Pr. Jailson Santos

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Uma análise histórica e filosófica da qustão: "o que é o homem?"

Há questão “o que é o homem?” quanto o ato de se pensar nela. Sócrates, como um homem obcecado com apenas uma meta em sua busca pela sabedoria, conhecer a si mesmo, já dizia: “enquanto eu não obtiver sucesso em conhecer a mim mesmo, eu não tenho tempo para lidar com outras questões que a mim me parecem insignificantes comparadas com esta”.

Há dois motivos básicos que são  sevem de pressupostos para uma analise do que é o homem. O primeiro é o do coração regenerado, baseado no tema criação-queda-redenção, e o segundo é o do coração não-regenerado, baseado no espírito da apostasia. Aqui analisaremos como o último tem analisado e interpretado o homem.

        De início começaremos pela filosofia Grega. Essa analisava e interpretava o homem, através de um dualismo ontológico entre a matéria e forma. “O motivo central da filosofia Grega originou-se do encontro da religião pré-Homérica da vida e morte (matéria) com a religião cultural mais jovem dos deuses Olímpicos (forma)”.

        Este motivo básico foi o maestro que  regeu a cosmovisão básica de boa parte do período grego antigo. Assim todas as coisas eram vistas, entendidas e interpretadas através das lentes dessa cosmovisão,  inclusive o homem. Ele por sua vez, era visto como o composto de dualismo ontológico em duas dimenções: A primeira a da matéria enformada: o corpo, que era sujeito “ao fluxo da vida e do destino cego”. A segunda, a dimensão da forma pura: a alma pura, racional e imortal.

                         

        Sendo assim, a máxima realização humana residiria no exercício pleno da racionalidade por meio do pensamento teórico e contemplativo e, por fim, na  libertação da alma por ocasião da morte, como acreditava Platão. Logo, não há lugar para a idéia de uma redenção do corpo e da criação, e conseqüentemente para o mandato cultural, já que  a realidade temporal e sensível era totalmente sem nenhum valor. Em suma o homem era reduzido “ao aqui e agora”.

Na Idade Média o dualismo ontológico continuou, mas agora com novos elementos. Se antes era matéria e forma, agora ele subsiste como Natureza e Graça. O dualismo Medieval originou-se da síntese religiosa entre os pressupostos da filosofia grega (motivo matéria e forma) e os pressupostos da fé cristã (motivo criação-queda-redenção) resultando no motivo natureza e graça.

 Entretanto esta síntese não aconteceu da noite para o dia. Houve vários períodos de transição. O primeiro foi entre Helenismo e Período Greco-Romano, que por sua vez proporcionaram o encontro entre o motivo básico grego e os motivos básicos religiosos dualistas do oriente próximo. Nesta síntese o motivo forma e tudo o que ele representa passou a ser identificado com tudo àquilo que é representado pelo princípio de luz; enquanto que o motivo matéria passou a ser identificado com o princípio de escuridão, o primeiro bom, superior e divino; e o segundo mal, inferior e obscuro.

       O segundo período de transição é Patrística. Aqui a fé cristã bíblica representada pelo motivo criação-queda-redenção foi continuamente assediada pelo motivo forma-matéria através de movimentos filosófico-religiosos como, por exemplo, o gnosticismo primitivo. Tal assédio acabou gerando as primeiras sínteses entre o motivo cristão e o motivo matéria e forma.

                        Um outro período de transição foi o da Escolástica, marcado por uma mistura de conhecimento filosófico com os vínculos dogmáticos da igreja. Uma luta constante entre razão e fé. Aqui com o surgimento do Tomismo, nasceu um terceiro motivo religioso, o qual excluía a influência radical e integral do motivo bíblico criação-queda-redenção. Este é o motivo natureza e graça, que por sua vez buscava uma acomodação mútua do motivo-básico religioso Grego (forma-matéria) e o bíblico (criação-queda-redenção.

Tomás de Aquino efetivou esta grande síntese propondo uma relativa autonomia entre os domínios da natureza e da graça, e a atribuição de primazia ao último, a graça não cancela a natureza, mas a aperfeiçoa, o que gerou uma distinção entre a esfera natural e a sobrenatural de pensamento e ação; dentro da esfera natural, uma autonomia relativa foi atribuída à razão humana, que supostamente seria capaz de descobrir as verdades naturais por sua própria luz; dentro da esfera sobrenatural da graça, pelo contrário, o pensamento humano era considerado dependente da auto-revelação divina.

      Assim, filosofia era considerada como pertencente à esfera natural enquanto a teologia dogmática, por outro lado, à esfera sobrenatural. Essa distinção acabaria em um verdadeiro divórcio com Guilherme de Ockam, que separou por completo a natureza da graça. O que os historiadores chamam de navalha aqui poderíamos chama de machado.

