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Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo.



Compreensão e Avaliação
Por
Jailson Jesus dos Santos

MCGRATH, Alister. Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, 239p.
Em todas as eras os crentes foram chamados a expressar a sua fé e responder as questões do espírito da sua época. Os cristãos Judeus do primeiro século tiveram que responder como deveria ser o relacionamento da antiga aliança e a nova aliança em Cristo. A comunidade cristã do final do século primeiro teve que ter uma resposta de como deveria ser o relacionamento com filosofia gnóstica. Os reformadores tiveram que dá uma resposta aos desvios da Igreja no século XV, e dizer como deveria ser seu relacionamento entre a verdade bíblia e as práticas pagãs. A cristandade europeia do século XIX teve que ter uma resposta bíblica para a alta crítica das Escrituras.[1] Os cristãos contemporâneos têm diante dos olhos a desafio de pregar a verdade cristocêntrica em um mundo marcado pelo relativismo intelectual.
O livro “Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo” é uma ferramenta indispensável para acadêmicos e leigos que desejam apresentar a verdade do Evangelho de maneira bíblica e coerente. A proposta principal da obra é apresentada pelo próprio autor na introdução do livro. Segundo ele “a presente obra (com base em sua obra anterior: Evangelicalism and the Future of Christianity) visa fazer uma consideração da coerência intelectual do evangelicalismo com vistas a considerar qual poderá ser seu futuro num mundo ocidental pós-moderno, com suas ideologias competitivas e teorias de legitimação amplamente divergentes.” (McGrath p. 9). Para Alister o evangelicalismo já “amadureceu” o suficiente para continuar na defensiva no campo intelectual.
Ex-ateu Alister McGrath é teólogo cristão, apologista, professor de Teologia, Religião e Cultura, na King's College, de Londres e pesquisador sênior do Harris Manchester College.[2] Possui pós-doutorado em biofísica molecular e doutorado em teologia pela universidade de Oxford.[3] De linha reformada e Calvinista McGrath tem concentrado seus estudos na área da história do pensamento cristão, com ênfase particular na relação entre as ciências naturais e a fé cristã. O pensamento de Alister tem atravessado o oceano tem chegado até nós com boas recepções. O público brasileiro tem recebido de bom grato às obras deste grande pensador moderno. A prova desse fato pode ser vista nos livros já traduzidos para o português ao longo dos últimos anos: “O Deus desconhecido” (Loyola, 2001), “A vida de João Calvino” (Cultura Cristã, 2004), “Teologia sistemática, histórica e filosófica” (Shedd, 2005), “Fundamentos do diálogo entre ciência e religião” (Loyola, 2005), “Um vislumbre da face de Deus” (Loyola, 2005), “O delírio de Dawkins” (Mundo Cristão, 2007).
A obra é divida em uma, densa e necessária, introdução e cinco capítulos, os quais trazem de forma sintética e ao mesmo tempo densa as bases nas quais o evangelicalismo se apoia para enfrentar os desafios intelectuais da erudição da nossa época tais como o pós-modernismo, pós-liberalismo e o pluralismo religioso. Na introdução McGrath apresenta-nos quatro razões, pelas quais, o evangelicalismo não se engaja no campo intelectual: O legado fundamentalista, que divorciou a teologia acadêmica dos cristãos; A aliança com critérios pragmáticos que enfatizam o crescimento da igreja e a pregação antropocêntrica; A secularização da teologia acadêmica, que afastou os teólogos da realidade vivenciada pelas igrejas; e o elitismo da teologia acadêmica, que era diferente da teologia populista do evangelicalismo.
No capitulo primeiro, McGrath discorre sobre a singularidade da pessoa e obra de Jesus Cristo. Para ele o cristianismo é singular entre todas as religiões do mundo. A razão de sua singularidade é “a figura histórica que se constitui no seu centro – Jesus Cristo” (MCGRATH, p. 23). Ele afirma ainda que o Evangelicalismo é enfático em afirmar não meramente a singularidade de Cristo, mas também a sua natureza definitiva. A autoridade de Cristo reside em seu ensino. A autoridade desse ensino não é inerente, mas deriva de sua correlação com princípios morais já existentes. Qualquer autoridade que ele possua é derivativa, em vez de ser inerente.
