Pr. Jailson Santos

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O “problema do mal” nas cosmovisões.







O “problema do mal” nas cosmovisões.



Teísmo – O problema do mal é o pecado de ontem e de hoje.

Deus criou as criaturas boas, com a liberdade. O uso errado dessa liberdade é a causa da corrupção do mundo bom que Deus fez. Com a queda veio à possibilidade e capacidade para realizar em potencial o mal. O mal é a corrupção que atinge as criaturas. As quais se voltaram contra Deus. Todos os males de hoje é fruto deste primeiro mal que o homem livremente escolheu seguir ontem (com Adão nosso representante).
Assim, o mal deve ser visto por meio dos conceitos: criação, queda e redenção. Por isso, a cosmovisão bíblica deixa claro que enquanto o mal é real e terrível, é apenas de curta duração. Um dia, o mal será trazido a uma parada completa. Um dia, todos os erros serão punidos e todos os direitos recompensado. O mal de hoje já não existirá amanhã. Quanto a visão teísta do sofrimento veremos em uma análise mais a frente.

Deísmo – O mal é inexistente.

Como já vimos para o deísmo Deus não está presente. Ele criou a realidade, mas a abandonou e a deixou funcionar por conta própria. Ele é transcendente, mas não é imanente. Além disso, o cosmo está em seu estado normal e não caído. Assim não existe mal. Logo, a ética é limitada à revelação geral, pois sendo o cosmo normal, isso já revela o que é certo. No entanto, tal premissa já destrói a própria ética, uma vez que o que existe é o certo, não há como haver o mal. Isto levou os deístas a muitas crises, pois como preservar a ética com tal fundamento? [1]

NaturalismoO problema do mal não é problema nosso!!!

A resposta naturalista para o problema do mal e do sofrimento é que a realidade do mal refuta a realidade de Deus. Como explicar o mal? Esta é a função e o desafio para o teísmo e não do naturalismo, afirmam seus defensores.
Os cristãos afirmam que Deus é onipotente e onibenevolente. Contra isso os teóricos deístas, dizem: “se Deus é todo-poderoso, então Ele possui a capacidade de acabar com o mal, e se Ele é todo-amoroso, então Ele deseja acabar com o mal.” Ou ainda “se Deus conhece tudo, então, Ele sabe como destruir o mal”. Todavia, visto que o mal ainda existe, isto significa que Deus não existe. Sendo assim, para os naturalistas o problema do mal é a prova que Deus não existe, ou se existe é incoerente em ralação as seus atributos.[2] A crítica obvia repousa sobre o fato de que todos eles afirmam a realidade do mal e conclui que o Deus teísta não existe. Desenvolveremos essa crítica mais a frente. 

Niilismo – O problema do mal não é um problema. “Se Deus está morto, então tudo é permitido”. (Dostoievsky)

A frase supracitada revela em síntese o que Nietzsche pensava quando disse: “Podes proporcionar a ti mesmo teu bem e teu mal, e suspender a tua vontade por cima de ti como uma lei? Podes ser o teu próprio juiz e vingador da tua lei? (...) Há uma velha ilusão que se chama bem e mal. Nada é verdade; tudo é permitido”.[3] Para o niilista não temos qualquer razão para crermos em um padrão de certo ou errado.
Levando as últimas consequências não existe um Senhor para legislar alguma lei, e não há sentido em manter-se a ordem da sociedade. Assim, se não há nada fora da caixa de o mundo, não há realmente nada de bom e de mal. Assim, mal é relativa e só uma questão de preferência subjetiva. Então o mal é permitido.

Existencialismo – O mal é fruto de minhas más escolhas.

