Pr. Jailson Santos

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Avaliação Crítica

Apesar da palavra aliança não está presente nos primeiros versículos do livro de Gêneses, na criação Deus fez um pacto com o homem. No jardim do Éden as pessoas foram separadas de uma relação pessoal com Deus por causa do pecado. Todavia, Deus motivado pelo seu amor e sua graça faz uma aliança com o propósito de reconciliar consigo mesmo o mundo.  A partir daqui as discussões teológicas são variadas e as perguntas imensas. Quando Deus fez esta nova aliança? Depois que o homem pecou, ou já havia feito antes? A aliança da graça é uma maneira de Deus reverter o erro humano, ou ela já estava estabelecida antes mesmo dEle criá-lo? Nesta nova aliança o papel do homem é ativo ou passivo? É com o propósito de responder estas problemáticas que Luis Berkhof escreve o homem na aliança da graça que aqui será analisado.

Sua principal tese é que a aliança da graça tem Deus como agente ativo, que mesmo ofendido pelo pecado busca um acordo, que por sua vez é feito, com base na graça, no qual Deus promete a salvação mediante a fé em Cristo, e o pecador a aceita confiantemente, prometendo uma vida de fé e obediência. Berkhof em harmonia com a fé reformada e calvinista mostra que o homem é passível em todo este processo.

 Desde já podemos dizer que a de se concordar com muitas de suas teses defendidas, pois grande parte dela, ele expressa com clareza o pensamento reformado calvinista. Ele segue Calvino quando defende a tese que o plano de Deus em salva o homem não é infra queda, mas sim supra. Ele se deu na eternidade, no “conselho da paz”, onde o Pai representava a trindade e o Filho o seu povo. E que antes de haver uma aliança entre Deus e o homem já existia um compromisso, que permanece vigente, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, os quais dentro da economia da redenção trabalharam e trabalham tanto distintamente como em harmonia, onde o Pai é o originador que elege, o Filho o executor que salva e o Espírito Santo o aplicador que regenera. E sendo assim a aliança da graça não é um “plano B” para substituir um “A” frustrado pelo homem. Essa idéia é afirmada por Calvino quando diz Deus é o que governa soberanamente, “o qual, por sua sabedoria, decretou desde a extrema eternidade o que haveria de fazer, e agora, por seu poder, executa o que decretou”. [1] 

O mediador desta aliança é Cristo, que foi o nosso Profeta, Sacerdote e Rei, e que fez satisfação por aqueles a quem representava, tanto por sua obediência quanto por seu auto-sacrifício, cumprindo perfeitamente todas as exigências da justiça divina sobre aqueles a quem representa. Razão pela qual nossa confiança e certeza da Salvação não habitam em nós mesmos, mas na pessoa de Cristo. Para mostrar o razão que concordo com Berkhof chamo mais uma vez Calvino por testemunha: “Se buscamos a salvação, a vida e a imortalidade do reino celeste, então há de se buscar também refúgio não em outro, quando somente ele é a fonte da vida, a âncora da salvação, o herdeiro do reino dos céus”. [2] 

Outra tese importante que o autor coloca e que devemos concordar é que há uma unidade entre as alianças e nunca vária divórcios com varias reconciliações (novas alianças). O que há na verdade é uma única aliança de elucidada a cada pacto que Deus faz no decorre da História, até ganhar sua clareza maior na encarnação do verbo. Aqui Berkhof com o principio da unidade das alianças e da revelação progressiva. Como diz Robertson “pode-se notar uma linha definida de progresso. Todavia, as alianças de Deus são uma” [3] Diferente de Marcião (Um herege gnóstico que viveu na Ásia Menor no segundo século d.C.), o autor mostra que Deus é o mesmo em todas as dipensações, e que a revelação de Deus tem igual valor em ambas. Essa verdade está explicitamente descrita no capítulo I da Confissão de Fé de Westminster quando diz: “Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática [...]” [4] (negrito meu). Deus não se revelou apenas em parte da história, mas em todas as épocas e isto nos mostra a unidade das Escrituras como revelação progressiva, lógica e coerente. [5] 

Berkhof afirma ainda que quando é ingressado por Deus nessa aliança ele promete uma vida de fé e obediência. Isso implica que o homem está isento de sua responsabilidade pelo fato da aliança ter como base o favor imerecido de Deus. Em outras palavras a graça soberana de Deus não anula a responsabilidade humana. Isso é melhor explicado por Packer que chama de antinômio (Trata-se, antes, de uma aparente incompatibilidade entre duas verdades evidentes.) segundo ele “Um antinômio existe quando dois princípios, postos lado a lado, aparentemente são irreconciliáveis, ainda que ambos sejam inegáveis”. Ele elucida a ideia quando diz: 

A soberania de Deus e a responsabilidade humana nos são ensinadas como se fossem coisas que andam lado a lado, numa e na mesma Bíblia, aparecendo muitas vezes até na mesma passagem. As duas coisas nos são garantidas, portanto, pela mesma autoridade divina; ambas são, portanto, verdadeiras.

