Pr. Jailson Santos

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III – VIDA ABUNDANTE DE ORAÇÃO

Não há como falarmos de avivamento sem falar de vida abundante de Oração, pois se lermos a Bíblia e a História da Igreja veremos que todo avivamento é precedido de Oração. “As chuvas torrenciais do Espírito não caem sem que os joelhos se dobrem” (Lopes, 1994, p.53). Isso, porque, sempre que há avivamento e atos sobrenaturais de Deus, há um ato natural da Igreja, chamado Oração.
E, para entendermos isso, é só lermos o livro de Atos apóstolos que veremos que por traz do grande avivamento e dos atos sobrenaturais que aconteceram na Igreja primitiva havia um ato natural chamado oração. Jonathan Edwards, o clássico teólogo do avivamento entendendo esta verdade disse que: “Quando Deus tem algo muito grande para realizar em favor da Igreja, o desejo dele é que esse ato seja precedido de orações extraordinárias do seu povo” (Lopes, 1994, p.53). Ele mesmo, antes de pregar o seu famoso sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, passou horas na presença do Senhor. E quando pregou, suas ovelhas viram-se em um estado de agonia e temor, tamanha era a unção das palavras que saíam dos seus lábios.
Não estou dizendo que Deus dependa de nós ou das nossas orações para agir de forma sobrenatural no meio de seu povo. Já dissemos que Ele é soberano e único Autor do avivamento, e quem age em nós para cumprir os seus propósitos. O que quero dizer é que jamais trilharemos o caminho do avivamento a não ser de joelhos e em Oração. O próprio Deus disse isso: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cr 7:14) Deus não sarará a nossa terra e nós não desfrutaremos do bálsamo de Gileade, sem que primeiro nos humilhemos, oremos e busquemos a face do Senhor.
Por isso, não há avivamento sem vida abundante de oração. Jamais desfrutaremos das chuvas torrenciais do Espírito enquanto, à semelhança de Esdras, não rasgarmos as nossas vestes em sinal de humilhação e de joelhos clamarmos a nosso Deus, pelo nosso povo (Esdras 9:5-15).
Jamais desfrutaremos da presença do Senhor enquanto, à semelhança de Neemias, não chorarmos, lamentarmos e orarmos, dias e mais dias, ao Deus dos Céus (Neemias 1:4). Jamais teremos uma Igreja Santa e Viva enquanto à semelhança do profeta Habacuque, não nos alarmarmos com as declarações do Senhor e clamarmos: “aviva a tua obra ó Senhor,...” (Hc. 3:2). Jamais desfrutaremos das maravilhas do Senhor, enquanto não preservarmos diariamente unânimes no templo do Senhor (Atos 2: 42,46). Jamais nos deleitaremos do avivamento do céu, enquanto a oração não for prioridade na vida e na agenda da Igreja, aqui na terra!
O Dr. Chapman, entendendo esta verdade, diz: “Os avivamentos nascem na Oração. Noites inteiras de oração, sempre foram seguidas de dias inteiros de conquista de almas” (Chapman apud Allem, 1958, p. 67).
“Martinho Lutero não estava satisfeito com a religiosidade de seu tempo. Sentia uma profunda necessidade de maior espiritualidade, e isso o levou a passar mais tempo em oração quando era professor de Teologia na Universidade de Wittemberg. Certo dia, no final de 1512, ele se trancou numa sala da torre do Mosteiro Negro e ficou a orar sobre as verdades que estava descobrindo na Bíblia. E foi após esse período de oração e estudo Bíblico, que surgiu a Reforma” (Cho, 1986, p.10).
Em 1904, o avivamento no país de Gales começou em uma reunião de oração, liderada por Evans Roberts, na pequena cidade de Lagour. Poucos meses depois, o Espírito de Deus varreu o país. No dizer do Dr. Hernandes: “Deus fez maravilhas porque o povo se curvou em oração” (Lopes, 1994, p. 61).
Não foi diferente com o grande missionário David Brainerd: após dias e noites de oração, agonia e suor nas frias selvas americanas, experimentou com abundância do derramamento do Espírito Santo sobre os índios pele-vermelhas. Jonathan Edwards que conheceu David Brainerd de perto e testemunhou o avanço de sua tuberculose a consumir o organismo de Brainerd (enquanto Jerusa, a filha dele e noiva de Brainerd choravam) a seu respeito, mais tarde, escreveu: “Dou graças a Deus porque, pela sua providência, Brainerd morreu em minha casa, pois assim pude ouvir suas orações, presenciar sua dedicação, e me sentir edificado pelo exemplo dele” (Edwards apud Ravenhill, 1989, p.79).
Certa vez, em uma convenção de sua Igreja na Inglaterra, Wesley perguntou: “O que poderemos fazer para reavivar a obra do Senhor, nos locais onde ele está em declínio?”. Em seguida, o próprio renomado evangelista respondeu sua própria pergunta dizendo: “Todos os pregadores devem ler atentamente a biografia de David Brainerd” (Wesley apud Ravenhill, 1989, p.79).
