Pr. Jailson Santos

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IV - VOLTANDO À PALAVRA E PREGANDO-A COM PODER

Como já dissemos, muitos confundem avivamento com mudança doutrinárias baseadas em sonhos, visões e revelações extrabíblicas subjetivas, onde a doutrina é descartada e as verdades bíblicas, esquecidas. Todavia, todo genuíno avivamento e fundamentado na Bíblia e norteado na Palavra de Deus.

Avivamento, portanto, não é desvio para novas doutrinas, mas, volta às velhas doutrinas bíblicas; Avivamento não é inovação e fuga da Palavra, mas restauração e volta à Palavra.
Os avivamentos bíblicos sempre começaram com a Palavra. Quando o povo reencontrou a Palavra, encontrou-se com o Deus da Palavra. Há vários relatos bíblicos em que a Bíblia foi à fagulha inicial para as chamas do avivamento.

Se lermos II Crônicas caps. 34 e 35 veremos que o livro da Lei foi à base do grande despertamento que abalou toda a nação judaica.Nos tempos de Esdras e Neemias, a leitura pública da Palavra de Deus foi o combustível que alimentou o fogo do poder de Deus que incendiou o Israel de Deus.

O grande avivamento apostólico em Jerusalém iniciou-se quando Pedro, cheio do Espírito Santo, pregou com poder a Palavra de Deus, e, a partir daí, o Espírito Santo varreu toda a Judéia.
No avivamento em Éfeso, que abalou os quatro cantos da Ásia Menor e constrangeu o povo a abandonar a idolatria e voltar-se para o Senhor, teve como o ponto de partida as Sagradas Escrituras. Sobre ele Lucas escreve: “Assim a Palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At.19, 20).

Se lermos a História da Igreja, veremos que muitos avivamentos foram “logocêntricos: centrados na Palavra” (Lopes, 1994, p.65). Onde a Palavra arde no coração e é pregada com unção, ali há o Espírito Santo e grande manifestação.
Um dos grandes avivamentos logocêntricos foi o de Savonarola, na cidade italiana de Florença. Enquanto muitos desprezavam a Palavra de Deus, Savonarola “desbruçava-se sobre a Bíblia, dia e noite, de modo que se dizia que ele a sabia de cor, do princípio ao fim” (Fischer, 1961, p.77). E quando subia ao púlpito para pregar, seu sermão irrompia como um meteoro do céu, quando sua palavra ecoava, o rosto de todo auditório branqueava, tamanho era o poder do Espírito Santo em suas palavras.

Outro grande despertamento logocêntricos foi o do século XVI, com Martinho Lutero. O Dr. Pollich após assistir uma aula de Lutero disse: “Este monge revolucionará todo ensino escolástico” (Pollich apud Fischer, 1961, p.77). E foi o que aconteceu, não só na Europa, mas em todo o mundo.
Mas que inovação fez Lutero? Nenhuma! Lutero não fez outra coisa senão voltar à Palavra e colocá-la na língua do povo. E, pela primeira vez na história, a Bíblia tornou-se propriedade do povo e o Evangelho, o poder de Deus para a salvação.

João Calvino, após ler o sistema católico, chegou à seguinte conclusão: “Se eu me voltar para a verdade que está contida nas Escrituras, não estaria voltando para a Igreja? Não pode haver igreja onde a verdade não esteja” (Calvino apud Fischer, 1961, p.90,91). O D.Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, é olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: “foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido” (Lloyd-Jones apud Neto, 1997, p.29).

O avivamento não é inovação doutrinária, mas, volta às velhas doutrinas esquecidas. Não é fuga da Palavra, mas volta à Palavra. Não é antropocentrismo, mas logocentrismo! No despertamento na Escócia, no século XVI, John Knox, grande pregador e erudito, voltou-se para as Sagradas Escrituras e a pregou com tão grande poder, que suas mensagens pareciam um balde de água gelada sobre o povo sonolento, de modo que o povo, de olhos arregalados voltou-se para o Senhor, e tamanha foi à manifestação do Senhor que ele mesmo declarou: “Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos e no meu próprio país, eu não o teria crido” (John Knox apud Fischer, 1961, p.92).

No avivamento no país de Gales, no século XVII, o riacho inicial que se tornou uma grande Catarata de torrentes do Espírito, foi a idéia de Griffith Jones de ensinar o povo a ler e estudar a Bíblia. Jones conseguiu fazer com que uma sociedade de propagação do Evangelho vendesse, a preço mínimo, 30 mil exemplares da Bíblia. Assim, um quarto da população aprendeu a ler e estudar a Bíblia. E a Palavra viva trouxe vida ao país de Gales. No grande movimento do Espírito Santo, entre os puritanos na Inglaterra, no século XVII, lutaram por uma doutrina e uma Igreja pura, a Bíblia foi à brasa inicial que, pois a Inglaterra e o mundo em chamas. E o que fizeram estes homens de extraordinário? Nada, além de pregar, divulgar, viver, crer e praticar a Bíblia. E, até hoje, sentimos o calor desse grande avivamento.

