Pr. Jailson Santos

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EXEGESE – ATOS 6. 1 – 7


INTRODUÇÃO

A presente exegese visa estudar a narrativa de Atos 6. 1-7 a partir de uma análise histórico-gramatical-teológica, com o objetivo de entender e extrair o sentido original proposto pelo autor. Para isso será considerado o contexto dos seus leitores originais. Partimos do pressuposto que Lucas pretende com essa narrativa apresentar a igreja que triunfa, diante dos obstáculos colocados no seu caminho, enquanto ela avança para os confins da terra.[1] Lucas quer mostrar aos seus leitores que “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”.[2] A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, seu propósito salvífico avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.
Diante de uma sequência de acontecimentos ligados a esta ideia, o narrador claramente mostra, que a igreja de Cristo, triunfava mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e dos líderes religiosos judeus (5. 11ss), e da crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). Por isso, o ponto alto da perícope aqui estudada é o verso sete, onde Lucas, após mostrar o problema e a solução assevera: “E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé” (tradução e destaque nosso).
Uma pergunta antiga, mas que ainda ecoa nos anos atuais, no presente texto é: se o mesmo é a base para a instituição do diaconato? Seria a escolha dos sete, também a escolha dos primeiros diáconos? Este texto descreve ou prescreve o oficio de diácono? O substantivo diakonos do qual tomamos “diácono” (cf. 1 Tm 3. 8), tem sua gênese em atos 6? Estas serão importantes perguntas a serem respondidas, mesmo que forma breve, no presente trabalho.
Para uma maior compreensão será estudado o texto em sua língua original, a fim de busca uma tradução literal do mesmo, tentando respeitar ao máximo o sentido das palavras. Finalmente, analisada a mensagem do texto para sua época, e a partir dela, perceber o significado para todas as épocas. Já que o objetivo final deste trabalho é a pregação e aplicação das verdades estudadas ao contexto atual da igreja.

Estudo Contextual


Contexto Histórico e Cultural da Passagem.


Para entendermos a narrativa de Atos faz-se necessário determinar o ambiente religioso, histórico, cultural e social no qual a igreja se encontrava. Por isso, veremos alguns aspectos que laçam luz ao mesmo.


A cidade de Jerusalém no século I.

A cidade de Jerusalém era uma das grandes cidades da Palestina. Não se sabe ao certo quantas pessoas moravam em Jerusalém, mas estudiosos têm dito que nessa época havia em torno de 200 mil habitantes. Além disso, era um centro religioso do século I e por isso o lugar de grandes ajuntamentos e consequentemente foi o lugar dos primeiros Atos do Espírito Santo. Vejamos estas duas coisas de forma mais detalhada. 
Lugar das festas e de ajuntamento. Como um centro religioso Jerusalém era marcada pelo calendário festivo. Destas festas três exerciam, em Israel, um papel importante e juntavam multidões: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (ou Tendas). No séc. I, cada uma dessas festas durava uma semana completa.[3] Foi na festa do Pentecostes que muitos dos eventos dos primeiros dias da igreja aconteceu.
Lugar dos primeiros eventos. É importante também notar os principais eventos do início da igreja primitiva aconteceram na cidade de Jerusalém. Foi lá que antes de ser elevado aos céus Jesus deu as últimas instruções aos seus discípulos (At. 1: 6-8); que o Espírito Santo foi pela primeira vez derramado (At. 2: 1-4); que Pedro pregou o memoriável sermão cristocêntrico (At. 1: 6-8); que os primeiros convertidos começaram a viver como comunidade(At. 2: 42 - 47); que se deu o primeiro milagre feito por Pedro (At. 1: 6-8). Em palavras modernas podemos dizer que a cidade de Jerusalém foi à base da missão.


A assistência social em Jerusalém.

