Pr. Jailson Santos

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Resenha
Sem. Jailson Jesus dos Santos

G. Fee, D. Stuart, Entendes o que lês? (São Paulo: Vida Nova, 1984)

A quantidade de livros sobre como entender a Bíblia é variada, tanto no que diz respeito ao seu número e métodos neles sugeridos, quanto no que diz respeito à abordagem teológica neles apresentadas. Alguns são direcionados mais para os acadêmicos dão mais ênfase aos métodos que se pode empregar ao estudar as Escrituras. Outros voltados para os leigos procuram ser um manual básico de hermenêutica.   O livro “Entendes o que lês?” é uma síntese dos dois pensamentos supra colocados. Os autores abordam o assunto de uma maneira que alcança tanto os eruditos como os leigos, pois, com uma junção de profundidade e simplicidades Fee e Stuart trazem uma visão clara de como devemos estudar e interpretar as Escrituras.

O Dr. Donald Gordon Fee e o Dr. Douglas K. Stuart  são duas autoridades na área de Hermenêutica. O primeiro é um ministro ordenado das Assembléias de Deus (AG), e um dos principais especialistas em pneumatologiacrítica textual do Novo Testamento e também é autor, co-autor e editor de vários livros na área de comentário bíblico e exegese. Além disso, Dr. Fee é membro da CBT (Comissão de Tradução Bíblica), que traduziu e revisou a Nova Versão Internacional (NIV).

 O segundo leciona no Seminário Teológico Gordon-Conwell e como professor é conhecido por sua perícia em seu campo de estudo, jovial e sua maneira de ensinar. Apesar de ter sua orientação inicial arminiana, Dr. Stuart ensina em instituições Calvinistas, e, é autor e co-autor de vários livros na área de hermenêutica e exegese, dentre eles “como estudar a Bíblia”. “Exegese Antigo Testamento: Uma Cartilha de estudos para estudantes e Pastores; Oséias-Jonas”. Sendo que alguns destes já foram traduzidos para a nossa língua. Além disso, seus artigos têm aparecido em publicações, tais como Christianity today, e outras revistas nas áreas cristã e teológica.

