Pr. Jailson Santos

Seja Bem-vindo!

#Curta nosso blog

Role a página e encontre artigos, sermões e aulas

#Compartilhe nossas ideias

Use as redes sociais para nos ajudar a divulgar a fé reformada

Volte sempre que precisar

Nossa home fica aberta 24h!

Blog

Da interpretação a exposição (aula 1)



ASSISTA A APRESENTAÇÃO EM TELA CHEIA



ESTRUTURA E TIPOS DE SERMÃO[1]

A prédica é uma fala que desenvolve uma série de pensamentos. Para que esses pensamentos sejam inteligíveis, precisam estar dispostos dentro de uma certa ordem. É o que chamamos de estrutura da prédica. A função da estrutura é auxiliar o pregador a comunicar o conteúdo de sua prédica e o ouvinte a captar, assimilar e gravar tal conteúdo. Assim, a estrutura é um elemento essencial da pedagogia da prédica e, como tal, merece a maior atenção". (Kirst, 75).
A estrutura básica de qualquer sermão ou discurso é “começo, meio e fim!” A partir daí, então, ocorrem as variações. Não existe um padrão único de estrutura para a prédica. A estrutura deve variar de acordo com o texto, a situação dos ouvintes e o objetivo do pregador. Se o sermão vai ter um, dois ou três pontos, depende do texto ou do tipo de prédica escolhida.
Há três tipos de sermão:

TEMÁTICO: baseado em textos breves de onde se tira apenas o terna ou assunto. Nele nos voltamos para o assunto. Se o assunto é tirado de um texto, então tendo fornecido o assunto o texto não é usado como formador do pensamento que sustenta as ideias do sermão. O assunto é tratado conforme sua natureza e divisões e não segundo o texto. Muitas vezes o texto é apenas um moto. Neste caso temos que conhecer ou estudar bem o assunto e saber fazer perguntas ao tema ou ao assunto.
Neste tipo de sermão corremos o risco de apresentarmos um assunto mais por ser o do momento ou mais fácil de ser falado do que por ser bíblico, ou queremos colocar nossas ideias mais do que a Bíblia, estreitamos nosso horizonte de verdades a serem pregadas ou nos prendemos apenas a algumas necessidades humanas, muitas vezes a) partir de nós mesmos (Broadus).

TEXTUAL: é o sermão que deriva do texto o assunto e as divisões. Tira-se um único assunto de um texto e o discute-se em divisões sugeridas pelo próprio texto, mesmo que isso não seja a análise total do assunto. A importância aqui é seguir um só assunto, num só texto, com as partes relacionadas entre si. Muitas vezes as divisões são tiradas das palavras do texto.

EXPOSITIVO: baseado em textos longos de onde se extrai o tema, as divisões e o material das divisões. O sermão expositivo foi definido pelo Haddon W. Robison assim:

A pregação expositiva é a comunicação de um conceito bíblico, derivado de, e transmitido através de um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, que o Espírito Santo primeiramente aplica à personalidade e experiência do pregador, e depois, através dele, a seus ouvintes.

Um exemplo de estudo bíblico expositivo

Tema: Vendo a vida com as lentes certas
Texto: Salmo 73

Introdução:

Quando ainda estava no seminário percebi que não enxergava bem. Possuía dois tipos de problemas: Miopia e Astigmatismo. O primeiro não me permitia ver o que estava longe. O segundo me levava a enxerga de maneira turva o que estava perto.
Asafe sofreu desse mesmo mal só que em uma esfera maior da vida. Este salmo conta a história de alguém que por um tempo de sua vida não conseguiu enxergar com nitidez o que estava longe e viu de forma embasada o que estava perto. Em outras palavras, ele não conseguiu enxergar com nitidez a sua vida na perspectiva da eternidade futura e via de forma embasada o que estava acontecendo na sua vida no presente.
O salmo 1 que é uma espécie de prefácio do livro de salmos afirmou de forma categórica que a felicidade está no relacionamento com Deus. O verso 1 é uma síntese da mensagem principal do salmo 1. No entanto a visão turva de Asafe o levou a questiona esta tese.