McGrath, entretanto, lembra que esta tese que enaltece a pessoa e obra de Cristo vai de encontro com a visão pós-moderna que teve a sua gênese no iluminismo, a qual coloca como rainha de todas as ciências a razão humana. A fim de mostra que Jesus não é apenas uma ideia, mas sobre tudo uma pessoa que carrega sobre se todos os valores necessários para que uma cosmovisão seja sustentada, McGrath apresenta cinco aspectos evidenciam a importância de Jesus: sua pessoa e sua obra. O primeiro é o revelacional: “para os cristãos, Jesus é a personificação e a auto-revelação (sic) de Deus”, diz o autor. Assim, Jesus não uma ideia e sim uma pessoa. Com a encarnação o que era μετα (metà = depois de, além de) que se tornou Φυσις (physis = natureza ou física). Em segundo lugar, Jesus tem importância singular na soterologia, uma vez que só há salvação nele e por meio dele. Em terceiro lugar, McGrath destaca a importância mimética de Jesus, o qual é mais para o cristão não apenas um exemplo moral, é a certeza de conformidade a sua imagem. Em quarto lugar Jesus tem importância doxológica, uma vez que (mesmo que a razão humana não entenda) ele é a motivo e o meio da adoração ao Deus único. Finalmente, Jesus tem uma singular importância querigmática, já que ele é a mensagem a ser proclamada.
No segundo capítulo, o assunto abordado é a autoridade da Escritura. McGrath inicia destacando que “o princípio da suficiência da Escritura é de importância central para o evangelicalismo” (MCGRATH, p. 45). Para ele, aqui é, talvez, o ponto que o evangelicalismo mais mostra continuidade com a reforma. Como a reforma o evangelicalismo faz uma necessária conexão entre a escritura e a pessoa e obra de Cristo. Segundo o autor, “a Escritura está literalmente centrada em Cristo e Cristo está nela envolvido. Só por meio da Escritura ele pode ser conhecido” (MCGRATH, p. 46). No centro do evangelicalismo há uma intima ligação entre o Deus encarnado (Jesus) e o Deus revelado (Escritura).
O autor destaca que a “crise de autoridade bíblica”, que fora apresentada na modernidade, é um paradoxo, já que, o número de cristãos que consideram a Escritura como autoridade está aumentando e o de liberais diminuindo. Para o autor falar em “crise”, leva a sérios erros. Segundo ele, a razão da crise é conceito de autoridade no pensamento moderno. MrGrath destaca também a luta de muitos teólogos de não permitir que nada fora da herança cristã torne-se norma e minimize a autoridade da escritura. Ao longo da história vários movimentos (tais como teologia imperial dos dias de Constantino e a ditadura de Adolfo Hitler) tentaram exercer controle sobre o cristianismo. Diziam que os cristãos deveriam se libertar da autoridade da Escritura. Entretanto, Alister observa que “muitas vezes os libertadores da Escritura passam a encerrá-la imediatamente dentro de sua visão de mundo” (MCGRATH, p. 55).
Dentro das abordagens rivais, o autor apresenta-nos quatro, as quais muitas vezes, de encontro à autoridade das Escrituras, a saber: cultura, experiência, razão e tradição. No que se refere à cultura, muitos liberais têm afirmado que “a teologia deve buscar sua legitimação e justificativa pública engajando-se com a cultura ocidental” (MCGRATH, p. 55). A crítica principal feita pelo autor a esta tese é que com “o surgimento do nazismo e stalinismo já têm tornado muitíssimo claro, tendências culturais precisam ser criticadas” (MCGRATH, p. 60). A cultura é mutável e tem suas particularidades em cada povo. Isso exigiu que o cristianismo sempre procurasse algo imutável e que transcendesse as particularidades culturais, isto é, a auto-revelação de Deus (Escritura). Abordando a experiência o autor assevera que duas abordagens podem ser observadas: a primeira, defendida por escritores liberais, é de que a experiência provê um recurso fundamental para a teologia; a segunda, defendida pelo evangelicalismo, afirma o oposto, a teologia oferece uma estrutura interpretativa pela qual a experiência humana é interpretada. McGrath crítica esta dualidade afirmando que não há espaço na teologia para um divorcio entre estas duas verdades. Para ele “a experiência e o entendimento são como dois lados da mesma moeda que reforçam e embelezam um ao outro” (MCGRATH, p. 74).
