTO GLOBAL E A BÍBLIA: O Futuro já Revelado no Passado



Todos os dias acompanhamos nos meios de comunicações as mais pessimistas notícias a respeito do futuro climático do nosso planeta. São terras que se tornam em mares, rios que se transformam em desertos, ventos que arrancam telhados, chuvas fora da estação e sol que permanece após o verão.

É preciso considerar que está confusão no relógio da natureza é fruto da irresponsabilidade do ser humano, que tomado por um egocentrismo capitalista tem poluído nosso planeta com seus gases através das chaminés industriais e descargas dos carros. E assim, entoxicando o “pulmão da nossa terra”.

Também não podemos esquecer que as conseqüências deste presente irresponsável é um futuro caótico. Os cientistas afirmam que o planeta que viverá nossos filhos, será de 3 a 5 graus centígrados mais quentes. Consequentemente ondas de calor, furacões, avanço do mar e evaporação dos rios será uma realidade.

Entretanto, quando olhamos para o mundo atual não podemos vê-lo apenas em uma perspectiva cientifica e filosófica, mas com os olhos da teologia escatológica. Por essa razão, o Aquecimento Global pode ser até remediado, mas jamais sarado. Ele é conseqüência do pecado original e atual do ser humano. E já havia sido revelado por Jesus no seu sermão escatológico e também por João no livro de Apocalipse.

Sendo assim, essas contorções não devem ser vistas apenas como fenômenos naturais, mas como sinais do juízo Soberano de Deus. Logo, a solução do problema não está no protocolo de Kioto ou em qualquer ação governamental e sim na volta da humanidade caída para Deus. Somente voltando para os princípios e valores do Criador, a humanidade desfrutará de uma natureza com relógio ajustado.


Jailson Jesus dos Santos
www.JAILSONIPB.blogspot.com

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Teologia dos reformadores.

GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. Tradução de Gérson Dudus, Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 2006.

Conclusão pessoal


Em todas as eras os crentes foram chamados a expressar a sua fé e responder as questões do espírito da sua época. Os cristãos Judeus do primeiro século tiveram que responder como deveria ser o relacionamento da antiga aliança e a nova aliança em Cristo. A comunidade cristã do final do século primeiro teve que ter uma resposta de como deveria ser o relacionamento com filosofia gnóstica. Os reformadores tiveram que dá uma resposta aos desvios da Igreja no século XV, e dizer como deveria ser seu relacionamento entre a verdade bíblia e as práticas pagãs.

Timothy George [1] em “Teologia dos reformadores”, nos mostra quais foram os princípios teológicos que fundamentaram esta resposta. A proposta de George é abordar as discussões doutrinárias do século XVI, que marcaram a história do cristianismo. [2] Segundo ele seu “interesse na teologia dos reformadores não é nem um interesse por antigualhas, nem obscurantista. Teologia histórica é o estudo daquilo em que ‘a igreja de Jesus Cristo crê, [o que] confessa e ensina com base na Palavra de Deus’”. [3]

O livro tem seu teor apresentado a partir de quatro nomes importantes da reforma, que são divididos em dois grupos. Os da primeira geração: Matinho Lutero e Ulrich Zuínglio; e os da segunda geração: João Calvino e Menno Simons. Os quais ele diz ser “tanto nossos pais na fé quanto nossos irmãos na comunidade dos fiéis”.[4]

George analisa cada um dos reformadores dentro de seu contexto social, econômico e político. Ele mostra que, de maneira geral que os dias pré-reforma eram caracterizados por violência e intolerância. E que, além disso, no período da denominada Baixa Idade Média, véspera da Reforma, a realidade da morte era algo muito marcante e que consequentemente, tudo o que podia assegurar uma boa vida com Deus era bem enfatizado: indulgências, peregrinações, relíquias, rezas repetidas. E segundo ele tudo isto foi preparando o caminho para a Reforma.