O foco, para um existencialista, está na minha existência. Portanto, um existencialista, considerando o problema do mal vai considerar as suas próprias escolhas. Assim, o bem e o mal ou certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir; o errado é vegetar, ficar inerte. Assim, toda escolha realizada por uma pessoa é correta. O errado é não escolher. O mal é viver debaixo dos padrões de outros, seja a sociedade, a religião ou outro tipo de autoridade.[4] Pois, o homem é pessoalmente responsável por aquilo que é e o que ele faz, ele escolhe seus valores e faz, portanto, pode escolher ser uma pessoa diferente. Diria Jean-Paul Charles Aymard Sartre.[5] O existencialismo teísta diverge de alguns desses pressupostos, pois segue os do teísmo (ver acima), mas de igual ao ateísta supracitado, apela para o subjetivismo.

Monismo Panteísta Oriental – O problema é que mal faz parte da vida.

Para esta cosmovisão o sofrimento e o mal são na verdade “parte da vida”. Segundo o budismo, por exemplo, a vida é sofrimento (dukkha). “Nascemos e viver em sofrimento, e morreremos em sofrimento”. Aqui sofrimento é “ter o que você deseja que você não tinha e não ter o que você gostaria de ter”. Assim, sofrimento é causado pelo desejo (tanha, ganância ou egoísmo ou desejo) não satisfeito. O caminho para acabar com o sofrimento é acabar com o desejo, que só é possível no o Nirvana, o qual é uma longa tarefa de vida onde é possível tenta superar o sofrimento, aumentando a satisfação.[6] Assim, o mal é causado pelo homem e tem sua solução nele mesmo.

Nova era – O problema é que o mal não existe.

De acordo com esta cosmovisão não há duas realidades, toda a realidade é uma só, Brahman.  Assim, o mundo é uma ilusão, e Brahman é real e verdadeiro. Por outro lado, se tudo é “Deus” e “Deus” é tudo, então você não pode ter opostos como o bem e o mal.  Por conseguinte, o mal é uma ilusão.
Portanto, a distinção entre bom e o mal ou dor e prazer, não é real no sentido último. A solução para o mal assim é aprender a conviver com a dor, e a superá-la por meio de vê-la como uma ilusão (maya).  Mas se o mal é uma ilusão como ele pode ser tão objetivo, visível e real? Existe uma diferença prática, se o mal é uma ilusão ou real? Se ele é uma ilusão porque ele é combatido mesmo por quem vive na ilusão? Por não ter respostas a estas perguntas o monismo panteísta oriental mostra-se inconsistente.[7]

Pós-modernismo – Quem disse que o mal é um problema?

Esta é uma versão pós-moderna de um antigo relativismo cultural que leva a verdade que nós decidimos o que é bem ou mal. A liberdade individual continua a ser se a pessoa concorda com a forma como a sociedade faz suas linhas éticas. O pós-modernismo não pode não faz juízo normativo. As ações “estão embutidas juízos morais”, como diria Kant. Assim sendo, a ética existe em cada um de nós, e não necessita de uma verdade absoluta externa. O problema do mal é relativo, pois o que é errado para você pode ser correto para mim. O 11 de setembro, por exemplo, foi um mal para a América, mas se cada um segue sua própria visão de mundo e é livre para fazer o que quer, foi mal para um, mas bem para outro.

 Uma breve avaliação de duas destas cosmovisões

Naturalismo – Sem resposta para o problema e esperança para vida

O naturalista é incoerente e inconsistente, de ínicio, simplesmente por permanecer naturalista. Se levasse o seu pensamento as últimas consequências ele seria um niilista. Essa mesma inconsistência é vista no que se refere ao problema do mal, porém aqui em negrito e itálico.
A resposta naturalista além de incoerente é simplória para o problema do mal. Para o naturalista Deus não existe. Todavia, apenas negar a existência de Deus poderia resolver o problema do mal? O naturalismo incoerentemente coloca a realidade do mal como uma prova para refutar a realidade de Deus. Como explicar o mal? Esta é a função e o desafio para o teísmo, eles afirmam ou o problema do mal não é problema nosso! Mesmo naturalistas tão céticos e que se acham tão intelectuais caem nessa falácia. Dawkins um dos naturalistas mais atuantes dos últimos anos em seu delirante livro diz:

Postule um deus com tarefas mais grandiosas a fazer que se preocupar com o sofrimento humano. Ou um deus que não seja indiferente ao sofrimento, mas que o considere o preço justo a pagar pelo livre-arbítrio num cosmos ordenado. Podem-se encontrar teólogos comprando todas essas racionalizações[8] (destaques meus).