A tentativa de elevar a autoridade da razão aconteceu com o surgimento do Iluminismo, o qual asseverava que o conhecimento deve ser universalmente acessível, logo, o homem capacidade racional de ter acesso ao conhecimento de Deus. Mcgrath lança luz no assunto diferenciando razão (a faculdade básica do ser humano de pensar) e racionalismo (“dependência exclusiva somente da razão humana”). Em seguida o autor apresenta os estágios que resultaram no racionalismo: o primeiro como o evangelho era racional, seria natural “demonstrar que o cristianismo fazia sentido e se apoiava em fundamento completamente razoáveis”; o segundo, diz respeito à argumentação (presente nos pensadores da Inglaterra e da Alemanha) de que o cristianismo era racional. Sendo racional a fé deve ser capaz de ser deduzida em seu todo pela razão humana. Entretanto, o deus postulado pela razão está preso aos limites da razão e não pode ser o Deus do Teísmo que é infinito. Finalmente, há os que postulam que a razão deve ser a autoridade em matéria de fé e onde a Escritura está em “desacordo” com a razão deve ser vista com errada e enganosa. A tradição é útil no estudo das Escrituras. Ela é importante entender como a Bíblia foi entendida ao longo da história. Todavia ela deve ser vista sempre como serva e nunca como mestra. Após apresenta as quatros abordagens rivais (cultura, experiência, razão e tradição). Finalmente, McGrath aborda ao valor da erudição bíblica vista nos últimos dias por meio do estudo do gênero narrativo. O autor conclui asseverando que a chamada crise de autoridade é enganosa e que o evangelicalismo tem reafirmado a autoridade das Escrituras.
Após ocupar-se com a coerência interna dentro do evangelicalismo, o autor passa a abordar uma questão mais ampla: “a coesão e resiliência do evangelicalismo em face de seus rivais intelectuais e teológicos no mundo contemporâneo” (MCGRATH, p. 99). O obejeto de estudo do terceiro capítulo é o “pós-liberalismo”, o qual surgiu a partir da desilusão com o liberalismo teológico a partir da década de 60. Citando William C. Placher, Alister apresenta três características fundamentais do pós-liberalismo: a primazia da narrativa como uma categoria interpretativa para a Bíblia; a primazia hermenêutica do mundo criado pelas narrativas bíblicas sobre o mundo da experiência humana; a primazia da linguagem sobre a experiência. McGrath preocupa-se também em definir liberalismo como “a posição teológica, até aqui característica de muito da cultura ocidental”. Entretanto, a fim de elucidar a definição supracitada o autor explorar as origens do liberalismo em geral. Por meio de uma análise histórica, o autor mostra que o liberalismo tem tentado, ao longo dos anos, conciliar doutrinas fundamentais para a fé cristã com os elementos do espírito de cada época.
Em seguida, o autor, aborda “a teologia pública”. Ele assevera que as suas proposições, das quais ele destaca três, são falhas: Em primeiro lugar elas abstrações improdutivas; Em segundo lugar ela é pouco mais do que uma rendição à cultura secular; 3) A tese de que a linguagem e os valores da cultura secular são universalmente válidos não é mais levado a sério. Alister destaca que estes pensadores parecem ter deixado passa o fato de que o iluminismo chegou ao fim. Na sequência, o autor apresenta a crítica pós-liberal do fundamentalismo liberal. Os liberais haviam maximizado o status do secularismo tornando-o, erroneamente, digno de crédito para o cristianismo. Já o pós-liberalismo evitou essa suicídio apologética.