Uma confissão surpreendente v. 2,3

“Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios” (salmo 73. 1,2). Asafe se viu tentado a busca a felicidade caminho dos ímpios. Na verdade, ele chegou a balançar e seus pés quase se desviaram. Seus olhos brilharam ao ver a prosperidade dos ímpios e por pouco ele não abandonou o temor do Senhor

Uma visão embasada do ímpio (vv. 4-12)

A descrição que o poeta faz dos ímpios consiste em duas partes, versículos 4-6 e 7-11. Cada uma dessas seções é dominada pelo pronome “eles” e conclui com uma muito importante conjunção “por isso” (vv. 6, 10 - NVI). Nos versículos 4-5 Asafe oferece as razões pelas quais, em sua cosmovisão, os ímpios desfrutam da Shalom (paz):

“Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens. Por isso o orgulho lhes serve de colar, e se vestem de violência. Do seu íntimo brota a maldade; da sua mente transbordam maquinações. Eles zombam e falam com más intenções; em sua arrogância ameaçam com opressão. Com a boca arrogam a si os céus, e com a língua se apossam da terra. Por isso o seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se. Eles dizem: "Como saberá Deus? Terá conhecimento o Altíssimo?” (Salmos 73.4-11)

Na visão de Asafe apresentada nos versos 4 a 6 os ímpios estão experimentando o tipo de “paz”, que segundo Asafe, só deveria ser experimentada pelos justos. Nos versos seguintes (7-11) ele assevera que os ímpios são totalmente autossuficientes e autônomos. Eles não precisam de Deus. Eles podem cuidar de si mesmos. Eles zombaram de Deus e vivem uma espécie de Deísmo moderno, isto é, eles não negam a existência de Deus, mas afirmam que ele é totalmente alheio ao que acontece na Terra.  Por esta razão, eles não temem retribuição divina. O que perturbou o salmista, no entanto, é que seu estilo de vida funciona, o que o leva a uma conclusão enfática: “Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas” (salmo 73.12). Observe, então, que com essas lentes turvas o salmista enxerga o caminho dos perversos como “uma forma alternativa viável para viver.”


Levando o pensamento às últimas consequências (vv. 13-14)

“Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado” (Salmos 73.13-14). À luz da prosperidade dos ímpios, o poeta conclui que sua tentativa de levar uma vida moral tem sido absolutamente em vão. Ele diz: “Eu não tenho seguido o conselho dos ímpios... eu não tenho me detido no caminho dos pecadores... eu não me assento na roda dos escarnecedores. Todavia, de que adianta a moralidade se a felicidade não me acompanhar?! Minha única recompensa para levar uma vida moral é sofrimento constante. Então, o que há de bom em ser justo?
Perceba no entanto, que o problema dessa visão de Asafe não é filosófico ou teológico! Ele tem raízes morais. O problema era no coração e não no intelecto e ele mesmo confessou isso: “Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional” (Salmos 73.21-22). Sua conclusão prática está enraizada no seu coração idolatra que troca a adoração e serviço ao Criador, para culto e serviço das coisas criadas. Ele amava essas coisas, mais do que o Criador. Ele está irado com o mundo e com Deus porque a inveja já tomou conta de seu coração. O coração idolatra de Asafe o fez ter uma visão embasada de quem os ímpios são; de quem Ele como justo; e quem Deus como soberano, é.

1.      UMA VISÃO ERRADA DE QUEM ELES, OS ÍMPIOS, SÃO

A interpretação distorcida da inveja é sempre míope. Ela fez Asafe se esquecer que o que a gente ver não é tudo que existe, isso porque o coração idolatra é hábil em ignorando a eternidade. Por essa razão, Asafe se esqueceu que este não é um destino final do homem. Este não é o lugar definitivo de paz, descanso e satisfação.

2.      UMA VISÃO ERRADA DE QUEM ELE COMO JUSTO, ERA

Se Asafe viu a vida dos ímpios com miopia, a si mesmo enxergava com lente de aumento

A)     A INVEJA COLOCOU ASAFE NO CENTRO DE SEU UNIVERSO.