Nos grandes e poderosos avivamentos Bíblicos e históricos, a Palavra de Deus teve um papel fundamental. Tognini diz que é “a Bíblia que nos desperta para buscarmos a Deus, em poder, e nos mostra o caminho do poder do Espírito Santo” (Tognini, 1969, p.50). Quando o povo volta à Palavra, de todo coração, o Espírito Santo é derramado com tremenda unção! Nossa geração não conhece o poder de Deus, porque é analfabeta da Bíblia; os membros das igrejas são recebidos, mas não são instruídos; são animados, mas não são ensinados. Certa vez, perguntaram a George Müller: “Qual é o segredo da sua vida? Por que Deus opera tanto milagres, em respostas às suas orações?” Ao que ele respondeu: “É que eu conheço o meu Deus. Eu já li a minha velha Bíblia, cem vezes, de joelhos” (Muller apud Lopes, 1994, p.70). No avivamento, a igreja não apenas lê a Palavra de Deus, mas busca o Deus da Palavra; Não se contenta em saber sobre Deus, mas conhecer a Deus. Não carrega a Bíblia só na mão, mas no coração.

Em tempos de avivamento, a Bíblia é arrancada do liberalismo e trazida de volta ao Cristianismo. É tirada do baú e colocada de volta nos púlpitos; e então ela age como espada que penetra (cf. Hb 4.12). Como fogo que queima e martelo que despedaça (cf. Jr 23.29). A igreja só experimentará “dias de céu sobre a terra” se voltar à Palavra e pregá-la com poder. Charles G. Finny, após sua conversão, em 10 de outubro de 1821, revestido do poder do Espírito Santo, escreveu: “Imediatamente me vi dotado de tal poder do alto que, com poucas palavras, proferidas, aqui e ali, vários indivíduos foram levados por Deus à plena convicção de pecado! Minhas palavras pareciam penetrar como flechas nas almas dos homens. Cortavam como uma espada, despedaçavam os corações como um martelo” (Finny apud Oswald, 1996, p.43,44).

O que a igreja precisa não é de novos métodos humanos, mas de velhos homens de Deus. Vivemos em uma época de grandes palestrantes, mas de pequenos pregadores. Há muita oratória, porém pouca oração. Há muita performance, mas pouco poder. Há muitas palestras sobre livros do cristianismo, todavia poucas pregações sobre Cristo. A igreja não precisa de pessoas cheias de conhecimento, mas cheias de Deus. Pessoas vazias no púlpito geram bancos vazios na igreja. Michael diz ser esta “a era de sermõezinhos: e sermõezinhos fazem cristãozinhos” (Michael apud Eby, 2001, p.38). Charles Haddon Spurgeon diz que “no momento em que a igreja de Deus menospreza o púlpito, Deus a desprezará” (Spurgeon apud Eby, 2001, p.38).

Hoje, em muitas igrejas, a centralidade do culto não é mais a pregação, porém na animação: o louvor, os teatros, as coreografias têm tomado o lugar do púlpito. Os cultos têm sido mais antropocêntricos do que logocêntricos, muitos dos pregadores pregam mais para massagear o ego do que para apontar o pecado. Pregam mais para agradar a clientela do que a Deus.

A grande diferença entre muitos pregadores contemporâneos e os profetas do Antigo Testamento, os pregadores contemporâneos agradam o povo, e os profetas contradiziam o povo apontando o pecado. Muitos pastores contemporâneos usam somente o cajado, os pastores do Antigo Testamento usavam o cajado, mas também a vara.
C. H. Spurgeon aconselhava os seus alunos que apegassem a verdade e anunciassem todo o conselho de Deus, ao invés de cederem às pressões da época e agradarem aos seus ouvintes. E ensina: “Sinto-me na obrigação de dizer que nosso objetivo não é agradar a clientela, pregar para satisfazer a nossa época, acompanhar o progresso moderno[...] Não procuraremos ajustar a nossa Bíblia a esta época[...] Não vacilaremos; não seremos orientados pela congregação, mas teremos o olhar fixo na Palavra infalível de Deus e pregaremos segundo as suas instruções...” (Spugeon apud Anglada, 1996, p.31).

A igreja e a pregação andam juntas, ou elas resistem ao secularismo ou ambas caem juntas; no dizer do Dr. Martin Lloyd-Jones: “a mais urgente necessidade da igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica” (Lloyd-Jones apud Eby, 2001, p.37).Se a igreja anseia por um avivamento, precisa voltar a um principio reformado “Sola Scriptura”, e ao tempo dos apóstolos, quando a pregação não era por força ou por métodos, porém, só pelo Espírito Santo.

Que nesses dias, Deus nos dê fome e sede por sua Palavra, e que possa fender os céus e derramar do seu Espírito sobre nós, revestindo-nos de todo poder para pregarmos o glorioso nome de Jesus!

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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