Macgrath apresenta a seguir uma crítica evangélica do pós-liberalismo. De início lembra que qualquer crítica do gênero precisa ser prefaciada por uma recomendação de suas virtudes, das quais ele destaca três: Primeiro, sua ênfase na importância distinta do cristianismo, e sua recusa estudada e respaldada em seguir a precipitação forte do liberalismo na corrida para identificar a verdade do evangelho como normas culturais liberais de fins do século XX, começando na América. Segundo, sua insistência na Escritura como fonte suprema de ideias e valores cristãos. Finalmente, sua reafirmação da centralidade da pessoa de Jesus Cristo dentro da vida e pensamento da igreja cristã. As críticas apresentadas por McGrath têm como alvo três grandes pensadores pós-liberais: Lindbeck, Hauerwas e Frei e são feitas por meio de perguntas: O que é verdade? Por que a Bíblia? Por que Jesus Cristo? Ao responder estas perguntas o autor mostrar a inconsistência do pós-liberais a assim como o liberalismo o foi.
No quarto capítulo o objeto de estudo é o evangelicalismo e pós-modernismo. O propósito do mesmo, segundo o autor, “é explorar os contornos deste movimento do pós- modernismo, e avaliar as implicações para o evangelicalismo nesse contexto” (MCGRATH, p. 137). De início define historicamente o pós-modernismo e destaca que o mesmo é uma reação ao iluminismo que nasceu na Europa Ocidental e cresceu na América do Norte, o qual tinha por característica principal a completa confiança na razão humana. Em outras palavras, tudo que o homem precisava saber sobre a vida e a moralidade pode ser pode ser adquirido pela razão.
Consequentemente, tudo que é sobrenatural deve ser descartado, uma vez que, não passa pelo crivo da razão. O extremo dessa ideia foi à morte de Deus defendida por Nietzsche. Entretanto, o tempo mostrou que isso era pouco mais do que um sonho.  Os ideais do Iluminismo ruíram e o razão chegou ao fim. O “pós-modernismo” é um resultado direto do colapso dessa confiança na razão e o iluminismo passou a ser cada vez mais uma voz que vem do passado, com uma importância cada vez menor para a apologética evangélica e para a reflexão teológica.
Curiosamente, entretanto, o iluminismo influenciou o evangelicalismo especialmente em Princeton, por meio de homens como Charles Hodge, Archibald Alexander e B. B. Warfield, e mais recentemente pelos escritos de Carl Henry, Francis Schaeffer, dentre outros. Além disso, McGrath afirma que certas ideias iluministas foram trazidas a bordo sem críticas por muitos evangélicos, o que teve um efeito negativo para o mesmo.
De que forma essa influência do iluminismo se mostra? Para o autor quatro áreas podem ser identificadas: Em primeiro lugar, a natureza da Escritura. Segundo o autor existe uma tendência dentro do evangelicalismo (que está em declínio) de tratar a Bíblia simplesmente como uma fonte de doutrinas cristãs, e de negligenciar, suprimir ou negar seu cunho narrativo. A segunda influência é no campo da espiritualidade onde existia uma tendência vê-la em termos de entendimento do texto bíblico e entendendo seu fundo histórico e seu sentido para hoje. Logo ainda existe uma primazia na razão e no raciocínio. O iluminismo influenciou também a apologética. O evangelicalismo trabalha dentro das fronteiras da razão. Nele sempre ouve uma voz apregoava as credencias da fé cristã. Finalmente o iluminismo influenciou o evangelismo. O evangelicalismo se interessa em persuadir as pessoas da verdade do evangelho sendo entendida de modo fortemente racional como “correção proposicional”.
Em seguida, o autor, aborda a “morte da modernidade”. Para ele “a pós-modernidade é uma noção vaga e mal-definida (sic), que talvez pudesse ser descrita, em determinado plano, como a perspectiva intelectual geral que surge após o colapso da modernidade” (MCGRATH, p. 151). Sendo assim, ele nada mais é senão o fruto da desilusão fundamental com os grandes temas da modernidade. O autor lança luz no assunto apresentando as diferenças entre modernidade e pós-modernidade por meio de contrastes estilísticos. A conclusão que McGrath chega é que o evangelicalismo demonstra um alto grau de poder de elasticidade e coerência em face aos desafios muito diferentes colocados pela totalização iluminista e fragmentação pós-moderna. Ele continua a defender coerentemente que a verdade realmente existe e ela se encontra no cristianismo.
