Série as histórias do meu Salvador

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma breve análise do livro “Missões Transculturais: Uma Perspectiva Bíblica”


Um dos maiores desafios que todos os missionários de todas as épocas sempre tiveram e continuam tendo é o de proclamar o evangelho bíblico com fi­delidade e sensibilidade. O que não é apenas uma opção, mas necessidade vital. Nas palavras do Dr. Ronaldo Lidório “nenhum principio universal poderá ser bem comunicado a um grupo ou seguimento social distinto sem que seja contextualizado.” Por isso, uma das grandes verdades misiológicas é que os missionários precisam não somente de uma compreensão sólida das Escrituras, mas também de um profundo conhecimento das pessoas a quem servem, a fim de comunicar a mensagem de forma contextualizada, preservando o conteúdo da verdade bíblica, ao mesmo tempo em que a faz culturalmente relevante. Todavia estas duas coisas que deveriam andar de mãos dadas, muitas vezes caminham divorciadas, e isso há muito tempo.

A Dra. Barbara Burns mostra-nos isso nas seguintes palavras:

                                                                                                                         

“Colhemos hoje frutos amargos do nominalismo cristão e do sincretismo religioso, que germinaram a partir de um enfraquecimento da centralidade da Palavra durante o trabalho de comunicação do Evangelho... Paralelamente também colhemos frutos amargos pela ausência de compreensão cultural na apresentação de Cristo”. [1]

 Diante desta necessidade urgente uma pergunta deve ser feita: quais parâmetros o comunicador deve considerar para manter-se fiel na comunicação dessa verdade ao mesmo tempo em que a contextualiza de forma relevante? Em “Missões Transculturais: Uma Perspectiva Bíblica” (principalmente no capítulo primeiro) Stott procura fornecer uma resposta equilibrada para a questão. Sua grande tese é que as verdades bíblicas e as necessidades culturais não podem ser polarizadas ou divorciadas. Segundo ele é necessário combinar fidelidade, (exegese do texto bíblico), com sensibilidade (exegese do cenário contemporâneo). E que somente assim poderemos relacionar com fidelidade e relevância a Palavra à cultura. Sua base bíblica para isso na maneira como Deus revela nas Escrituras e em Cristo. Ele diz: “quando Deus se revelou nas Escrituras e em Cristo, Ele o fez em linguagem que o homem pudesse entender”.

 Além disso, Stott mostra-nos que jamais devemos nos distanciar da Escritura, pois, ela é a base para a evangelização e sem ela a evangelização do mundo seria impossível e inconcebível. Sua importância está no fato de que ela é a revelação de Deus e Ele mesmo em sua essência é um missionário (Missio Dei). Ele se revelou aos homens e chamou seus servos como Abraão para que pudessem não apenas conhecê-lo, mas proclamá-lo. Por isso, devemos abençoar as nações, pois, nós so­mos a semente de Abraão pela fé e as famílias da terra serão abençoadas apenas se nós formos a elas com o evangelho.

 O capítulo seguinte, “A Chamada Missionária de Israel”, de Walter C. Kaiser Jr, tem como tese principal a idéia de que, a despeito de Deus ter aliança somente com Israel, não há como negar que o Antigo Testamento tenha explicitamente ordenado aos crentes e mensageiros de sua época que fossem aos gentios, leva a verdade do SENHOR. Para Kaiser Israel sempre foi, no plano e propósito de Deus, responsável por co­municar a mensagem da graça de Deus às nações. Ao abençoar Israel, todas as nações da terra também possam conhecer a Deus. Essa tese é importante para a missiologia, pois, mostra que a missão é acima de tudo uma missão divina. E que mesmo em luz baixa ela se faz presente no Antigo Testamento. Por isso, a base Bíblica teológica para a missiologia considerar tanto o Novo como o Velho Testamento. Ambos os Testamentos são revelação de Deus. Segundo Abraão Kuyper, um evento na vida dos patriarcas, um episódio da vida de Davi uma experiência dos profetas não ser apresentada como uma cena isolada, todavia todos os fatos históricos do Antigo Testamento são na verdade fragmentos da grande obra da Revelação de Deus. [2]   

   Essa verdade é também esclarecida por Johannes Verkuyl no capitulo cinco “a base bíblica do mandato missionário mundial”. Para ele o Antigo Testamento é uma base indispensável e insubstituível da tarefa missionária da igreja entre as nações e povos deste mundo. Isso fica evidente nos não apenas na eleição de Israel, mas também nas mensagens dos profetas e nas histórias de Melquisedeque, Rute, Jó, o povo de Nínive descrito no livro de Jonas, e muitos outros no Antigo Testamento são evidencias de uma chamada missionária para alcançar todos os povos. Além disso, mostra que todo Novo Testamento é um livro de missão. Deve sua própria existência ao trabalho missionário das igrejas cristãs primitivas, tanto judaicas como gregas. Os evangelhos são pregações missionárias, e as epistolas não são tanto um tipo de apologética missionária, como instrumentos do trabalho missionário.

Finalmente, podemos observar que os autores abordam o assunto proposto de forma didática e dentro de uma seqüência sistemática e lógica, trata do tema com grande clareza mostrando um vasto conhecimento do assunto e um grande poder de síntese. Com erudição que lhes são próprias, analisam a missiologia dentre de pressupostos bíblicos e reformados. As análises dos textos bíblicos são feitas de forma exegética o que aumenta a credibilidade na obra. Apesar de não serem missionários, e estarem escrevendo sobre teologia de missões, eles tratam das questões de maneira muito prática. Por isso, a obra aqui resumida é uma ótima ferramenta para o entendimento da matéria, e para todos estudiosos e interessados em estudo uma missiologia bíblica, mas relevante, este é um livro que não pode faltar na biblioteca.



[1] BURNS, Barbara Helen (org.). Contextualização: a fiel comunicação do Evangelho. Anápolis: Transcultural, 2007. p. 15

  [2] Kuyper apud ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Ananindeua. Knox Publicações. 2006. p. 180.

2 comentários:

Parabenizo-lhe a você pelo grande e importante papel. O de exercer e ser MISSIONÁRIO.
Ao encontrar material como este, fico maravilhado Glorificando a Deus, e ao mesmo tempo celebrando ao Senhor, pela vossa vida! Que todos que pudermos compartilhar sejamos gratos a Jesus, por Ele vos ter dado este grande dom! Que as bênçãos de Deus, estejam sempre sobre a vossa vida! Que Ele continue te abençoe abundantemente. Parabéns!

OBRIGADO PELA ANÁLISE DO LIVRO "MISSÕES TRANSCULTURAIS, UMA PERSPECTIVA BIBLICA". SOU APENAS UM MENBRO E LENDO O LIVRO ESTAVA ACHANDO DIFICALDADE DE CHEGAR AO PENSAMENTO DE CADA AUTOR "CAPÍTULO". MAS SUA ANÁLISE ME DEU UMA BOA IDEIA. QUE DEUS CONTINUE LHE ABENÇOANDO.
GRAÇA E PAZ.
RICARDO TEIXEIRA (rtscontabil@yahoo.com.br)

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