Pr. Jailson Santos

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PREGAÇÃO CRISTOCÊNTRICA





“Esta é a era de sermõezinhos: e sermõezinhos fazem cristãozinhos” (Eby, 2001, p. 38).  Essa frase dita por Michael Eby é o diagnóstico da realidade vivida em muitas igrejas contemporâneas. Em algumas comunidades, a centralidade do culto não é mais a pregação expositiva e cristocêntrica da Palavra, ao contrário, reside na animação (o louvor, os teatros, as coreografias). Os cultos têm sido mais antropocêntricos do que logocêntricos. A pregação da Pessoa e Obra de Cristo tem sido esquecida e até mesmo abandonada. Além disso, não são poucos os pregadores que pregam mais para massagear o ego do que para apontar o pecado. Pregam mais para agradar a clientela do que a Deus. O fato é que muitos cristãos estão se desviando da verdade. MacArthur (1997, p. 130) nos alerta com as seguintes palavras:
Os que desejam colocar a dramatização, a música e outros meios mais sutis no lugar da pregação deveriam levar em conta o seguinte: Deus, intencionalmente, escolheu uma mensagem e uma metodologia que a sabedoria deste mundo considera como loucura.

            Essa dificuldade não é nova. A Igreja de Colossos enfrentava a mesma dificuldade que enfrentamos hoje. Nossos irmãos do passado estavam sendo levado por uma pregação, que ao mesmo tempo em que ficava aquém de Cristo, ia além dele. Paulo os exorta da seguinte forma:

...permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro. (Colossenses 1.23, ARA)

Paulo encoraja os cristãos de Colossos para resistir aos agrados dos falsos mestres e continuar a crescer no conhecimento de Cristo. Com isso, ele quer confrontar os colossenses com a realidade de que sua salvação depende do fato deles permanecerem fiéis[1] a Cristo e ao evangelho verdadeiro (Melick, 2001). Como podem os colossenses continuar na fé? O Apóstolo mostra que positivamente, eles deveriam permanecer firmes; e negativamente, não se afastando da esperança do evangelho de Cristo.  Paulo exorta os colossenses a concentrarem-se na esperança, que vem através da resposta ao evangelho, em distinção a falsa esperança de ser realizada pelos falsos mestres (MELICK, 2001).
Além disso, o apóstolo lembra aos colossenses que o evangelho pregado por ele é o único dado pelo próprio Cristo e não há outro. Este, sem dúvida, contrasta com as visões sectárias que eram propagadas entre os colossenses, por aqueles que estavam apresentando outro evangelho. Este lembrete mostra uma dupla afirmação sobre a verdade do evangelho: 1) Foi o mesmo pregado em toda a criação, e é o que Paulo tem pregado. 2) O elemento central do evangelho é a Pessoa e a Obra de Jesus (MELICK, 2001). 
Paulo mostra que o Evangelho de Cristo é o centro das Escrituras! Aos judaizantes que queriam interpretar a Escritura sem considerar a Pessoa e Obra de Cristo, o apóstolo assevera, nesta carta e em outras, que toda a Escritura fala direta ou indiretamente sobre Cristo. :
Agostinho, seguindo esta ideia, afirma que o cânon bíblico, inclusive o Velho Testamento (que os judaizantes tanto seguiam), deve ser abordado como uma unidade cristocêntrica (Apud Anglada, 2006, p. 125). Em outras palavras, um evento na vida dos patriarcas, um episódio da vida de Davi, uma experiência dos profetas não podem ser apresentadas como uma cena isolada, mas como uma unidade cristológica. Thomas Adams (Apud Anglada, 2006, p. 100) afirma que Cristo é “a suma de toda Bíblia, profetizando, tipificando, prefigurando, exibido, demonstrado, a ser encontrado em cada folha e em cada linha”.
Os reformadores também afirmavam que as Escrituras deveriam ser interpretadas e pregadas de forma cristocêntrica. O princípio cristológico ou cristocêntrico reformado de interpretação e pregação das Escrituras afirma que Cristo é a chave e o centro tanto em uma como em outra. A Bíblia, do início ao fim, se refere a Ele, se concentra nele e dá testemunho dele (Anglada, 2006, p. 179,180). Lutero assevera que “se olharmos seu significado interior, toda Escritura é somente sobre Cristo em todo lugar, ainda que superficialmente possa parecer diferente” (Apud CARDOSO, pp. 57-79).
Para Calvino (apud Anglada, 2006, p. 125), “Cristo é a substância, escopo e essência da revelação bíblica, e só é possível compreender as Escrituras, se elas forem lidas ‘com o propósito de encontrar Cristo nelas’”. Assim, Cristo é o tema central tanto de Velho como do Novo Testamento. Este ensino bíblico apostólico visto nestes personagens da ortodoxia eclesiástica nos lembra da necessidade do reconhecimento da centralidade de Jesus Cristo (sua pessoa e obra) na interpretação e pregação das Escrituras.
Chapell (2002) em seu livro “Pregação Cristocêntrica”, mostra-nos que, em todas as pregações (seja no AT ou no NT), devemos considerar o que ele mesmo chama de “FCD - Focalização da Condição Decaída”. Citando Thomas F. Jones ele afirma:
A verdadeira pregação cristã precisa centralizar-se na cruz de Jesus Cristo. A cruz é a doutrina central dos santos escritos. Todas as outras verdades reveladas, ou encontram seu cumprimento na cruz, ou são necessariamente fundamentadas sobre ela. Portanto, nenhuma doutrina da Escritura pode fielmente ser apresentada aos homens a menos que se torne manifesto o seu relacionamento com a cruz. Aquele que é vocacionado para pregar, portanto, deve pregar a Cristo, pois nenhuma outra mensagem há que proceda de Deus (apud CHAPELL, 2002, p. 294).