Outro aspecto importante levantado pelo autor é que antes mesmo da Reforma propriamente dita, outras coisas aconteceram como buscas pela verdadeira igreja. Houve o Curialismo e o Conciliarismo e também os pré-reformadores João Wycliffe e de João Hus que não se aproximaram tanto das doutrinas dos reformadores, mas as contribuições eclesiológicas e a ênfase nas Escrituras foram elementos importantes para a Reforma.

Uma das teses fundamentais do autor é que a reforma foi uma voltar à Bíblia e à igreja primitiva a fim de abordar a crise espiritual de seus dias. Ela não foi uma revolta ou rebelião contra a igreja, mas a volta aos seus princípios anteriores. O D. Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, é olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecida”.[5] (Grifo meu).

Por outro lado ele mostra que os reformadores não repetiram simplesmente os dogmas clássicos do período patrístico. Eles consideraram necessário estendê-los e aplicá-los ao âmbito da soteriologia e da eclesiologia de sua época. Eles estavam mais preocupados com a obra de Cristo do que com a pessoa de Cristo. “As doutrinas reformadas da justificação e da eleição não apenas são inconcebíveis à parte da base do consenso trinitário e cristológico, próprio da igreja primitiva, mas também constituem o resultado e a aplicação necessários de tal consenso”.[6] Diz ele.

George buscou a neutralidade, o que faz dessa obra algo bastante interessante. Apesar de ser reformado ele não nega os erros dos pensadores reformados. Ele mostra os pontos fracos, os anseios e lutas destes grandes homens da história eclesiástica. O livro não se propõe em analisar cegamente os quatros personagens. Também cada reformador que é tratado de forma especial. O livro também nos faz pensar sobre as diferenças doutrinárias entre os reformadores. Suas convergências e divergências são tratadas de forma clara e honesta. De modo que podemos aprender até mesmo com os erros de cada um deles.

Finalmente o autor leva-nos a pensar em algumas questões. Em primeiro lugar, repensar influência e importância da reforma na formação das grandes culturas. A reforma foi além das fronteiras eclesiásticas. Sua transformação foi global. Segundo Clouse não há como a igreja viver no mundo sem que ela seja influênciada por ele, ou o enfluencie. Isso alerta-nos para o fato que, a única maneira de mudarmos o epírito da nossa época é exercendo uma forte influência através da proclamação entendível da Palavra de Deus e uma manisfestação visivel da mesma na vida de quem a proclama, como fezeram os reformados. Todavia, isso só será possivel, assim como foi para os reformados, comprendermos o espírito da nossa época e a cultura que vivemos. Somente assim poderemos proclamar o evangelho bíblico com fi­delidade e sensibilidade. O que não é apenas uma opção, mas necessidade vital.[7]

Em segundo lugar, que a fé reformada preocupava-se com o todo da vida, não simplesmente com o âmbito religioso ou espiritual. Isso era verdade porque o Deus soberano da Reforma estava interessado no ser humano inteiro, corpo, alma, mente, instintos, relações sociais e adesões políticas. É preciso resgatar um principio da reforma que tem sido esquecido ao longo dos séculos, a saber: o evangelho traz transformação integral para o homem. É Preciso voltar a ver o ser humano não apenas como uma alma a ser conquistada para o Reino de Cristo. Deve ser uma prática cotidiana da igreja se preocupar com o meio ambiente em que este ser vive, com seus relacionamentos, com sua presença neste mundo, ou seja, com sua vida como um todo.

Terceiro lugar, devemos conclama a igreja a analisar e reavivar o legado deixado pelos reformados. Este exemplo passado da presença da igreja no mundo em sua totalidade (exemplo que havemos desejado restabelecer tão fiel­mente quanto possível) ajudar os cristãos na busca de uma verdade que os libertará da mortal incompatibilidade das ideologias contemporâ­neas, no redescobrir o realismo de uma teologia bíblica a encarnar-se nos fatos novos de nosso tempo, dando-nos a condição de respondermos as questões contemporâneas.[8]