O objeto de estudo do quinto e último capítulo é “Evangelicalismo e Pluralismo Religioso”. O autor abre o capítulo asseverando que “o evangelicalismo afirma de maneira segura que o evangelho cristão é singular, e não pode ser confundido ou identificado com nenhuma outra religião ou filosofia de vida” (MCGRATH, p. 169). Esta afirmação faz-se necessária diante pluralidade de ideias presentes no âmbito religioso (realidade que já fora vista no tempo de Paulo e não é nova como parece ser), as quais são mais bem vistas como uma subcategoria de pluralismo intelectual e cultural consequência do colapso da ideia do lluminismo de conhecimento universal.
O autor faz também uma necessária distinção “pluralismo descritivo” e o “pluralismo prescritivo”. Para o autor, ambas as formas de pluralismo são fatalmente falhas e repletas de contradições internas, e deixam de corresponder com o mundo como realmente ele é. Eles só fazem sentido para os que estão totalmente pré-compromissados com elas por razões culturais. Logo, a asseveração de que todas as religiões podem devem ser equalizadas, pois possuem os mesmos ensinamentos, é uma falácia, uma vez que conceitos fundamentais como, por exemplo, natureza e mediação da “salvação”, Deus, dentre outros assuntos são diferente nas mais variadas religiões.
McGrath aborda ainda um assunto necessário: o diálogo entre as religiões. Para ele o respeito mútuo, da parte de cristãos para com os não cristãos, e vice-versa, pode ser expresso em diálogo. Entretanto não pode ser conduzido na base de uma atitude profundamente condescendente como a que julga que “todo mun­do está dizendo a mesma coisa”. Isso porque para os pluralistas a multiplicidade de conceitos sobre o exercício da fé, das crenças (Deísmo, Teísmo, ateísmo, politeísmo, seja quanto for), compreende a essência do pensamento humano e seu direito em crer ou deixar de crer no que quiser, sem ser discriminado por isso. A crença do individuo e sua verdade. Para eles pode-se até dialogar, desde que haja “tolerância”, o que para eles é quase um sinônimo de concordância.
Todavia dialogar implica em respeitar, não concordar. Nossa “tolerância” termina onde a verdade absoluta começa. Como cristão devemos ter uma postura apologética em relação a este assunto. Creio que a situação chegou onde estar, porque os cristãos tem pecado por omissão.  O autor compartilha desta ideia quando diz:

Se um pluralismo ingênuo já ganhou o controle no mundo acadêmico, é em parte porque os evangélicos têm permitido que isso seja feito, ao deixar de articular uma interpretação crível, coerente e convincente, e cristã, do lugar das religiões do mundo, e de assegurar que isso seja ouvido e notado na arena pública.

Sendo assim, o evangelicalismo reconhece que o cristianismo existe no meio de uma pluralidade de religiões, na qual deve existe um respeito mutuo. Todavia, o evangelicalismo não vê necessidade nenhuma de se afastar ou retirar de algo das convicções da fé cristã por causa desse respeito. Assim, ele afirma a particularidade da fé cristã, e pede que sua integridade seja respeitada, e que se resistam às pressões culturais para homogeneizar suas crenças e pretensões. Existem diferenças fundamentais entre o cristianismo e as demais religiões e elas devem ser afirmadas publicamente e levadas à prática. (MCGRATH, p. 177).
Essa cosmovisão apresentada por McGrath faz com que sua obra seja sem dúvida uma das melhores obras para se compreender a evangelicalismo americano com a cultura intelectual contemporânea. Usando uma boa metodologia cientifica, o autor aborda o assunto proposto de forma didática e dentro de uma sequencia sistemática e lógica. Discute o tema com grande clareza mostrando um vasto conhecimento do assunto e um grande poder de síntese.
A grande contribuição da obra reside apresentar a coerência intelectual interna do evangelicalismo e conclamá-lo para que se alicerce na verdade revelada (Jesus Cristo) e não em pressupostos extrabíblicos. Na obra, também, fica claro o propósito de apresentar e discute “a coerência intelectual do evangelicalismo com vistas a considerar qual poderá ser seu futuro num mundo ocidental pós-moderno, com suas ideologias competitivas e teorias de legitimação amplamente divergentes”, e ele faz isso com eficiência e clareza.