Segundo Alderi Matos, a temática social está fortemente presente em todas as partes do Antigo Testamento. [4] Esta ênfase do Antigo Testamento estava presente no judaísmo do século I. Neste período, uma parte dos dízimos era reservada para ajudar os pobres. Por essa razão, havia em Jerusalém um costume judaico de aliviar os pobres nativos e estrangeiros,[5] que segundo Barrett, funcionava de duas maneiras. (1) Uma distribuição diária, o תמחוי, composta de alimentos básicos que era dada aos pobres que tinham necessidades casuais. (2) Uma esmola semanal de alimentos e roupas, o קפה, dado aos membros pobres da comunidade.[6]
A comunidade cristã de Jerusalém expressou igualmente a sua unidade espiritual na partilha dos bens comuns e atos de caridade (cf. 2: 44-45, 4: 32 - 05: 11).  Os crentes vendiam suas propriedades e entregavam o valor da venda aos apóstolos. O dinheiro não era usado para construir templos, casas ou qualquer aquisição semelhante. Dava-se de comer aos pobres, de tal maneira que “nenhum necessitado havia entre eles” (At 4.34). Todavia, o enorme crescimento da comunidade gerou uma grande dificuldade nesta distribuição, de maneira que a igreja enfrentou um grande problema, como veremos neste trabalho.


     O crescimento da igreja.

              Como veremos a frente, o problema do esquecimento de algumas viúvas, enfrentado pela igreja primitiva, estava intimamente ligado ao tamanho da nova comunidade. As evidencias internas mostram que o crescimento da igreja do 1º século foi assustador. Começou com um pequeno grupo de pessoas que se reunia no Cenáculo, At 1: 14. Esse grupo cresceu para 120, após o primeiro sermão de Pedro, o número passou para quase três mil (Cf. At. 2.41); logo após, o “rol de membros” subiu para cinco mil homens (Cf. At. 4.4); A cada dia, a igreja ia se multiplicando, de tal maneira que em Atos 5: 14 Lucas define como a “multidão” dos discípulos. Não sabemos a exatidão dos números, mas Merril C. Tenney, afirma que mesmo depois da difusão causada pela perseguição (8.1,4) a igreja de Jerusalém era composta de dezenas de milhares entre os judeus que creram.[7]


Judeus e helenistas.

A igreja primitiva era composta de dois grupos. Os Hebreus (cristãos judeus da Palestina, que falavam o Aramaico e alguns poucos também falavam hebraico) e os “helenistas” (judeus cuja língua materna era o grego). O termo “helenistas” não é encontrado na literatura bíblica antes de Atos. Segundo M. Hengel, a palavra Ἑλληνιστῶν é provavelmente derivada da forma verbal ελληνιζειν, que significa possivelmente “aquele que fala grego”.[8] 
A grande maioria destes últimos eram, sem dúvida, judeus por nascimento. Apesar de ser perfeitamente possível ter havido alguns indivíduos entre eles, que eram gentios por nascimento, mas que haviam sido previamente incorporados como prosélitos ao povo de Israel. Como Nicolau de Antioquia, que está expressamente descrito no verso cinco como um προςήλυτος. Os judeus, os quais eram nativos da Palestina, foram educados a conservar as características peculiares do judaísmo com mais pureza e rigor do que os helenistas. Em muitos casos, os descendentes de judeus estrangeiros, não aderiram apenas à língua grega, mas também, inconscientemente, os costumes gregos, que combinada com as formas de judaísmo.[9]


As viúvas helenistas

Muitos judeus piedosos da diáspora se mudaram para Jerusalém, em seus últimos anos, a fim de ser enterrado no monte Sião ou perto dele. [10] Quando esses morriam suas viúvas ficavam desamparadas, pois não tinham parentes próximos para cuidar delas, como as viúvas dos judeus nativos. Além disso, por se tornem cristãs perderam o direito da ajuda oferecida pelas sinagogas. Assim, com o passar do tempo, o número de viúvas dos helenistas, dependentes de ajuda da igreja, tornou-se desproporcionalmente grande. As que moravam longe de Jerusalém, eram particularmente mais carentes por estarem distantes de Jerusalém e sem possibilidade de se deslocar para a mesma.[11] Então, o problema em frente à igreja tornou-se agudo.

