Pr. Jailson Santos

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V – LONGE DO PECADO, PERTO DE DEUS.

Como já vimos, o grande obstáculo de avivamento é o pecado. Nada nos separa de Deus, senão o pecado. Por isso, a igreja jamais será avivada, se primeiro não for santificada. Deus não derrama das torrentes do seu Espírito em vasos que não estejam limpos e puros. Ao lermos a História Bíblica, vemos que Deus só refez a aliança com seu povo, quando esse se divorciou do pecado. A principal mensagem não é outra senão “santificai-vos porque amanhã Deus fará maravilhas entre vós!” (cf. Js 7.10-15).
A santidade é o caminho da comunhão com Deus; por isso é o caminho do avivamento. O Espírito Santo sempre é derramado sobre homens santos. No tempo de Ezequias, só houve tempos de “grandes alegrias em Jerusalém”, quando toda congregação de Israel se santificou e consagrou sua vida inteiramente ao Senhor (cf. 2Cr 30.13-26).
A chuva torrencial do Espírito só foi derramada sobre o povo de Israel, no tempo de Esdras e Neemias, quando este se divorciou do pecado, e em santidade de vida restabeleceu sua aliança com o Senhor.
Em Joel 2.28 a, o profeta diz: “E, depois disso derramarei do meu Espírito sobre todos os povos”. O derramamento do Espírito não vem antes, mas depois. Entretanto, depois do quê? Os versículos anteriores nos respondem a esta pergunta, quando o profeta diz: “Rasgai o vosso coração, e não as vossa vestes e convertei-vos ao Senhor nosso Deus [...] tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembléia solene. Congregai o povo, santificai a congregação...” (cf. Jl 2.13-16). O derramamento do Espírito Santo não acontece antes; mas depois; só depois que seu povo arrepende-se do pecado e com vestes santas volta-se para o Senhor.
Só depois que a igreja seguir rumo à santificação, receberá de Deus a unção. Orar por avivamento sem querer ter vida santa é ofender a santidade de Deus.
Se lermos, atentamente, a historia dos avivamentos, veremos que o Espírito Santo foi sempre derramado sobre vasos santos. Os grandes homens usados por Deus nos avivamentos foram homens piedosos, consagrados e santos. Martinho Lutero, mesmo quando monge era um exemplo de piedade para todos e não encontrava descanso para sua alma que aborrecia o pecado. E esse santo homem de Deus foi usado por Deus para abalar a Igreja e o mundo!
Sobre o grande avivalista Savanarola, que foi usado por Deus para incendiar a cidade de Florença, no século XV, Fischer escreve: “O mundo dos prazeres e do pecado nunca se constituiu atração para Savanarola, mesmo em sua juventude” (Fischer, 1961, p.77). Este jovem solitário passava horas na presença do Senhor orando: “Senhor, faze-me conhecer o caminho que minha alma deve trilhar” (Savanarola apud Fischer, 1961, p.77). Este santo homem de Deus foi mártir por não abrir mão de uma vida de piedade, por não negociar o inegociável que era sua vida santa diante de Deus; e quando a corda foi posta ao redor do seu pescoço, suas últimas palavras foram: “O Senhor sofreu tanto quanto isto por mim” (Savanarola apud Fischer, 1961, p.82). Homens santos sempre foram usados pelo Espírito Santo.
O D. M. Loyd-Jones, comentando sobre o pequeno movimento, que começou em Oxford, conhecido como o “Clube dos Santos”, e alcançou o mundo, escreve:
“Que aconteceu com eles? O que aconteceu com os irmãos Wesley, com Whitefielde e os outros que se reuniram com eles? Foi apenas isto – eles disseram: ‘sim, a igreja Cristã ainda é a Igreja Cristã, todavia ela é muito indigna e pecaminosa. A pessoa não está prestando atenção aos mandamentos de Deus e a vida como é apresentada no Novo Testamento. Isto está errado, precisamos nos dedicar à santidade, precisamos nos purificar’. Eles talvez tenham ido longe demais, tornado-se um pouco legalistas, todavia estabeleceram regras e regulamento a respeito de como deviam viver. Por isso foram chamados metodistas. Disseram: ‘Devemos reunir para estudar as Escrituras juntos, precisamos orar juntos, e devíamos viver de forma metódica em todas as coisas. Metodistas! Sim, no entanto, o que estavam buscando era santidade” (Lloyd-Jones, 1993, p. 73).

Em todos os avivamentos, Deus sempre usou homens em que a primeira preocupação é ser santo como Ele o é. Homens que queiram morrer totalmente para o pecado e viver vida santa, totalmente devota a Ele.
O grande avivalista David Brainerd escreveu em seu diário:
“Meus desejos parecem ser especialmente no sentido de me alongar do mundo, e de morrer inteiramente para ele, e de ser crucificado para suas atrações [...] Oh! Quanto desejo a santidade! Quanto quero mais de Deus em minha alma! Oh! Esta dor agradável! Ela faz com que minha alma anseie ainda mais por Deus” (Brainerd apud Smith, 1961, p.40,45).