Com isso o homem passou a ser visto como alguém racionalmente capaz de conhecer no domínio da natureza sem o auxilio da revelação Especial, pois a  razão humana, por pertencer ao domínio da natureza, não foi afetada pela queda. Já que os efeitos radicais e integrais da queda são minimizados apenas ao domínio da natureza.

O dualismo ontológico na filosofia moderna, teve dos elementos Natureza e Liberdade. Este dualismo foi extremamente influenciado pelas idéias do  Humanismo do século XV, que trousse uma nova visão da natureza. Sendo assim, a natureza diz respeito ao ideal de ciência (determinismo científico);  a liberdade diz respeito ao ideal de personalidade (liberdade como autonomia).

A ênfase era dada na liberdade. Em Rousseau, a primazia foi transferida para o motivo da liberdade através da absolutização do aspecto do sentimento.  Em Kant a liberdade autônoma do homem não pertenceria ao campo sensório da natureza, mas ao campo supra-sensório da ética, que não é governado por leis naturais, mas por normas. Já no o idealismo pós-kantiano buscou superar o dualismo crítico de Kant por meio de um modo dialético de pensamento que pretendia conduzir a uma síntese última entre a natureza e a liberdade.

Sendo assim, no período moderno o homem é visto como a medida de todas as coisas e sua razão, que por sua vez é neutra e autônoma, é a medida de seu próprio ser. Ele  é emancipado de tudo, inclusive de Deus e a adoração que deveria ser dada a ele é dada a si mesmo e aos demais ídolos. Para esse homem moderno, o conhecimento científico, que é exato e auto-suficiente, levará a humanidade a um progresso (Positivismo: ordem e progresso) contínuo rumo à perfeição (moral, intelectual e social) e à paz entre as nações (otimismo cientificista e crença no progresso). Em sua o homem é seu próprio deus.

Por fim, Humanismo saiu da arena principal, o modernismo não conseguiu assumir o seu lugar e o grande gigante que se levantou para a guerra foi o “pós-modernismo”. Sabemos de onde ele veio, mas, quem ele realmente é não podemos dizer com clareza. Uns o chama de “relativismo”, outros de “secularismo”, e há os que o conhece por “pluralismo”.  A verdade é que ele responde por todos esses nomes, pois ele próprio prega uma vida sem identidade. Aqui o homem é visto como um “rebanho”, a massificação da modernidade, agora toma proporções cósmicas. Se antes, o homem era caracterizado pela busca de autonomia de tudo e todos, agora além de uma liberdade plena, há também uma incredulidade em tudo e todos.  

 Esse gigante representa uma comunidade sem crença, tradição e identidade e totalmente perdida. Os ataques são principalmente à identidade individual e os valores universais. Esse ataque não é apenas no meio acadêmico como pensa o sistema intelectual, mas também sobre os seres humanos. Pois a sociedade é um reflexo do pensamento acadêmico. Somos o que pensamos. Por isso as pessoas comuns são afetadas pela condição contemporânea, formulando uma nova resposta para a pergunta, “o que é o homem?”.

Esse gigante não tem influência apenas na sociedade secular. Como estamos inseridos e vivemos em um mundo globalizados e de informações mais rápidas que milésimos, sua influência chega também ao cristianismo. O que faz desse assunto relevante para nós cristãos.

Cabe ainda, atentar-nos para a resposta reformada que Ricardo Quadros Gouvêa traz a nós quando fala sobre a resposta que o pensador reformado deve dar ao pós-modernismo:

 

“Antes de mais nada, cabe-nos não nos deixarmos enfeitiçar pela nova embalagem, e reconhecermos o produto. Uma vez desmascarado o pós-modernismo, cabe-nos avaliá-lo com calma e propriedade por aquilo que ele de fato é. Os grandes filósofos pós-modernos não são essencialmente diferentes dos críticos da modernidade que os antecederam; eles são apenas mais consistentes em sua rejeição dos pressupostos iluministas, em sua absorção da revolução epistemológica kantiana, e em sua reinterpretação do pensamento dialético. Em segundo lugar, cabe-nos desenvolver uma autocrítica biblicamente orientada que nos permita avaliar onde e quanto da nossa teologia foi e continua sendo influenciada por filosofias espúrias, sejam elas de cunho iluminista ou neo-kantiano. Modernos, pós-modernos ou hipermodernos, cabe-nos trazer todo argumento aos pés da cruz, à obediência de Cristo (2 Co 10.4-5), pois quando todas as palavras humanas estiverem esquecidas nas areias das civilizações derribadas, o Verbo de Deus permanecerá. A tua palavra é a verdade (João 17.17)”. [1]


Sem. Jailson Santos



[1] Ricardo Quadros Gouvêa, "A Morte e a Morte da Modernidade: Quão Pós-moderno é o Posmodernismo?" em Fides Reformata, 1/2 (Julho-Dezembro 1996) 59-70.

 

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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