Contexto Literário da Passagem


Para melhor entendermos Atos 6. 1 -7, veremos como ele se relaciona com o contexto próximo e remoto.

            Contexto distante

Muitos comentaristas têm dividido o livro de Atos em três seções maiores, a partir da síntese feita por Lucas em 1.8. Sendo assim, teríamos: 1) A igreja em Jerusalém (Atos 1: 1 – 6.7). 2) A igreja na Palestina e os primórdios do cristianismo helenista. 3) De Antioquia a Roma, a viagens missionárias de Paulo e outros (9. 1 – 28.31.).[12] Estas seções por sua vez tem sido divididas subseções menores.
Seguindo a estrutura proposta por Carson, pecebemos que a passagem que estamos estudando está diretamente ligada a subseção “A igreja em Jerusalém” (2.42—6.7) e inderetamente ao prólogo do livro (“Alicerces da igreja e sua missão” – 1.1 – 2.42).[13] A subseção 2. 42 – 6.7 é iniciada por Lucas um resumo das características da igreja primitiva em Jerusalém (2.42-47). Em seguida, há uma descrição da cura de um aleijado no recinto do templo feita por Pedro (3.1-10), um milagre notável e público, que segundo Carson, conquista para Pedro um público para outro sermão missionário (3.13-26).[14]
Os eventos seguintes são fundamentais para um dos propósitos[15]  secundários de Lucas, de apresentar a igreja vitoriosa em meio as lutas.[16] Ela vence a oposição do Sinédrio, por meio da resistência, da ousada pregação em “nome de Jesus” (4. 1-22) e da oração fevorosa (4.23-31). Vence a hipocrisia de Ananias e Safira (4.32-37)  através da disciplina que traz juízo imediato sobre eles (5.1-11).
O ministério apostólico popular de cura e pregação (5.12-16) novamente suscita oposição dos líderes judeus, e uma vez mais os apóstolos são presos e levados perante o Sinédrio. Todavia, Deus usa Gamaliel, que aconselha moderação, e os apóstolos vencem as cadeias e são soltos (5.17-42). A subseção termina com apresentação de um grande problema interno (a murmuração dos Helenistas pelo fato, de suas viúvas estarem sendo negrigenciadas do serviço diário) e com o triunfo da igreja, sobre ele através da eleição dos sete (6. 1 – 6).
O último verso é tanto o fechamento da perícope como um sumário, onde mais uma vez a igreja é apresentada como vitoriosa, pois mesmo com as pedras do caminho, alcança nos horizontes. Lucas destaca isso com as seguintes palavras: “E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé” (6.7 - tradução nossa). Nesse aspecto Estêvão é um personagem central. Personagem carismático que atraía um número considerável de seguidores.[17] Por essa razão, a quem diga que um dos propósitos da perícope aqui estudada é apresentar Estêvão, o qual será o personagem principal da perícope seguinte. (6.8 – 8.1a).