Homens como Payson, Robert Muray, William Carey, Jonallan Edwards e outros que leram a História de Brainend foram ricamente inspirados pelo seu grande exemplo, o qual embora estando doente, orava abundantemente e com grande fervor. Continuaríamos a descorrer toda a História dos Avivamentos veríamos que todo “avivamento sempre começa em resposta às fervorosas e eficazes orações dos crentes espiritualmente avivados” (Allem, 1958, p.75).
Os homens que foram usados por Deus nos grandes avivamentos da História, foram homens de vida abundante de oração.
George Fox nasceu em 1624. Participou do avivamento na Inglaterra e declarou que o Senhor lhe dissera: “Se apenas um homem ou mulher se decidisse, pelo seu poder, apresentar-se e vivesse no mesmo espírito dos apóstolos e profetas, ele ou ela abalaria o país inteiro, num raio de dez milhas em volta do mesmo” (Fox apud Allen, 1958, p.28). Sobre George Fox, Willian Penn escreveu: “Ele possui um extraordinário talento ao manusear as Escrituras. Mas acima de tudo, era poderoso na Oração” (Penn apud Allen, 1958, p.28).
Richard Baxter foi um grande teólogo e um verdadeiro avivalista. Dizem que: “as paredes do seu gabinete eram manchadas pelo bafo de suas orações. Por meio dele, Deus fez grande obra em Kidderminster” (Allen, 1958, p.27). O mesmo acontecia nas paredes do quarto de John Flelcher. Jonatas Goforth, missionário chinês, em 1901, começou sentir-se insatisfeito com o resultado do seu trabalho e isso o levou a estudar a história dos avivamentos “e ficou tal obcecado pelo assunto, e gastou tanto tempo em oração, que sua esposa começou a pensar que sua mente não suportaria” (Allen, 1958, p.63).
Charles Haddon Spurgeon um dos maiores pregadores que o mundo já viu, conhecido como “O Príncipe dos Pregadores”, em uma autobiografia, revelou o segredo do seu ministério; diz ele: “Quando cheguei à capela da rua de New Park, era apenas um grupinho de gente a quem primeiro pregava; mas não posso esquecer jamais o fervor com que eles oravam” (Spurgeon apud Allen, 1958, p.55).
O arcebispo Heighton orava tanto que parecia viver ininterrupta meditação; Joseph Aleine levantava-se as quatro e orava até às oito horas. Somos informados de que o sol nunca surgia no horizonte, na China, sem que Hudson Taylor não tivesse de joelhos. E essa foi à razão pela qual foi ricamente abençoado por Deus, no interior da China. E, assim, acontecia com todos os homens que foram usados por Deus nos grandes avivamentos. Só teremos um despertar do Senhor, se restaurarmos o altar de oração que se encontra em grandes ruínas. Por isso, é tempo de orarmos para o Senhor nos despertar a oração!
Hoje, a ênfase está na contribuição e não na oração. “As Igrejas estão mais interessadas em instalar seus aparelhos de ar condicionado, do que condicionar para orar” (Ravenhill, 1989, p.94). Vivemos em tempos em que os crentes andam ocupados demais para orar. Não há tempo para reuniões de oração. Todavia, há tempo para as reuniões entre amigos, para reuniões entre familiares, para reuniões dos esportistas, para reuniões nas praças de alimentação dos shoppings. Porém, convidados a orar dizem: “Estou ocupado demais para orar”.E isso não tem acontecido somente com os membros, mas também com os líderes. Pastores, que não passam quinze minutos em oração secreta; são homens que gastam horas e horas preparando sermões, mas não gastam minutos preparando o coração. Oswald Smith sobre isso escreveu: “Meu amigo, não trata tanto de encontrarmos tempo, e, sim, de criarmos tempo” (Smith, 1996, p.33).
Certa vez, conversando com um líder da Igreja lhe perguntei: Você ora antes de pregar? Ele tranquilamente me respondeu: “Sim, eu oro. Toda vez que penteando meu cabelo antes de ir para pregar na Igreja, peço a Deus que abençoe o culto e o sermão”. Passam horas preparando-se para serem eruditos, mas apenas segundos para serem pregadores. Essa é a razão pela qual temos muita erudição, mas pouca unção. Muitas mentes brilhantes, mas poucos corações ungidos. Grandes sermões, mas pequenas transformações. Sermões pregados a mentes que jamais descem aos corações. Não há unção nos púlpitos, por isso não há ação nos bancos. E M. Bounds diz: “Homens mortos pregam sermões mortos, e sermões mortos matam” (Bounds apud Lopes, 2002, p.38). Sem oração não há vida e sem vida não há cristianismo, pois servimos ao Cristo Vivo!
O que nossas Igrejas precisam não é de novos métodos, novos mecanismos, mas, sim, velhas práticas e a principal delas é a prática da oração. A oração deve ser algo primordial na agenda da Igreja. Em Seul, na Coréia do Sul, as reuniões de oração diárias e de madrugada são lotadas. Enquanto muitos se levantam de madrugada para cuidar de seus interesses e ganhar dinheiro, eles se levantam para ganhar almas. “O seminarista que faltar a duas reuniões de oração de madrugada durante o ano, não serve para ser pastor” (Lopes, 2002, p. 50). Para eles Deus e a oração são prioridades na vida da Igreja.
John Piper comenta sobre a Igreja Coreana e diz:

“Nos últimos anos do século vinte, Jejum e Oração têm quase se tornado sinônimo das Igrejas da Coréia do Sul. E há uma boa razão para isto. A primeira Igreja Protestante foi plantada na Coréia em 1884. Cem anos depois havia trinta mil Igrejas na Coréia. Uma média de trezentas novas Igrejas foram plantadas a cada ano, nestes cem anos. No final do século vinte, os evangélicos já representam cerca de trinta por cento da população. Deus tem usado muitos meios para realizar essa grande obra. Entrementes, os meios mais usados por Deus têm sido a Oração e o Jejum” (Piper apud Lopes, 2002, p. 51).

“O pleno avivamento tarda”, porque a oração tem sido algo desprezível no meio de nossas Igrejas e o jejum algo tido como arcaico. Não oramos nem jejuamos, porque não temos fome por Deus.
John Piper sintetiza esta realidade assim: “Quanto mais profundamente você anda com Cristo, mais faminto você se torna dEle ...” (Piper apud Lopes,2002, p.56). Nos alimentamos do pão da terra, mas não saboreamos do Pão do Céu. Nossos estômagos andam cheios de iguarias, porém nossas vidas, vazias de Deus. Não somos famintos por Deus, por isso não andamos com Ele. Se quisermos desfrutar do avivamento do céu, é mister uma vida abundante de oração, aqui na terra. Precisamos orar para Deus nos despertar para orar. Jamais teremos “Tempos de refrigério na presença do Senhor”, sem que estes sejam precedidos por tempos de agonia, humilhação e súplica na presença do Senhor.
Que nossa oração seja como a do profeta Habacuque: “Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hc. 3.2).
Que Deus por sua Graça e Misericórdia avive Sua obra em nossas vidas.

Um comentário:

  1. Irmão, gostaria de uma cópia deste artigo sobre oração e avivamento. Percebi que não dá para copiar. Mas achei fantástico. Muito importante. Teria como você me enviar: Harold Walker, walkharold@gmail.com

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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