Pr. Jailson Santos

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Conclusão do livro "Origens intelectuais da Reforma". Alister E. McGrath

Resumo

Uma das maiores necessidades dos teólogos e historiadores contemporâneos é entender como aconteceu o desenvolvimento do pensamento protestante, bem como os pressupostos básicos que o fundamentou. No livro Origens intelectuais da Reforma” Alister E. McGrath, nos ajuda a entender o desenvolvimento dos movimentos centrais e mais dramáticos da formação do pensamento reformado que herdamos, bem como suas implicações para as práticas da atualidade cristã.

Conclusão do livro Origens intelectuais da Reforma”. Alister E. McGrath

Sobre o autor:

O ex-ateu Alister McGrath é professor de teologia histórica da Universidade de Oxford e pesquisador sênior do Harris Manchester College. Possui doutorados em biofísica molecular e em teologia pela Oxford. Seu interesse principal se concentra na história do pensamento cristão, com ênfase particular na relação entre as ciências naturais e a fé cristã. [1]

CONCLUSÃO PESSOAL

Como chegamos onde estamos? Por que pensamos como pensamos? A resposta a estas perguntas não são apenas relevantes, mas essenciais para a compreensão do mundo no qual vivemos. O filósofo Giambattista Vico afirmou que “para entendermos o homem, primeiramente, teríamos de entender a história”. [2] Assim, para entendermos o pensamento do mundo e da igreja que vivemos, precisamos: conhecer, valorizar, aprender e entender como esse pensamento se desenvolveu ao longo da história a história. Não há sombra de dúvidas que só conseguiremos entender o pensamento atual se olharmos para os acontecimentos de ontem.

Esta é a razão pela qual, uma das maiores necessidades dos teólogos e historiadores contemporâneos é entender como aconteceu o desenvolvimento do pensamento protestante, bem como os pressupostos básicos que o fundamentou. No livro Origens intelectuais da Reforma” Alister E. McGrath, nos ajuda a entender o desenvolvimento dos movimentos centrais e mais dramáticos da formação do pensamento reformado que herdamos, bem como suas implicações para as práticas da atualidade cristã.

Seu recorte na história contempla o período de 1300-1600, concentrando-se no início e meados do século XVI, em uma tentativa de colocar o trabalho e a influência de Lutero, Zuínglio e Calvino no contexto teológico-intelectual do período maior. Seu grande objetivo é tentar filtrar os detalhes do pensamento e da influência dos principais pensadores e investigar as tensões principais do esforço filosófico (humanismo) e teológico que conectam o período final da idade média à Reforma. McGrath organiza o seu trabalho livremente por ordem cronológica, mas principalmente em torno das idéias que surgiram e recuaram em determinados momentos, no final da idade medieval e os períodos de reforma antecipada.

As grandes problemáticas levantadas pelo autor são: é possível falar de “origens intelectuais da Refor­ma”? Houve “Precursores da Reforma”? Qual a relação entre a Reforma e o Renascimento? Qual a relação entre a Reforma e as escolas de pensamento da Baixa Idade Média, especialmente a via moderna e a schola Agostiniana moderna? Para McGrath A fim de responder essas questões com qualquer grau de precisão e convicção, é necessário examinar o modo como as ideias teológicas foram desenvolvidas e analisadas no final do período medieval e também determinar até que ponto podiam ser, e foram, controladas e dirigidas tanto pela soci­edade quanto pela igreja.

Para o autor, é impossível encontrar um único tema unificador que seja a razão principal da formulação do pensamento reformado. Ao contrário, este pensamento foi o resultado de uma combinação de muitas “pequenas reformas” em torno da Escolástica e do Renascimento que determinaram métodos teológicos que foram realizados neste período. Isto dá origem à complexidade da Reforma, ao invés de sua simplicidade. A Reforma não pode simplesmente resume-se numa idéia principal, mas com o intelectual das “origens” (plural) da Reforma, não a origem (singular) do “intelectual” da Reforma.

Sua tese principal é que a reforma foi:

“O movimento conhecido de modo um tanto vago como ‘Refor­ma’ surgiu de uma determinada matriz complexa e heterogênea de fatores sociais e ideológicos, sendo que estes últimos se encontram associados a per­sonalidades individuais, movimentos intelectuais, escolas de pensamento e universidades, de tal modo que desafiam as generalizações crassas que cons­tituem um número excessivo de interpretações desse fenômeno”.