Diante disso, devemos entender que a pregação da Bíblia só será entendida de forma clara e completa se feita numa perspectiva Cristocêntrica. Não devemos pregar outra coisa senão Jesus Cristo Ressurreto. Uma pregação separada do centro, na melhor das hipóteses, trará uma moral edificante, mas jamais será uma pregação bíblica (Veer, 2011). Como assevera Chapell (2002, p. 290) “uma mensagem que meramente defende a moralidade e a compaixão permanece na condição de mensagem não integralmente cristã, mesmo que o pregador seja capaz de provar que a Bíblia exige tais ensinamentos”.
Hoje em dia, não são poucos os sermões pregados que jamais mencionam a Cristo. Há outros, que Jesus Cristo é mencionado, mas a atenção dos ouvintes é direcionada para aplicações legalistas, psicologisadas e acima de tudo antropocêntricas. A fim de agradar o homem, a igreja tem pregado um evangelho que deixa de lado o Deus-Homem.
A igreja e a pregação andam juntas, ou elas resistem ao secularismo ou ambas caem juntas; no dizer do Dr. Martin Lloyd-Jones: “a mais urgente necessidade da igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica” (apud Eby, 2001, p. 37). C. H. Spurgeon aconselhava os seus alunos que apegassem a verdade e anunciassem todo o conselho de Deus, ao invés de cederem às pressões da época e agradarem aos seus ouvintes. E ensina:

Sinto-me na obrigação de dizer que nosso objetivo não é agradar a clientela, pregar para satisfazer a nossa época, acompanhar o progresso moderno [...] Não procuraremos ajustar a nossa Bíblia a esta época [...] Não vacilaremos; não seremos orientados pela congregação, mas teremos o olhar fixo na Palavra infalível de Deus e pregaremos segundo as suas instruções... (apud Anglada, 2006, p. 31).