Contexto próximo 

Os primeiros sete versos do capítulo seis são muito importante no livro de Atos, tanto no que se refere ao desenvolvimento da narrativa (que começa a mudar de cenário), como para a estrutura, pois é uma importante transição dos blocos de ideias do autor. Segundo Carson, a partir dessa transição, Lucas leva o leitor a uma viagem por “horizontes mais amplos”,(Cf. 1.8), os quais são apresentados dois importantes personagens Estêvão e Saulo.
Carson, mais uma vez assevera que até esse ponto da narrativa, Lucas descreve os crentes primitivos como judeus leais, mesmo que um pouco incomuns.[18] Os relatos desta próxima seção mostram como a igreja começou a forçar os limites do judaísmo tradicional. A partir do capítulos 6 temos um crescimento de um tipo de cristianismo “helenista”, que em alguns aspectos se distingue bastante do presente entre os judeus nativos (de fala aramaica ou hebraica para alguns).[19] É digno de nota, que a partir daqui os gentios são “enchertados” no novo Israel de Deus (a igreja) e passam a desfrutar dos mesmo privilégios dos judeus, nessa nova aliança, independente da linhagem saguínia, da lingua falada ou cultura na qual vivem.
Se em 1.1 – 2.42 temos o prólogo do livro que apresenta os “alicerces da igreja e sua missão”; e em 2.42—6.7 temos  “a igreja em Jerusalém”; a parir do capítulo 6 temos uma igreja que começa a sair da judéia em direção a samaria, e os confins da terra (Cf. 1.8). Assim, dentro da estrutura de Atos o capítulo 6 é uma transição de Jerusalém para Samaria, e de “hebreus nativos” para “os judeus helenistas”. Além disso, a proclamação do evangelho está sendo passada dos doze apóstolos (que permanecem em Jerusalém, Atos 8:1), para todo o resto, e especialmente os crentes helenistas (como Estevão e Filipe, e mais tarde, Paulo), que serão espalhados, pregando o evangelho aos “Judeus helenistas” e também para os gentios dos confins da terra (cf. Atos 8:1-4; 8:5-25; 11:19-21).[20] 
           
Estrutura do Contexto[21]


(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)


 





2. ESTUDO TEXTUAL


(1) Ἐν δὲ ταῖς ἡμέραις ταύταις πληθυνόντων τῶν μαθητῶν ἐγένετο γογγυσμὸς τῶν Ἑλληνιστῶν πρὸς τοὺς Ἑβραίους, ὅτι παρεθεωροῦντο ἐν τῇ διακονίᾳ τῇ καθημερινῇ αἱ χῆραι αὐτῶν.
(1) Mas,[22] nestes[23] dias, multiplicando-se[24] os discípulos,[25] houve[26] uma murmuração[27] dos Helenistas[28] contra[29] os hebreus,[30] porque[31] estavam sendo deixadas de lado,[32] no serviço diário as viúvas[33] deles.
(2) προσκαλεσάμενοι δὲ οἱ δώδεκα τὸ πλῆθος τῶν μαθητῶν εἶπαν· οὐκ ἀρεστόν ἐστιν ἡμᾶς καταλείψαντας τὸν λόγον τοῦ θεοῦ διακονεῖν τραπέζαις.
(2) Convocando,[34] então,[35], os doze,[36] a multidão[37] dos discípulos, disseram: “Não é desejável[38] que nós abandonemos[39] a palavra de Deus para servir[40] às mesas”.
(3) ἐπισκέψασθε δέ, ἀδελφοί, ἄνδρας ἐξ ὑμῶν μαρτυρουμένους ἑπτά, πλήρεις πνεύματος καὶ σοφίας, οὓς καταστήσομεν ἐπὶ τῆς χρείας ταύτης,
(3) Selecionai,[41] porém, irmãos, dentre vós sete varões que tenham bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria, os quais nomearemos[42] necessidade esta;
(4) ἡμεῖς δὲ τῇ προσευχῇ καὶ τῇ διακονίᾳ τοῦ λόγου προσκαρτερήσομεν.
(4) Porém, nós[43] à oração[44] e ao serviço[45] da palavra continuaremos envolvidos.[46]
(5) καὶ ἤρεσεν ὁ λόγος ἐνώπιον παντὸς τοῦ πλήθους καὶ ἐξελέξαντο Στέφανον, ἄνδρα πλήρης πίστεως καὶ πνεύματος ἁγίου, καὶ Φίλιππον καὶ Πρόχορον καὶ Νικάνορα καὶ Τίμωνα καὶ Παρμενᾶν καὶ Νικόλαον προσήλυτον Ἀντιοχέα,
(5) E agradou a palavra a vista de toda a multidão. E escolheram Estêvão, varão cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímom, Pármenas Nicolau, prosélito de Antioquia,
(6) οὓς ἔστησαν ἐνώπιον τῶν ἀποστόλων, καὶ προσευξάμενοι ἐπέθηκαν αὐτοῖς τὰς χεῖρας.
(6) os quais puseram de pé a vista dos apóstolos, e estes tendo orado, puseram sobre eles suas mãos.
(7) Καὶ ὁ λόγος τοῦ θεοῦ ηὔξανεν καὶ ἐπληθύνετο ὁ ἀριθμὸς τῶν μαθητῶν ἐν Ἰερουσαλὴμ σφόδρα, πολύς τε ὄχλος τῶν ἱερέων ὑπήκουον τῇ πίστει.
(7) E, a palavra[47] de Deus crescia[48] e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão[49] de sacerdotes obedecia[50] à fé[51].