Schalkewijk sobre isso disse: “O fato é que o avivamento real procura maior santificação em todos os setores da vida, começando pelo individual. Faltando essa característica essencial, o avivamento não passa de emoção litúrgica” (Sachalkewijk, 1997, p.67).
Não temos uma igreja viva, porque não morrermos totalmente para o pecado. Não temos a plenitude do Espírito Santo, porque não somos santos. Não temos unção porque nos falta comunhão com o Deus da unção. Lemos e relemos o livro de Atos, mas não temos os atos dos apóstolos.
O grande pregador e escritor Ravenhill disse que “a maior vergonha dos nossos dias é que a santidade que apregoamos é anulada pela impiedade do nosso viver”. Há uma dicotomia entre o que a igreja prega e o que a igreja vive. Muitos crentes não vivem o que pregam e nem pregam o que vive.
O Dr. Hernandes Dias Lopes, quando conheceu os crente de Kwa Sizabantu, na África do Sul, ouviu deles próprios: “Aqui vive-se o que se prega e prega-se o que se vive” (Lopes, 1994, p.71). Infelizmente em nossas igrejas muitos crentes pregam cenas diante do povo, que não vivem na vida real diante de Deus; têm forma de piedade, mas conteúdo de ímpio; são como Naamã, bem vestidos e heróis, por fora, mas leprosos por dentro. O grande problema dos nossos dias é que a Igreja tem o rótulo do cristianismo, mas pouco conteúdo de Cristo. Estão perto da igreja de Cristo, mas longe da vida de Cristo.
O professor Hugh Black, no seu “Serviço de amor de Cristo”, diz:’ “Uma jovem judia, que é agora Cristã, pediu a certo senhor que lhe havia dado instruções a respeito do Evangelho, que lesse com ela a história. Porque, disse ela, tenho lido os Evangelhos e estou perplexa. Quero saber quando os cristãos deixaram de ser tão diferentes de Cristo” (Black apud Fischer, 1961, p.27).
A igreja tem a cruz na torre, mas não tem Cristo na vida. Temos a cruz no peito, mas não temos Cristo em nosso coração. Vivemos como cristãos, mas não vivemos como Cristo.
Quando certos evangelistas da Índia foram evangelizar o grande líder indiano Mahatma Gandhi, ouviram dele as seguintes palavras: “No vosso Cristo eu creio eu só não creio é no vosso Cristianismo” (Gandhi apud Lopes, 1994, p.73-74).
O apóstolo João escreveu que “aquele que diz que permanece nele [em Cristo], esse deve também andar assim como ele andou” (I Jo 2.16). A necessidade de nossos dias não é somente ganhar adeptos para Cristo, mas vivermos como adeptos de Cristo. Não é de vivermos dentro do Cristianismo, porem vivermos como Cristo. Não é de miraculosas manifestações do Espírito Santo, mas de um viver santo.
Vivemos em dias em que se busca mais a bênção de Deus, do que o Deus da benção. Busca-se mais o que traz felicidade, que santidade. Mais o que traz prosperidade, do que santidade. O evangelho tem cada vez se barateando; a ponto de vivermos em uma época de evangelho “light”; talvez essa seja a razão pela qual estamos vazios e magros de Deus, e gordos de pecado.
A igreja não precisa ser como o mundo para ganhar o mundo. O Senhor Jesus disse que a igreja deve estar no mundo, porém ela não é do mundo (cf. Jo.17.14-16).O navio foi feito para andar nas águas, mas se as águas entram no navio há um naufrágio e tudo está perdido. A igreja foi feita para estar no mundo, mais se o mundo entrar na igreja tudo está perdido. Se quisermos um avivamento, precisamos de uma Igreja santa, em um mundo profano. A santidade é o caminho da intimidade com Deus e da plenitude do seu Espírito; por isso é o caminho do avivamento.
João Batista exprimiu esta idéia em Lucas 3. 4-6. Quando nos desafio dizendo: “preparai o Caminho do Senhor”. Devemos ser um meio de acesso a Cristo, através do qual ele possa revelar-se. Temos que ser ponte de passagem para Cristo, e não abismo que impede as pessoas de vê-lo.
O que significa “preparar o caminho do Senhor?”. Aqui temos de forma implícita o roteiro e o preço do avivamento.
Se quisermos que Deus se manifeste, precisamos endireitar o caminho. Endireitar significa “retirar os obstáculos”. Se quisermos avivamento, é preciso retirar as pedras e tocos que há no caminho. O arado de Deus não passará sobre nosso lote, plantando as sementes do avivamento, sem que o terreno esteja plano. Enquanto o caminho estiver tortuoso e não for endireitado, não haverá como a esperança do Senhor se manifestar.
Precisamos ainda aplanar os caminhos escabrosos. A palavra “escabroso” significa “tomar as camadas descontínuas” ou pô-los “fora do lugar”. O Dr. Hernandes diz que se queremos um avivamento, precisamos aplanar a nossa vida e colocá-la no devido lugar. Muitos crentes acham-se fora do lugar, fora do centro da vontade Deus. Como Jonas, tentam fugir de Deus.Como Adão, tentam esconder-se de Deus. Como Ananias, mentem para Deus. Como Acã, escondem seus pecados. Como Sansão, envolvem-se emocional e sentimentalmente fora de vontade Deus. Como Esaú, são impuros e profanos.Tais crentes não estão no devido lugar, e por isso são obstáculos à chegada do avivamento. (Lopes, 1994)
Quando a igreja se santifica e prepara o Caminho do Senhor, Deus se manifesta; quando ele se revela, toda carne vê a Salvação de Deus! Que sejamos a igreja santa e viva do Deus vivo!

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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