[1] Timothy George é Bacharel em Artes (A.B.) pela Universidade de Tennessee, Mestre em Teologia (M.Div.) pela Harvard Divinity School e Doutor em Teologia (Th.D.) pela Harvard University. Ele é diretor-fundador e professor da Beeson Divinity School desde 1988, ano em que o livro Teologia dos Reformadores foi lançado em inglês pela Broadman Press. Timothy George é professor de História da Igreja, Teologia Histórica e Teologia dos Reformadores. Atualmente George também é editor-executivo da Christianity Today e participa do conselho editorial da The Harvard Teological Review, da Christian History e da Books & Culture. Serviu também no conselho de diretores da Lifeway da Convenção Batista do Sul. Já escreveu mais de vinte livros e escreve artigos regularmente para revistas teológicas. Teologia dos Reformadores é seu principal livro.

Cf.: dados disponíveis em/: <http://ibadonai.blogspot.com/2008/07/teologia-dos-reformadores.html> Acessado em 04 de novembro de 2009.

[2] GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. Tradução de Gérson Dudus, Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 2006. P. 14

[3] Ibid e idem p. 22

[4] Idem

[5] Lloyd-Jones apud Neto. NETO, F. Solano Portela. A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje. Fides Reformata. v.2, n.2. jul/dez, 1997. p.29.

[6] GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. Tradução de Gérson Dudus, Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 2006. P. 305

[7] “A igreja no crepúsculo do Ocidente” in: CLOUSE, Robert G., Pierard, Richard V., Yamauchi, Edwin M.. Dois Reinos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. (pp. 495-517).

[8] Ver: BIÉLER, André. A Força Oculta dos Protestantes. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, (Prefácio e Introdução – pags. 17-49).

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Gerhard von Rad (1901-1971)

Teólogo alemão, Dr. Gerhard von Rad (1901-1971) nasceu em uma família nobre de médicos. Estudou teologia em Tübingen e Erlangen. Atuou brevemente como um pastor antes de preparar-se para ensinar Antigo Testamento. Em Leipzig, lecionou de 1930 a 1934. Durante estes anos, ele ganhou competência em arqueologia e escreveu vários ensaios importantes. Em 1934 mudou-se para Jena, onde ele estudou e escreveu sobre o estudo da forma-crítica e problema da Hexateuco, e um primoroso estudo literário do início da historiografia do antigo Israel, bem como livros populares, tais como “Moisés e O Velho Testamento”, “A Palavra de Deus para os alemães”. Além disso, começou o seu comentário sobre Gênesis.

Em 1945 passou por momentos difíceis por ser prisioneiro de guerra. Após a sua libertação, ele ensinou brevemente em Bethel, Bonn, Erlangen, antes de passar para Göttingen Heidelberg em 1949. Desde então e até a sua aposentadoria em 1967, ele permaneceu em Heidelberg. Durante estes anos, ele publicou sua influente obra “Teologia do Antigo Testamento” em dois volumes, além de monografias e artigos. Von Rad morreu em 31 de outubro de 1971. [1]

Gerhard Von Rad esforçou-se por direcionar a teologia do AT. Cria firmemente que o AT narra repetidas vezes os atos salvadores de Deus na história. Defende a idéia que os intérpretes devem considerar as confissões de Israel a respeito de Deus pregações, não especificamente história. Ressalta a unidade textual e a ligação do AT com o NT. A verdadeira força de sua obra é a ênfase na mensagem veterotestamentária de que Deus agiu graciosamente a favor de Israel. Sua contribuição está presente ao defender a validade do AT para a igreja em cada geração, e na riqueza de suas afirmações sobre o valor da pregação de Israel e suas tradições perenes. [2]



[1] Dados biográficos disponíveis em: <http://www.answers.com/topic/gerhard-von-rad> Acessado em: 06 de Junho de 2009.

[2] HOUSE, Paul R. Teologia do Antigo Testamento. Trad. Marcio Redondo e Sueli Saraiva. São Paulo: Vida Acadêmica, 2005.p. 43, 44.

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Calvinismo como uma força cultural

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