 

Segue-se daí que elas devem ser mantidas lado a lado, ao invés de jogadas uma contra a outra. O homem é um agente moral responsável, ainda que seja, ao mesmo tempo também, controlado pela divindade, o homem é divinamente controlado, embora seja também, um agente moral responsável. A soberania de Deus é uma realidade, e a responsabilidade do homem é igualmente uma realidade. Eis aí o antinômio que nos foi revelado...” [6]

 Assim Berkhof tem razão quando diz que nesta alinaça o homem não tem apenas bênçãos e privilégios, mas também obrigações. O pacto é um compromisso com duas pessoas igualmente responsáveis.

 Outra tese que o autor levanta que devemos concordar é sua afirmação que aliança da graça é universal no sentido de não mais limitar-se ao povo de Israel. Agora essa graça é destinada para todos de todas as tribos, povos e raças. Segundo John Piper A vontade de Deus para as missões é que todo grupo de pessoas seja alcançado com o testemunho de Cristo e que um povo seja chamado por seu nome de todas as nações. O grande objetivo de Deus em toda a História é manter e manifestar a sua glória os redimidos de toda tribo, língua, povo e nação. Sua grandeza verdadeira será manifesta na amplitude da diversidade daqueles que percebem e apreciam sua beleza. Sua conclusão é que a supremacia de Cristo será manifesta a todos e ele entregará o reino a Deus Pai, que será tudo em todos. [7]

 A idéia de universal aqui não diz respeito a salvação de todos. Calvino explica essa idéia quando diz:

 

“Ora, há a vocação universal, pela qual, mediante a pregação externa da Palavra, Deus convida a si a todos igualmente, ainda aqueles aos quais a propõe como aroma de morte [2Co 2.16] e matéria da mais grave condenação. A outra é a vocação especial, da qual digna ordinária e somente aos fiéis, enquanto pela iluminação interior de seu Espírito faz com que a Palavra pregada se lhes assente no coração”. [8]

 

Outra tese que o autor propõe, e que está em harmonia com a fé reforma, é que a aliança é estendida aos filhos das daqueles que já fazem parte dela. Isto é, as promessas feitas aos pais são estendidas aos filhos. A promessa da salvação feita com os eleitos é também estendida aos filhos. Esta segurança esta baseada na promessa de Deus, que é absolutamente confiável, de que Ele agira nos corações dos jovens ligados à aliança com a Sua graça salvadora e os transformara em vivos membros da aliança. Todavia, está implicação não nos da a idéia de que todos que estão externamente participando do pacto tem de fato direito as promessas das bênçãos celestiais, pois é possível que muitos que estejam externamente ligados a aliança não esteja internamente.

Esse ensino está expressamente claro em nossas confiçõess e nos catecismos reformados. No Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, a pergunta número 74 diz: “As crianças devem ser batizadas?” A resposta é a seguinte: “Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja. Visto que a remissão dos pecados e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos”. [9]

Na Confissão de Fé de La Rochelle, Cap. VII, Art.º 35, sob o título “O Batismo das crianças”, lê-se o seguinte: “Ora, ainda que o Batismo seja um sacramento de fé e de penitência, contudo, porque Deus recebe na Sua Igreja as criancinhas com os seus pais”.[10]

No Cap. XXVIII, Art.º IV, da Confissão de Fé de Westminster lê-se: “Não somente os que na realidade professam a sua fé e obediência em Cristo, mas também as crianças filhas de pais crentes, de um ou dos dois, devem ser batizadas” [11]

 Por fim o autor aborda uma questão importante, e sua resposta a ela como nas outras é de cunho reformado, a aliança e a interpretação dispensacionalista. Segundo ele Esta representação é contrária à Escritura e que É preferível seguir as linhas tradicionais distinguindo apenas duas dispensações ou administrações, quais sejam, a do Velho Testamento e a do Novo; e subdividir a primeira em vários períodos ou estágios da revelação da aliança da graça. A aliança planejada pela trindade no “conselho da paz” é apenas uma com apenas manifestações diferentes.

 Por fim, nessa análise crítica, cabe a idéia de “crítica”, que vem de critério, isto, é olhar com critério e não apenas para criticar. Por isso, em alguns casos as críticas, dão lugar aos elogios. O teor bíblico, a base teologia reformada e a profundidade e clareza, do livro “Teologia Sistemática” de Luis Berkhof nos levar a fazer isso.



[1] CALVINO, As Institutas – edição Clássica, Vol I, C. XV, § 8.

[2] CALVINO, As Institutas – edição Clássica, Vol III, p.432.

 [3] ROBERTSON, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. São Paulo (SP): Editora Cultura Crista. 2002. P. 32.

 [4] A Confissão de Fé de Westminster. 3a ed. São Paulo: Cultura Cristã, 1997. Capitulo I.

 [5] Cf. MEISTER, Mauro. Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária? Artigo disponível em: <http://www.monergismo.com/textos/pregacao/pregacao_meister.htm> Acessado em: 16/06/2008

[6] PACKER, J.I. A Evangelização e a Soberania de Deus. Se Deus controla todas as coisas, porque evangelizar? 1ª edição, São Paulo (SP): Editora Cultura Cristã, 2002. P. 20

 [7] Cf. PIPER, John. Alegrem-se os Povos – A Supremacia de Deus em Missões. Editora Cultura Cristã.São Paulo 2001.

 [8] CALVINO, As Institutas – edição Clássica, Vol III, p.436.

[9] Ver artigo disponível em: http://www.estudos-biblicos.com/batinfant.html Acessado em 08 de Abril de 2009

[10] Ibid

[11]Ibid

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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