Os autores expõem os mais importantes princípios para o intérprete entender melhor as Escrituras e conseqüentemente aplicá-la em sua vida. De início os autores fazem uma clara distinção entre exegese e hermenêutica bíblica. Para eles, a primeira se refere ao sentido do texto para os leitores originais. A segunda, por sua vez, busca a aplicação das passagens para o dia de hoje. A primeira é o que o texto significava “lá e então”, a segunda como ele deve ser entendida e aplicada “aqui e agora”.  Segundo eles, ainda a mesma mensagem dita aos leitores originais são relevantes para nós do aqui e agora.
Uma segunda tese que os autores ensinam é que apesar da Bíblia ser uma em sua essência e mensagem, ela é composta por diversos tipos diferentes de literatura, e cada uma delas demanda focos diferentes de interpretação. Nela se encontra narrativas, os evangelhos, as parábolas as leis morais, cerimônias e civis, a literatura profética, as sapienciais, os cânticos, as orações, biografias, e o apocalíptico. No qual cada um desses gêneros tem suas próprias características com suas próprias dificuldades.
Fee e Stuart introduz o livro falando sobre a necessidade de se aprender a interpretar a Bíblia. Para eles, a interpretação se faz necessária por duas razões. A primeira é que todo leitor é ao mesmo tempo um intérprete, pois, toda a leitura passa pelo entendimento, e esse deve ser correto em relação às Escrituras. A segunda razão da necessidade da interpretação Bíblica é a natureza das Escrituras. Ela é ao mesmo tempo humana e divina, é a Palavra de Deus dada aos homens em um contexto histórico e literário específico, e essa natureza dupla das Escrituras exige de nós a tarefa da interpretação, pela qual através da exegese dizemos o que o autor disse “lá e então”, e através da hermenêutica como ele deve ser entendido e aplicado “aqui e agora”.  
No capítulo seguinte o autor aborda literatura epistolar, e destaca que elas não são tão fáceis de entender como parece, pois, apesar de terem o formato básico das cartas da época, são diferentes em alguns aspectos. Em seguida, aborda a natureza das epístolas, e lembra que “é necessário notar que as próprias epístolas não são uma coletânea homogênea” (p. 30), pois tratam de assuntos diferentes e foram enviadas para grupos específicos diferentes, o que traz a necessidade do intérprete entender o contexto histórico que envolve, o autor, a data, ocasião e o destinatário da carta a ser estudada. Segundo os autores “a primeira coisa que devemos procurar fazer com qualquer Epístola é formar uma reconstrução tentativa, porém bem fundamentada, da situação para o qual o autor está falando” (p.33). Para fazer essa reconstrução do cenário, que dará ao intérprete uma visão panorâmica da carta, é necessário consultar dicionários bíblicos ou livros de introdução e comentários, bem como desenvolver o hábito de ler toda a carta do começo ao fim, em uma sentada. O segundo passo no estudo das Epístolas é entender o contexto literário da carta. Para isso é necessário seguir os argumentos do autor em resposta aos problemas dos leitores originais. Por fim, o autor mostra algumas diretrizes para interpretar passagens problemáticas.
No terceiro capítulo, o autor continua no gênero Epistolar, porém desta feita aborda as questões hermenêuticas, e busca a resposta da seguinte questão: “o que estes textos significam para nós?” E propõe duas regras para responder esta questão. A primeira é “que um texto não pode significar aquilo que nunca poderia ter significado para o seu autor e para os seus leitores” (p.48). A segunda e que “sempre quando compartilhamos as circunstâncias comparáveis [...] a Palavra de Deus para nós é a mesma que sua Palavra para eles”.  (p. 49). Na seqüência discorrem sobre o problema de estendermos a aplicação das verdades específicas do século I para os nossos dias como sendo lei, e explica que o que deve ser aplicado são os princípios nelas contidos, pois algumas proibições foram específicos aos leitores primários.
No quarto capítulo, ele fala das narrativas bíblicas tendo como objeto de estudo o Antigo Testamento, destacando que mais de 40 por cento dos textos nele contidos são de narrativas. Que quanto a sua natureza elas são Histórias de Deus que devem ser abordadas em três níveis: o superior que diz respeito ao plano universal de Deus; o intermediário que centraliza em Israel; e o inferior que são as narrativas pessoais. Assim sendo, elas não são histórias comuns de episódios individuais, que tenham um ensino direto, uma lição moral ou doutrina específica. Após analisar algumas narrativas bíblicas, o autor traz algumas precauções finais necessárias para a interpretação das narrativas, dentre elas, a alegorização dos significados, a descontextualizarão e seletividade do estudo das mesmas e por fim, a falsa combinação e redefinição das verdades nelas contidas.    
No quinto capítulo, aborda as narrativas dos atos dos Apóstolos, e traz as principais dificuldades hermenêuticas, dentre elas a errada seletividade, e a análise sem considerar a ordem cronológica que muitos cristãos fazem. Por essa razão, segundo o autor para interpretar corretamente o livro, faz-se necessário conhecer todo livro dentro de uma visão panorâmica, conhecer o autor e seu propósito ao escrever o livro, bem como a natureza da narrativa de atos, que por sua vez, não é uma narrativa de personagens individuais, mas sim uma única História com um único propósito.
O sexto capítulo é dedicado aos Evangelhos. De início o autor aborda as principais dificuldades na interpretação dos mesmos, sendo a primeira o fato de que são quatro que falam de Jesus, mas nenhum foi escrito por ele. Por isso, “a exegese dos Evangelhos requer que o intérprete pense tanto no contexto histórico, geral e particular, de Jesus, como dos autores. No primeiro, deve-se considerar o que ele disse, para quem disse e em que situação disse. No contexto dos autores deve analisar quem eles eram, como escreveram, e para quem escreveram. Para isso, é necessário que o intérprete, primeiro pense horizontalmente, que é o mesmo que possuir a consciência dos paralelos nos demais Evangelhos e pensar verticalmente, que é ter a consciência do contexto histórico de Jesus e dos autores, vendo-os como Palavra de Deus.    
No capitulo sétimo, Fee analisa as parábolas, mostrando como foram tratadas no decorrer da História e como muitas vezes  não interpretadas de forma errada. Em seguida trata da natureza das parábolas, de inicio mostra o quanto são variadas e depois a sua função principal que é evocar uma resposta por parte dos ouvintes. Quanto a exegese das parábolas, o autor mostra que é necessário descobrir os pontos de referências e identificar o auditório que originalmente as ouviu. No que diz respeito à hermenêutica é necessário seguir dois princípios. O primeiro é entender e depois traduzir a mesma lição para o nosso próprio contexto. E o segundo é entender que todas as parábolas, direta ou indiretamente falam do Reino de Deus.