A inveja resume o seu mundo aos seus desejos. A boa vida torna-se então a vida que ele disse que era boa para ele e a vida ruim assim era porque ele disse que não está recebendo o que ele queria ou precisava. Observe, então, que neste sistema, o mundo é avaliado apenas com base no que ele fazia ou pelo que ele não tinha. O problema, como bem observou Paul Tripp, é que a vida não é sobre Asafe, eu ou você. Nós não somos o centro do nosso mundo; Deus é.  O cumprimento dos meus desejos e necessidades não é a coisa mais importante do mundo; a vontade de Deus é.
A inveja quando está acompanhada da ira revela mais coisas ainda. Por que ele está irado? Porque eu e você nos iramos diante das dificuldades e da prosperidade do ímpio? Porque o meu reino não está sendo estabelecido. Porque a minha vontade não sendo feita. Por que meu nome não está sendo santificado. Em outras palavras, a inveja quando acompanhada de ira pinta nosso egoísmo com cores fortes!

B)     A INVEJA COLOCOU ASAFE DE JOELHOS DIANTE DE ÍDOLOS.

Como já foi dito, a inveja sempre coloca a criação no lugar do Criador. Asafe avaliou a vida com base em experiências físicas, relações e posses (coisas criadas). Eram essas coisas que ocupavam sua mente. A descrição detalhada da prosperidade dos ímpios revela o quanto ele se preocupava com essas coisas.  Termos aqui, então, uma definição de idolatria: “Se alguma coisa deste mundo é mais fundamental do que Deus para sua felicidade e para que você encontre significado na vida, então ela se tornou um ídolo para você, algo que suplantou Deus em seu coração e suas afeições. Você buscará essa coisa com um abandono e intensidade que devem estar reservados apenas para Deus (Tim Keller)”
Asafe deu para estas coisas status divino. Elas eram tudo que ele queria e tudo que sua alma ansiava. Ele achava que se tivesse estas coisas que ele invejava seria mais feliz. Teria mais satisfação” Mais uma vez as palavras de Tim Keller lançam luz sobre esse ponto:

Quando falamos em “Ídolos do Coração”, falamos do sentido que o coração do homem toma coisas boas como uma carreira de sucesso, amor, bens materiais, e até família, e faz delas seus bens últimos. Nosso coração as diviniza como se fossem o centro de nossa vida, porque achamos que podem nos dar significado e proteção, segurança e satisfação, se alcançarmos.

Por causa dessa idolatria, a INGRATIDÃO tomou conta de sua vida. Ele passou a olhar para o que não tinha e fechou os olhos para o que tinha. Como asseverou Paul Tripp nós temos a incrível capacidade de ficar na frente de um armário abarrotado de roupas e dizer que não temos uma coisa para vestir. Nós temos a capacidade de ficar na frente de uma geladeira cheia de comida e dizer que não há nada para comer. E nós temos a capacidade de ficar no meio das bênçãos que temos recebido de Deus e sentir como se estivéssemos pobres e necessitados. Miguel de Cervantes estava certo a dizer que “a inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas”. Os olhos de Asafe tomados pela inveja o fez olhar para o que ele não tinha e fechar os olhos para o que tinha.

C)      A INVEJA DEU A ASAFE UMA DIGNIDADE QUE NÃO ERA DELE.

Por que Asafe está irado dos ímpios terem essas coisas e ele não? Porque, para ele se tinha uma pessoa que merecia estas coisas, era ele e não os ímpios. Ele, na sua visão distorcida, era uma pessoa melhor do que o meu vizinho. Ele deveria ter estas coisas e não eles. A inveja o convenceu de que ele tinha feito o que na verdade ele nunca fez. De que ele era merecedor receber o que na verdade ele nunca deveria possuir.