De passagem poderíamos perguntar: Se Dawkins crer que Deus não existe por que ele gasta tanto tempo para negá-lo? Voltando a questão do sofrimento, podemos dizer que a decisão simples que existe o sofrimento ou que o mundo não é o que deveria ser implica que existe algum valor de profundidade, além da matéria que está sendo violado, o que nós teístas chamamos de Deus. Para dizer que algo está mal, ruim, ou errado, precisamos de uma norma absoluta que está sendo violada.[9] Se existe o mal, tem de haver uma melhor fonte de valor: o bem. O erudito cristão C.S. Lewis (ex-ateu) conta-nos seu próprio testemunho, a citação é longa pela sua sintetiza sobre como pensa um ateu:

O meu argumento contra Deus era o de o universo parecia cruel e injusto. Mas donde é que eu aprendi os conceitos do justo e injusto? Um homem não qualifica uma linha torta de “torta” a não ser que ele tenha uma ideia do que uma linha reta é. Com o quê é que eu comparava o universo quando o qualifiquei de “injusto”?Se tudo o que aconteceu desde o princípio foi mau e injusto, como é que eu, que supostamente faço parte do espetáculo, me encontro da posição de rebeldia contra a situação? (...) Portanto, durante o ato em tentar provar que Deus não existe – por outras palavras, que a realidade era sem sentido – vi que era forçado a assumir que uma parte da realidade – nomeadamente, a minha concepção de justiça – fazia sentido. Consequentemente o ateísmo revela-se muito simples.[10]

O que o C.S. Lewis implicitamente diz é que quando o ateu usa o argumento do “mal”, ele está a assumir coisas que contradizem o que ele tenta provar com esse mesmo argumento do “mal”. Ele está a revelar ter conhecimento que vai para além do mundo em que nós vivemos.[11] Sendo assim, a maneira simplista que os naturalistas tenta, via de regra, explicar o mal, ou seja, jogando-o no colo do teísmo e dizendo: “toma que o filho é teu”, é na realidade o reconhecimento de sua crença em um ser moral fora da “caixa”.

Teísmo o único que faz sentido e traz esperança.

Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, visíveis ou invisíveis (...) Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor.[12]