O grande propósito do autor é tentar consolidar e expandir nossa compreensão das origens intelectuais da Reforma européia do século XVI. Segundo ele há um reconhecimento cada vez maior da parte dos estudiosos da Reforma. Nem os acontecimentos e nem as idéias do século XVI podem ser devidamente compreendidos a menos que sejam considerados, o ponto culminante das involuções ocorridas ao longo dos séculos XIV e XV.

Seu estudo parte do pressuposto que a Reforma repre­senta um episódio significativo na história intelectual, institucional, social e política da Europa e que, em função de seu caráter multifacetado, pode ser encaixado dentro de vários esquemas de periodização. Ele analisa Reforma considerando-a principalmente como um fenômeno intelectual. O autor propõe uma investigação e interpretação da relação entre as duas alas da Reforma e os dois grandes movimentos intelec­tuais do final do período medieval, o Escolasticismo e o Humanismo, visan­do esclarecer as origens intelectuais da Reforma na Europa.

Segundo autor, a conclusão mais fundamental desta analise diz respeito à necessidade de reconhecer a complexidade e heterogeneidade das origens das ideias subjacentes à Reforma. Qualquer tentativa de adotar uma abordagem reducionista à esse fenômeno histórico extraordinário, pode ter como único resultado uma compreensão equivocada de sua natureza e importância. Por isso, faz-se necessário observar que o caráter heterogêneo da Reforma é visto de modo mais adequado ao se considerar a relação de seus elementos com o Escolasticismo e o Humanismo; a diversidade doutrinária inerente ao final do período medieval; refere à natureza distinta da Teologia na Baixa Idade Média. Por isso, ele conclui que “se existem "precursores da Refor­ma", estes não devem ser identificados com indivíduos específicos dentro da igreja do final do período medieval, mas com tendências dentro da igreja como um todo nesse período”.

Além disso, a heterogeneidade dos métodos teológicos subjacentes da Reforma deu origem a divergências correspondentes com relação às suas ideias teológi­cas. O exemplo mais óbvio desse fato é a discordância fundamental entre os reformadores de Wittemberg e os de Zurique a respeito da doutrina da justifica­ção pela fé. Essa foi à razão pela qual na segunda fase da Reforma visava à consolida­ção dos interesses possivelmente divergentes de Lutero e Zwinglio.

McGrath é convincente em seu argumento de que não existe uma “origem”, mas sim “origens” da Reforma. Fica claro que o seu é que a mesma foi fruto de pequenas reformas que ocorreram durante o período de 1300-1600. Ela não foi uma ruptura brusca com a tradição intelectual anterior da igreja, como alguns querem acreditar. Da mesma forma razoável é sua afirmação de que a Reforma teve o que precisava, da Renascença e erudição humanista, Ela dependeu do humanismo para o seu cunho social, as reformas moral.

A leitura da obra foi bem produtiva, pois, de maneira rápida e clara foi possível conhecer as principais correntes filosóficas e teológicas que influenciaram na formulação do pensamento reformado que herdamos. A grande contribuição da obra é apresentar a História do pensamento cristão de maneira clara e concisa, o que a torna uma grande fonte de consulta rápida. Na obra fica claro o propósito era trazer de forma sintética a história do pensamento, e ele faz isso com eficiência e clareza. Apesar de ser um livro fortemente acadêmico e rigoroso, é escrito em uma linguagem acessível e esclarece muito o tema da Reforma. De modo algum a monografia de McGrath esgota o tema, mas certamente nos leva a pensar mais sobre esse movimento que herdamos e seguimos. É uma ótima ferramenta para o entendimento da matéria e um livro que não pode faltar na biblioteca.

Notas

[1] Dados disponíveis em: <http://www.mundocristao.com.br/autordet.asp?cod_autor=171> Acessado em: 20 de setembro de 2009

[2] Vico apud Barretos, Francisco A. A importância da História na vida cristã. Artigo disponível em: <http://www.iprb.org.br/artigos/textos/art51_100/art85.htm> acessado em: 09/06/08

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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