Diferente da igreja de Colossos, que precisava permanecer na verdade, nós precisamos voltar à verdade. Calvino, diante da realidade da igreja na qual vivia antes da reforma, chegou à seguinte conclusão: “Se eu me voltar para a verdade que está contida nas Escrituras, não estaria voltando para a Igreja? Não pode haver igreja onde a verdade não esteja” (apud Fisher, 1961, p 90,91). Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, é olhar para trás”. Lutero e Calvino, diz Lloyd-Jones: “foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido” (LLOYD-JONES, 1994, p. 2-5).
A Igreja precisa voltar a um princípio reformado “Sola Scriptura”, e ao tempo dos apóstolos, quando a pregação não era outra senão a pessoa e obra de Cristo. Vivemos em dias em que a metodologia humana tem tomado o lugar da pregação do divino Filho de Deus. A sabedoria e métodos humanos tem substituído a Palavra de Cristo. Entretanto, não precisamos de novos métodos humanos, mas de velhos homens de Deus, dispostos a voltar para as Escrituras e pregá-la de maneira cristocêntrica. A verdade apresentada por Paulo aos cristãos de Coríntios precisa ser trazida à nossa memória: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação”. (1 Co.1.21). Calvino (2006, I. VII. §I) comentado este texto relata:

Portanto, o Apóstolo argui, não sem razão, que a dos coríntios estava fundamentada no poder de Deus, não na sabedoria humana, porque por entre eles sua pregação se tornara recomendável não em virtude de palavras persuasivas do saber humano, mas em demonstração do Espírito e de poder, porque a verdade se dirime de toda dúvida quando, não se apoiando em suportes alheios, por si ela própria é suficiente para suster-se.

Diante das evidências bíblicas, históricas e teológicas, parece impossível pregar eficazmente excluindo Cristo. A relevância desta verdade está no simples fato de que toda redenção da alma e plenitude da vida giram em torno de Cristo. Além disso, o homem não pode por si só alcançar absolutamente nada; tudo vem por meio de Cristo. Cristo é superior a tudo! A supremacia de Cristo é o que direciona a mensagem. Não existe um meio de transformar o indivíduo sem apresentar Cristo, pois não há salvação em nenhum outro (At. 4.12). Somente a pregação cristocêntrica é poderosa para transformar o homem de perdido para redimido, de pecador para santo. O conselho de Paulo é valido a nós: “Pois não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor” (2 Co. 4.5).
Em suma, a mais urgente necessidade da igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica e cristocêntrica da Palavra. A falta de conteúdo cristocêntrico nos púlpitos de muitas igrejas nunca se fez tão visível como nos dias de hoje. Não são poucos os que dizem que estão “ungidos” por Deus e com a desculpa de que é o Espírito Santo que fala, tem deixado de pregar o evangelho de Cristo e tem pregado suas próprias ideias. A sabedoria humana tem sido maximizada e a grandeza de Cristo minimizada. Stott (2005, p. 32) estava com razão quando afirmou:

A pregação não existe para a propagação de ideias, opiniões e ideais, mas para proclamação dos poderosos atos de Deus [...] Palavra de Deus é essencialmente o registro e a interpretação do grande feito redentor de Deus em Cristo e através dele. As Escrituras dão testemunho de Cristo, o único Salvador dos pecadores. Assim, um bom despenseiro da Palavra será sempre um zeloso arauto das boas novas da salvação em Cristo.




[1] A exortação foi uma exortação verdade. Eles foram incentivados a continuar na fé. Não havia dúvida de que os crentes genuínos continuariam. Ainda mais, o fato de que eles fizeram continuar evidenciou a realidade dos seus compromissos (Cf. MELICK, 2001).


Veja os vídeos e baixe os slides da série as  sete igrejas do apocalipse.






















Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 2: 1-7

Slides: http://goo.gl/XaKbXy

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 2: 8-11



Slides: http://goo.gl/RZm3lA

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 2: 12-17

Slides: http://goo.gl/HCzOG5

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 2: 18-29

Slides: http://goo.gl/ZPGyAe

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 3: 1-6

Slides: http://goo.gl/w0sGNt

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 3: 7-13

Slides: http://goo.gl/vaJjRV

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Baixe os slides da primeira mensagem da série:


Apocalipse 3: 14-22

Slides: http://goo.gl/l5UPYt

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Um comentário:

  1. muito bom jailson santos, concordo plenamente com vc. JESUS CRISTO é o centro de tudo. e que DEUS chame mais homens como vc, que ensine a palavra da verdade ( JESUS)

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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