A segunda, a melhor, mais coerente, e que responde a maioria da das questões, se não todas é a cosmovisão teísta. Os cristãos afirmam que Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal e onipotente e onibenevolente. E que os seres humanos são criados à imagem de dEle. Contra isso, os teóricos ateus, dizem: “Se ele é eterno e o criador de todas as coisas, ele é o autor de todos os males”.
A resposta teísta a está primeira afirmação fundamentada na queda dos seres criados. Agostinho, pensando no mal, conclui que se tudo que Deus criou é bom não pode, portanto, ser [Ele] o autor do mal.[13] Isso nos conduz a primeira verdade sobre a origem do mal, isto é, ele não provem de Deus, fonte da justiça e da santidade. Na verdade o mal em si, é a rejeição da graça amorosa de Deus.
A. A. Hodge sobre este assunto diz que “a fonte do pecado e do mal se manifesta no anjo caído, Lúcifer. À queda de Satanás e seus anjos, num passado remoto, e sob condições das quais não temos conhecimento, está embutida a real origem do pecado”. [14] Hoekema segue a mesma linha quando diz que “o pecado não se originou no mundo dos seres humanos, mas no mundo dos espíritos. Esses espíritos não foram tentados a pecar por alguma força ou poder fora deles próprios; eles caíram por si mesmos”. [15]
Deus criou Lúcifer como um bom anjo, um ser de puro espírito. Lúcifer como uma criatura espiritual foi uma de beleza, força e inteligência. Mas, em vez de atribuir suas forças e as qualidades do serviço e do amor de seu criador, ele virou-se contra Deus e procurou-se como a fonte de seus próprios prazeres e serviço. Através de uma livre escolha, Lúcifer rejeitou Deus e desceu de seu lugar no céu. Ele também teve com ele muitos outros anjos, que também rejeitou Deus. 
Outro questionamento é: “se Deus é todo-poderoso e amoroso, por que não acaba com o mal?” Todavia, visto que o mal ainda existe, isto significa que Deus não existe, ou se existe é incoerente em relação as seus atributos.[16] Como vimos este é um argumento que a favor da existência de um Deus supremo que não traz resposta.
O teísmo tem a resposta para o problema do mal e esta vem carregada de amor e bondade, isto é, envio de seu único Filho para morrer pela humanidade e assim trazer aos seres humanos vida abundante e conforto neste mundo e o alívio de todo mal com a morte. Por isso, no teísmo temos a esperança de uma eventual derrota do mal. A separação final do homem bom e do mal. E o exemplo motivador de um Deus-Homem que entrou na história humana e experimentou os piores tipos de sofrimentos, e os derrotou com sua morte e ressurreição. Assim, a resposta de Deus para o nosso problema não é apenas teológicas ou a filosofias (respostas verbais), mas uma resposta real que foi vista por muitos na história: Jesus. 
Além disso, o teísmo diferente do naturalismo a morte traz sentido para a vida. Ela é significativa, porque se não houvesse sentido na morte, não haveria sentido na vida. Ela é como uma passagem que nos leva a própria presença de Deus onde não haverá lágrimas, medo, ansiedade, dor e sofrimento, (Apocalipse 21:1 -5). No teísmo temos também única esperança de uma derrota do mal.
Todas as outras filosofias não podem explicar o problema do mal no mundo. Somente o teísmo o faz, pois, só ele tem um bom criador; só ele mostra a grande queda da humanidade (que explica o caos no universo e o mal-estar atual); e só ele traz esperança de redenção. Enquanto todas as outras cosmovisões levam ao desespero o teísmo leva a uma confortante esperança, por isso é consistente com o que defende.

Jailson Santos
@jailsonsantos




Referência para este artigo: SANTOS, Jailson Jesus. O “problema do mal” nas cosmovisões. Disponível em: <http://jailsonipb.blogspot.com/2011/09/o-problema-do-mal-nas-cosmovisoes.html> Acessado em: DATA DO ACESSO.




[1] Cf. CARVALHO, G. V. R.; LEITE, C. A. C. Cosmovisão cristã. Disponível em: 
http://www.freewebs.com/guilhermecarvalho/Artigos/introcosmovisao.doc. Acesso em: 13 de setembro 2010
[3] NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. São Paulo: Martin Claret, 2007.
[6] MONDITHOKA, Sudhakar. The Problem of Evil and Suffering: A Worldview Analysis. Disponível em:
[7] Cf. Ibid
[8] DAWKINS, R. Deus, um delírio; tradução de Fernanda Ravagnani. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
[9] Cf. Sudhakar, Mondithoka. The Problem of Evil and Suffering: A Worldview Analysis. Disponível em: http://www.mondithokas.com/docs/The_Problem_of_Evil_and_Suffering_A_Worldview_Analysis_4.doc Acessado em 14 de novembro de 2010
[10] C. S. Lewis. Mere Christianity Touchstone: New York, 1980 p.45-46

[11] Cf. CS Lewis: O Ateu Não Tem Justificação Para Usar o Argumento do Mal. Artigo Disponível em:

http://darwinismo.wordpress.com/2010/06/09/cs-lewis-o-ateu-nao-tem-justificacao-para-usar-o-argumento-do-mal
[12] Capítulo Iv – da Criação e V da Providência em: HODGE, A.A. Confissão de Fé Westminster Comentada. Editora Os Puritanos, 1999, 596p
[14] HODGE, A.A. Confissão de Fé Westminster Comentada. Editora Os Puritanos, 1999, 596p.

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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