Estrutura do Texto.

O texto analisado por nós tem os limites e a estrutura bastante evidentes. Por se tratar de uma narrativa, as delimitações da perícope podem ser definidas a partir das análises de tempo, espaço e principalmente de personagens.

Delimitação da perícope.

Quando olhamos para o texto anterior e posterior, vemos uma clara mudança nos personagens e no discurso narrado por Lucas. Nos anteriores temos Gamaliel, um rabino importan­te daqueles tempos, aconselha moderação, e os apóstolos são soltos (5.17-42). Somado a isso, temos o δὲ (“porém” ou como traduzimos “mas”) que aponta para um contraste com os últimos versos do capítulo cinco. Se lá há uma grande alegria por causa do crescimento da igreja, aqui temos um grande problema que gera murmuração por parte de alguns e preocupação por parte dos discípulos.
No que se refere à perícope seguinte a mudança de personagem nos ajuda a entender a delimitação da nossa perícope. Se em 6. 1-7 encontramos a nomeação dos sete para resolver o problema da murmuração dos Helenistas em 6. 8 – 15, temos o início da história de um único personagem, isto é, Estêvão, personagem carismático que atraía um número considerável de seguidores, que é falsamente acusado de falar contra o templo e a lei.  Além disso, temos elementos internos que lançam luz na delimitação da perícope. O problema levantado e solucionado e o sumário no verso sete aponta para a conclusão e fechamento das ideias trabalhadas por Lucas até aqui. Talvez, a pergunta que se deve fazer nesta perícope é se este resumo do verso sete não seria por si só uma perícope. A maioria dos comentaristas (tais como: Bruce[52], Carson[53], Constable[54], Longenecker[55], Lange[56], Ryrie[57] Spence-Jones [58] Witherington III[59] ) tem entendido que não. Essa tem sido também a linha que temos seguido.
Considerando então, todas as marcas de tempo presentes no texto acima, bem como a mudança de personagens e discurso, mostram claramente uma sequência de cenas (que se estendem do v. 31 - 38) que são desenvolvidas dentro de um momento determinado. O que delimita nossa pericope de forma natural e sem grandes problemas.

Divisões internas do texto.

As divisões internas do texto são claras e de modo geral, a um consenso por parte dos comentarias das mesmas. O texto pode ser dividido como se segue no gráfico a baixo:


(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)





Fluxo de ideias



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Comentários


1. O problema.


(1) Mas, nestes dias, multiplicando-se os discípulos, houve uma murmuração dos Helenistas contra os hebreus, porque estavam sendo deixadas de lado, no serviço diário, as viúvas deles.