Todavia, por se tratar de um livro traduzido, apresenta-nos realidades que não se encaixam no contexto brasileiro, mesmo reconhecendo que nossa cultura e teologia são extremamente influenciadas pela americana. Fica difícil, também, compreender certos “links” apresentados pelo autor sem o conhecimento do conteúdo do livro “Evangelicalism and the Future of Christianity” (não traduzido para o português) que é usado como base para a escrita da presente obra.
Apesar disso, o livro é extremamente útil, principalmente para a teologia apologética.[4] McGrath apresenta-nos uma apologética que é mais que uma defesa acadêmica. Ele a coloca âmbito mais geral e como um “estilo” de vida presente nas mais variadas camadas da sociedade atual, centralizada união da verdade e da confiabilidade da revelação cristã relacionando-as com a situação humana e de demonstrar-lhe seu potencial transformador. Para isso, é essencial usá-la como diálogo, como um meio de proclamação do evangelho de forma criativa e usando todos os recursos possíveis, deste os recursos literários, das ciências naturais, dos recursos da mídia atual, dentre outras.
Creio que a tese de McGrath está correta. O cristão do mundo atual precisa ter uma resposta que se preocupe em não ser contraditória e incoerente, como é a pós-modernidade com o seu relativismo; mas que resgate o valor de um empreendimento que se dedique a aliar nosso desejo e certeza de que a Bíblia é a Revelação de Deus (e única verdade absoluta) e contém as respostas adequadas às dúvidas mais profundas e sinceras dos corações dos homens, levando-os não apenas ao convencimento, mas a transformação da sua mente na mente de Cristo.  Como corretamente assevera Francis Schaeffer a apologética não deve ser usada como um conjunto de regras fixas e impessoais, mas que a explanação da fé deve estar sujeita à direção do Espírito Santo e à consciência da individualidade de cada pessoa.
Com a leitura do texto é possível perceber que o a solução para os problemas do mundo moderno não é estudá-los apenas numa perspectiva sociológica e antropológica, mas também bíblica teológica. Fica claro que uma das coisas que mais precisamos é olhar para o passado e busca verdades esquecidas ao invés de bebermos das soluções pragmáticas atuais. A solução não está em remodularmos o pensamento cristão aos pressupostos do passado, pelo contrario precisamos resgatar a teologia história que centrar-se em Cristo como aconteceu na reforma. O D. Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, [e por que não dizer da nossa sociedade] é olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: “foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido. [5]
Outro ponto forte da obra é sua ênfase na pessoa e obra de Cristo. Em um mundo de vazio teológico precisamos, de fato, resgatar umas das doutrinas mais desprezadas nos últimos anos, isto é, a cristologia. Precisamos mostrar a centralidade de Cristo no Evangelho da salvação. Muitas pessoas estão buscando algo que substitua a fé por alguma moda que tenha um colorido cristão. Todavia, Cristo é único suficiente para vida cristã. O legado deixado por ele nos aponta o verdadeiro caminho para o céu, em que todo eleito tem uma herança guardada e preservada pelo próprio Deus. E, a única coisa a fazer para desfrutar desta gloriosa herança, é andar em Cristo, o único e suficiente caminho. A cruz é o único método de Deus para a salvação da alma do homem e plenitude de sua vida.
Sendo assim, obra é indicada para todos aqueles desejam conhecer o evangelicalismo americano dentro de um viés apologético. Obra é uma ótima ferramenta para o entendimento da matéria. Ela também traz no final, ricas referências bibliográficas. Por isso, para todos estudiosos e interessados em conhecer a cosmovisão coerente do evangelicalismo, este é um livro que não pode faltar na biblioteca.




[1] Ver David, Powlison. Integração ou inundação? In: Michael S. Horton, Religião de Poder. Cultura Cristã.  p. 157.
[2] Dados disponíveis em: Acessado em: 11 de Abril de 2012
[3] Dados disponíveis em: Acessado em: 11 de Abril de 2012
[4] Apologética (do latim tardio apologetĭcus, através do grego ἀπολογητικός, por derivação de “apologia”, do grego απολογία: defesa “verbal”) é a disciplina teológica própria de certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias.
[5] Lloyd-Jones apud Neto. NETO, F. Solano Portela. A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje. Fides Reformata. v.2, n.2. jul/dez, 1997. p.29.

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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