No capítulo oitavo, o autor aborda a Lei do Antigo Testamento, destacando-a como aliança dada por Deus ao seu povo do Antigo Testamento. Lembrando-nos que apenas parte dela está presente na nova aliança, e que deve ser considerado como princípio a ser seguido aquilo que é claro na nova Lei de Cristo, pois nem toda foi renovada. Todavia, a sua totalidade ainda é a Palavra de Deus para nós hoje. Ainda, a lei é um padrão que nos mostra quão é impossível é agradarmos a Deus com os nossos próprios esforços, e que isso é uma prova do grande amor e um exemplo maravilhoso da misericórdia e graça de Deus ao seu povo do passado e presente.        

O nono capítulo, o objeto de estudo, são os profetas e suas profecias. De início fala da natureza das profecias, e as dificuldades de interpretação, e em seguida de sua função, enfatizando que apesar dos profetas falarem do futuro próximo ou distante, “eles eram mediadores para fazer cumprir a aliança” (p. 155), por isso, sua mensagem não era original, pois, “a mensagem dos profetas não era deles, mas, sim, de Deus” (p. 157). Quanto as questões hermenêuticas, o autor, nos lembra que é necessário compreender os contextos históricos, geral e específico. E que as “profecias de um futuro próximo sempre estavam colocadas no pano de fundo do grande futuro escatológico...” (p. 170).     
 
O décimo capítulo é dedicado aos Salmos. O autor começa falando que a dificuldade de interpretação deles, se encontra em sua natureza, já que eles foram palavras faladas para Deus e que se tornaram Palavras de Deus. Em seguida, lembrar-nos que são poesias hebraicas em forma de canto, com um vocabulário metafórico, com diferentes tipos e formas, com um propósito definido no povo de Israel e que junto é uma unidade literária. Logo depois, lista os tipos de salmos, suas principais divisões internas e como devem ser interpretadas. No final do capítulo, traz-nos três benefícios dos salmos, que são três orientações para: adoração, relacionamento com Deus e meditação do que Deus fez por nós.

No penúltimo capítulo, Stuart passa a analisar a sabedoria, e de início identifica os livros que estão presentes nelas. Logo depois, falando de sua natureza a define como “a disciplina que aplica a verdade à vida, a luz da experiência” (p. 197). Em seguida, fala dos abusos que os livros de sabedoria têm sofrido que são: lê-los parcialmente; não entenderem os termos e categorias e por fim, não seguir a linha de argumentos em um discurso sapiencial. Na seqüência, define o que é ser sábio e falam quais foram os principais ensinadores da sabedoria. Em fim, os analisa de forma separada, dando algumas diretrizes hermenêuticas para interpretação das mesmas.
         
O último capítulo é dedicado ao gênero apocalíptico. De início o autor fala dos principais hermenêuticos neles contidos e como devemos agir diante deles. Depois, sobre a natureza diz que é “a primeira chave à exegese do apocalipse é examinar o tipo de literatura que é” (p. 218). Logo em seguida, o livro traz as principais características do gênero apocalíptico, destacando sua base vétero-testamentaria, seu sentido figurado, profético e Epistolar. No que diz respeito às questões exegéticas, o autor mostra que as principais tarefas do intérprete é buscar a intenção original do autor, não fazer analogia de conceitos, e não lê-lo e interpretá-lo como uma narrativa detalhada do futuro. Fee termina falando do contexto histórico e a importância, assim como nos demais gêneros, de reconstruir o cenário histórico, e contexto literário lembrando-nos que “o livro é uma totalidade global, com estrutura criativa, e cada visão faz parte integrante da totalidade” (p. 227).
         
O livro tem dois apêndices, um sobre “a avaliação e o emprego dos comentários” e outro sobre o “método Histórico-Crítico”, que tem sido utilizado pelo cristianismo desde a reforma protestante e teve enorme impacto na vivência e na prática de inúmeros cristãos.

O Dr. Donald Gordon Fee e o Dr. Douglas K., Stuart foram muito felizes em sua proposta, pois, nos apresentou um material relevante e de fácil leitura. Para os experientes na arte de interpretar a Bíblia, o livro fará relembrar os conceitos esquecidos; para aqueles que são leigos nesta arte, será um manual de linguagem simples, mas extremamente profundo e útil. E a todos estudiosos da Bíblia, este é um livro que não pode faltar na biblioteca.

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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