Lucas começa a narrativa, apresentando o significativo problema causado pelo crescimento da igreja. A conjunção δὲ (“mas”)[60] juntamente com os elementos temporais (“nestes dias”), revelam o contraste com a atual condição da igreja (o problema) e a situação próspera indicado nos versos 41 e 42 do capítulo 5. Enquanto em 5: 41 temos alegria, no 6: 1 temos uma γογγυσμὸς (“murmuração”) dos Ἑλληνιστῶν (“Helenistas” – aqui judeus de fala grega) por causa da παρεθεωροῦντο (“negligência”) para com as χῆραι (“viúvas”) deles.  Não é fácil entender como um problema como esse poderia ter surgido na Igreja de Jerusalém, que tinha como características a vida cheia do Espírito e o mútuo amor. Todavia, como veremos ao longo deste trabalho ele está ligado ao propósito central do autor, em mostrar uma igreja vitoriosa em meio às lutas (v. 7). Por ora, nos concentraremos em entendê-lo.  
Este problema inserido por Lucas não parece ser simples. Ele usa palavras fortes para descrevê-lo. A palavra traduzida como “murmuração” é mais que uma observação ou uma reclamação por algo que não está acontecendo como deveria acontecer.  Ao contrário, está é palavra que a LXX usa para descrever a “murmuração” (תְּלֻנָּה) dos judeus contra Moisés no deserto (Ex. 16: 07 ; Nm. 14:27) e aponta para um reclamação amarga. Lucas, mostra que a causa deste resmungo enfático refere-se ao fato das viúvas “estarem sendo deixadas de lado”. O verbo παρεθεωροῦντο aparece somente aqui em todo o Novo Testamento.  O radical verbal traz a ideia de “passa as vistas por cima”.[61] Obseve que o tempo imperfeito aponta para uma ação frequente e que já estava sendo habitual. Em outras palavras, as viúvas estavam nesta situação durante um período considerável, e elas continuavam sendo “esquecidas” (ARA) do serviço (διακονίᾳ) diário.
Diante disso, devemos fazer (e tentar responder) a seguinte pergunta: por que essas viúvas estavam sendo deixadas de lado? As respostas para essa pergunta podem ser variadas e vai desde preconceitos étnicos, a descriminação por parte dos apóstolos. Todavia, há elementos textuais, geográficos e históricos que lançam luz para essa negligência.
De início, devemos notar que a murmuração não foi direcionada especificamente aos Apóstolos (apesar da iniciativa de resolução vir deles). Kistemaker, lembra-nos que preposição πρὸς, em dado contexto, significa “contra”, entretanto, ela traz a conotação de abordagem indireta ao invés da direta anti (face a face). Assim, a reclamação não é direcionada para as outras viúvas, nem para um grupo especifico (discípulos) que pode ter sido responsável, mas para toda a comunidade dos hebreus nativos.[62]
O verbo ἐγένετο, (“vir a ser”, “acontecer”) aqui traduzido como nas demais traduções como “houve”, tem a ideia de algo de uma mudança de estado. Desse modo, apesar de imperfeitos da narrativa, que apontam para uma ação contínua e incessante”, somente aqui “vem a ser conhecido” pelos discípulos. Além disso, o aoristo aponta para uma ação que difere da expressada pelo imperfeito (continua), foi pontual. A murmuração não foi contínua e parece ter cessado com a solução dos doze. Sendo assim, os discípulos não fizeram vistas grossas para com estas viúvas.
Podemos concluir que, é quase certo que as viúvas dos helenistas não foram deliberadamente discriminadas.  Aparentemente, quando os μαθητῶν (“crentes”)  πληθυνόντων τῶν (foram se multiplicando”) com o passar do tempo, o número de viúvas dos helenistas, dependentes de ajuda da igreja, tornou-se desproporcionalmente grande. Pode-se notar que até Atos 4.34 “nenhum necessitado havia entre eles”. Além disso, muitos helenistas da diáspora se mudaram para Jerusalém, em seus últimos anos, a fim de ser enterrado no monte Sião ou próximo dele, e suas viúvas não teriam parentes próximos para cuidar delas, como as viúvas dos judeus nativos. [63]
Essas viúvas gregas eram particularmente mais carentes por estarem distantes de Jerusalém e sem possibilidade de se deslocar para a mesma.[64] Então, o problema em frente à igreja tornou-se agudo. Assim, a causa do esquecimento das viúvas, foi o aumento no número de discípulos de “cento e vinte” (At. 1. 15) para “multidão de crentes” (5. 14). Em um movimento ativo e em expansão, é possível algumas pessoas não seriam lembradas.
Finalmente, Lange destaca que nós não temos nenhuma razão para atribuir a qualquer espírito arrogante por parte dos judeus da Palestina, nem a qualquer sentimento real doente, é mais provável que a falta de um conhecimento pessoal das viúvas estrangeiras e das suas circunstâncias particulares, tenha ocasionado a negligência denunciada pelos Helenistas.[65]