3.      UMA VISÃO ERRADA DE QUEM DEUS COMO SOBERANO, É


Asafe enxergou Deus de forma turva. Ele o julga como sendo infiel, sem amor e sem bondade. Por que Deus foi parar no banco dos réus na descrição de Asafe? A resposta está no verso 13: “Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência” (Salmos 73.13). Se Deus desse o que ele queria então ele estaria satisfeito! Toda sua devoção seria útil! Observe, então, que a motivação de Asafe para fazer o que era certo, não era porque que isso glorifica a Deus e ele como filho foi criado para isso, mas porque fazendo isso receberia o que ele desejava. Ele não ama o Senhor pelo que ele é, mas pelo que ele pode fazer. A relação é de barganha, logo, Deus é um ídolo.

Um momento de lucidez em meio à crise (vv. 15-16)

Essa é a primeira que Asafe se dirige a Deus. Essa interrupção brusca marca um ponto de viragem importante no poema. No verso 15 o salmista descreve agora o impacto que uma resposta tão pecaminosa teria tido sobre os outros. Deve-se notar que momento preocupante do salmista começa, não isoladamente, mas como um membro de uma comunidade maior para a qual ele é responsável. No versículo 16 ele relata que, que encontrar uma resposta para pergunta: “Por que coisas "ruins" acontecem com pessoas "boas" e coisas "boas" acontecem com pessoas ruins? Por que justos sofrem e ímpios prosperam?” era uma tarefa grande demais para ele.
Aprendemos com Asafe nestes versos que diante dessa difícil questão, precisamos nos lembrar de duas coisas: Primeiro, são questões difíceis para a limitada mente humana entender. Segundo, que não é em vão que a luz em que Deus habita é chamada por Paulo de inacessível (1Tm 6.16). Por isso, como já dito na questão 1, nossa única atitude, diante disso, deve ser nos humilhar reconhecendo nossa pequenez e adorar reconhecendo a grandeza de Deus!

Enxergando a vida com as lentes certas (vv. 17-26)

O versículo 17 marca uma transição importante para um novo entendimento. É a entrada no santuário de Deus que permite uma visão sobre o destino dos ímpios. Consequentemente, a “solução” de problemas de cortar o coração do salmista transcende a sabedoria humana e sua resposta está além da era presente. Ela só pode ser entendida a partir de uma perspectiva escatológica que considera não apenas o aqui e agora, mas o lá e então. Essa nova lente leva Asafe a ver tudo a sua volta de maneira diferente. Observe que os fatos ainda são os mesmos, o que muda é a interpretação, fruto de uma nova cosmovisão. Asafe, então, passa a enxerga com nitidez: como os ímpios são; como os justos são; e como Deus é

a)      Como os ímpios eram

A entrada em santuário de Deus, permite uma visão sobre o destino dos ímpios. O ímpio na verdade, não ocupa uma posição segura. A prosperidade dos ímpios é de curta duração, mas seu sofrimento é eterno. Suas palavras são: Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína. Como são destruídos de repente, completamente tomados de pavor! São como um sonho que se vai quando a gente acorda; quando te levantares, Senhor, tu os farás desaparecer (Salmos 73.18-20). Com essa linguagem sombria ele descreve em pormenor o que já foi apresentado de forma resumida no Salmo 1.6b: “O caminho dos ímpios perecerá.” Vimos que no salmo 1 o caminho do ímpio é de auto destruição. Por si só ele perece. Ao contrário do Salmo 1.6b, no entanto, Deus está diretamente envolvido na sua destruição.

b)       Como Asafe era (vv. 21-22)

Em linguagem bastante forte, ele reconhece que se comportou como uma “besta bruta” com Deus. O sofrimento do justo é passageiro, mas sua prosperidade é eterna, verdade que contraria a aparente paz da vida do ímpio. Suas palavras são: “Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional (Salmos 7321-22).

c)      Quem Deus é (vv. 23-26)

Por estar cego pela inveja, Asafe admite enfaticamente que ele não reconheceu que, apesar de seu comportamento brutal, ele estava sempre com Deus (vs. 23a), uma admissão de que representa o outro lado da promessa de Deus aos patriarcas “Eu estarei sempre convosco”. Nessa nova visão de Deus Asafe o ver como sendo fiel, justo, sustentador, guia e sobre tudo razão de seu viver: “Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs. Tu me diriges com o teu conselho, e depois me receberás com honras. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis” (Salmos 73.23-27).
Agora a semelhança do profeta Habacuque Asafe pode cantar: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação” (Habacuque 3. 17,18).