2. A proposta v. 2-4.


(2) Convocando, então, os doze, a multidão dos discípulos, disseram: “Não é desejável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas”. (3) Selecionai, pois, irmãos entre vós sete homens que tenham bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais nomearemos necessidade esta; (4) Porém, nós na oração e no serviço da palavra perseveraremos.

Após ouvir a enfática reclamação os doze convocam a todos os crentes e reconhecem a importância do serviço da palavra e expressam o seu desejo de não deixá-lo de lado. Em seguida, propõe a escolha de sete homens que possuam os requisitos necessários para o desempenho deste serviço. Observe que Lucas não está interessado na questão: de quem é a culpa? Mas, apenas no que fizeram os apóstolos para resolver o problema.
De início, devemos notar que somente aqui, em todo livro, Lucas usa a palavra οἱ δώδεκα (“os doze”) para designar os discípulos, como grupo especial.  Este grupo parece ser sinônimo de τῶν ἀποστόλων (“os apóstolos”) (v. 6). O uso da rara expressão (δώδεκα) tem sido entendido por muitos estudiosos como um elemento de contraste entre os doze e os sete, a fim de mostrar que, a partir deste momento o serviço de assistência passaria da responsabilidade dos doze[66], para os sete. Pesch observa, que com esse jogo de palavras, Lucas coloca entre tensão o serviço (διακονίᾳ) da Palavra e o serviço (διακονεῖν) às mesas.[67] Já Lange, acredita que eles revelam uma antítese entre os dois serviços.[68] A questão não está em servir ou não servir (ambas as palavras tem o mesmo radical), mas sim na prioridade do serviço para qual foi chamado, ou seja, a pregação da palavra de Deus (Cf. v. 4.).
A fim de resolver o problema os doze “convocam a multidão dos crentes”. A voz média do verbo προσκαλεσάμενοι (“Convocando”) aponta para um envolvimento dos discípulos e mostra que eles estavam empenhados em resolver o problema. Observe que a fim de resolver o problema, os doze reúnem a “multidão”. F.M. Cruz Jr., observa que as semelhanças linguísticas e funcionais entre o uso de רבּים (“os muitos” – usados para falar das “sessões públicas” de Qumran) [69] é equivalente ao uso de τὸ πλῆθος (“o número inteiro”, “a multidão”), em Atos 6:2, 5 e 15:12, 30).[70] Assim, fica evidente que toda a comunidade[71] estava envolvida nas deliberações de seus líderes.
Com a comunidade reunida, os doze propõem a escolha de sete varões, que possuam os requisitos necessários, para o desempenho deste serviço. Não fica claro no texto como estes sete foram escolhidos. O verbo ἐπισκέψασθε (“selecionai”) tem o significado básico de “olhar para fora” [72] ou “visitar ou inspecionar, a fim de descobrir as qualificações necessárias”.[73] Segundo Vine, uma forma tardia deste verbo é ἐπισκέπτομαι que significa “olhar para as pessoas certas para uma finalidade específica”. Assim,  ἐπισκέψασθε (“selecionai”) traz a ideia de uma escolha feita a partir de uma inspeção dos elementos necessários para se alcançar um propósito.[74] Já o número ἑπτά (“sete”), pode ter sido uma relação à tradição das comunidades judaicas, onde sete homens respeitados eram escolhidos para gerenciar os negócios públicos, em um conselho de oficiais.[75]
Considerando a importância da seleção, os doze destacam os requisitos necessários, para os que deveriam ser encarregados deste serviço. Ryrie[76] aponta cinco qualificações necessárias, as quais, desenvolveremos aqui com acréscimos e pequenas mudanças. (1) Estes ajudantes deviam ser ἄνδρας (“homens”). A palavra grega usada, o específica como uma pessoa do sexo masculino. (2) Eles tinham que ser da multidão convocada. A preposição ἐξ (“entre vós”) aponta para a origem. A ideia é que eles “venham do meio de vós”.[77] (3) Eles tinham que ser respeitáveis. Este é o significado de “boa reputação”. Testemunho público tinha que atestar cargo de responsabilidade (Cf. I Tm 3:7;. 05:10 e Tt. 1:6.). (4) Eles tinham que ser espirituais “cheio do Espírito Santo”. Esta foi à expectativa normal, não é incomum, da igreja. (5) Tinham que ser sábios. Isso envolve inteligência natural, bem como a sabedoria do Espírito.
O verso 4, encerra este bloco de ideias. Enquanto os sete assistiriam o trabalho de caridade, os doze continuariam na “oração e no serviço da palavra”.[78]  A estrutura frasal feita por Lucas ἡμεῖς δὲ (“nós porém”) cria um contraste entre os serviços ao mesmo tempo dá uma forte ênfase ao verbo προσκαρτερήσομεν (“continuaremos envolvidos”). O aspecto verbal deste verbo enfatiza a continuidade da operação ser entendida, que era realizada no sentido de que a oração e a pregação foram as únicas atividades dos apóstolos, mas sim, era a sua principal obra
O real sentido de διακονία[79] τοῦ λόγου não é claro. B. Gerhardsson acredita que devemos pensar não em proclamação, mas sim em “ensino” (διδαχή) da palavra.[80] Não há dúvida, que o ensino da palavra era uma característica marcante na igreja primitiva, todavia, Barrett obseva, que a interpretação que contempla o serviço da pregação como proclamação, é apoiada pelo uso em Atos da palavra λόγος.[81] Considerando o contexto de expansão da igreja creio que o termo λόγος está mais ligado a proclamação. Na sequencia da narrativa, Lucas mostra como esta proposta foi aceita pela comunidade. É sobre esse assunto que falaremos no tópico a seguir.