Reafirmação da Fé (vv. 27-28)

Os versos finais (vv. 27-28) resumir jornada espiritual do salmista e, especialmente, a nova visão que ele ganhou nos versículos 18-20 e versículos 23-26 em termos de imagem espacial de “longe” e “próximo”. Este resumo funciona como grande reafirmação de sua fé: “Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos” (Salmo 73. 27,28).
O versículo 27 resume sua nova reorientação respeito dos ímpios. No verso 12 ele pensava que era possível ter paz e prosperidade longe da Lei de Deus. No verso 27 ele assevera que os que vivem longe da Lei de Deus estarão para sempre em tormentos. Essa é uma verdade certa e sem sobra de dúvidas: “Os que te abandonam sem dúvida perecerão.” Assim, a prosperidade (shalom) dos ímpios não é para sempre! Em vez disso, os ímpios, agora são definidos como aqueles que vivem “longe de Deus” (em suas ações e fala - vs. 11) e sem suas bênçãos. A autonomia (salmo 2 – rompamos este rei e sua palavra) não é um bom caminho nem no aqui e agora, nem no lá e então.
Finalmente observe que o termo “Bom” no verso 28 é, como bem observou Carl Bosma, a moldura do salmo. No verso de abertura (v. 1), o significado do adjetivo “bom” é ambíguo. À luz dos versos que se seguem, “bom” poderiam ser uma referência aos bens materiais. No entanto, no versículo 28 “bom”é definido, não em termos de propriedade ou prosperidade, mas a presença de Deus: “Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos”. Salmos 73.28

O que esse salmo fala sobre a História da Redenção (pessoa e obra de Cristo)

1.      A descrição de nossa vida sem Cristo

Este salmo apresenta uma descrição da vida sem Cristo: “Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína. Como são destruídos de repente, completamente tomados de pavor! São como um sonho que se vai quando a gente acorda; quando te levantares, Senhor, tu os farás desaparecer (Salmos 73.18-20).

2.      Nosso Salvador teve uma visão diferente da de Asafe

Nosso Salvador tinha tudo, mas se fez pobre por mim e por você. Ao invés de querer tudo o que era seu por direito, como Deus, Jesus estava disposto a abandonar tudo, para que nós pudéssemos ter o que é mais importante: Comunhão com Deus. A cruz de Jesus Cristo realmente é a única esperança para o coração invejoso, porque naquela cruz este pecado foi derrotado.

3.      Na eternidade não haverá a primeira parte desse salmo

Por causa de sua obra ele nos receberá na glória e nesse dia a inveja que produziu um coração como o de Asafe não mais existirá. No Novo Céu e na Nova Terra não haverá lugar paras as inclinações pecaminosas do nosso coração corrupto. Isso porque a obra de salvação de Cristo é abrangente, envolvendo não só de resgate da pena e do poder do pecado, mas também da corrupção do pecado. Nós, os que os que estamos em Cristo olhamos para o dia em que seremos libertos da inclinação pecaminosa, isto é, tentação interna, existente em nós. No seu retorno teremos nosso corpo transformado, experimentaremos de sua perfeição e pureza.

4.      A segunda parte do salmo é sombra do Novo céu e da nova terra

Em todo Antigo Testamento prometeu que o Rei da “paz” traria segurança e bênção para Israel na terra que ele mesmo lhes deu. Essa ideia ao que parece se estenderia a toda criação. O universo, em Cristo, um dia será trazido de volta para a sua ordem divinamente criada e determinada. Ele estará novamente sob a cabeça e paz cósmica voltará definitivamente. Lá nós vamos viver para sempre no seu reino e completamente satisfeito com sua pessoa.



[1] Essa primeira parte do material está presente na apostila COMO ESTUDAR A BÍBLIA, HOMILÉTICA E ORATÓRIA. Estudada no seminário JMC (Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição) Prof. Rev. George Alberto Canêlhas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

Imagens de tema por richcano. Tecnologia do Blogger.