3. A implementação da proposta. (V. 5 - 6)


5.  E agradou a palavra a vista de toda a multidão. E escolheram Estêvão, varão cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Tímom, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. (6) Os quais puseram de pé a vista dos apóstolos, e tendo [eles] orado, puseram sobre eles suas mãos.
Nestes versos Lucas mostra a reação da comunidade em relação à proposta feita pelos doze. Lemos que a comunidade executa a proposta feita pelos doze e escolhe sete varões e os apresenta diante dos apóstolos.
 A palavra ἐνώπιον indica que a comunidade (assim com no verso 2 refere-se a multidão de discípulos), como um todo estava bem satisfeita com a sugestão e em harmonia com os apóstolos. O verbo ἐξελέξαντο (“escolheram”) aponta para uma ação de toda a congregação, mas, sem deixar de considerar o regulamento dado pelos apóstolos.
É digno de nota que todos os escolhidos têm nomes gregos. Não se pode concluir precipitadamente que eles eram todos helenistas, pois a maioria dos judeus no mundo antigo tinha três nomes, um judeu, um grego e um nome romano e utilizava um ou outro dependendo da ocasião. Apesar de termos outros fatores que indicam eles provavelmente eram helenistas. F. F. Bruce assevera, que a conclusão que eles eram helenistas, não se baseia apenas no fato de que todos eles têm nomes gregos, mas provavelmente terem sido reconhecidos como líderes dos helenistas na igreja.[82]
Os sete eleitos são Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímom, Pármenas e Nicolau. Nesta lista, um nome recebe destaque do autor, por meio da ordem onde foi colocado, e dois através das notas explicativas. O primeiro é Filipe, recebe a segunda posição na lista. O segundo é Estêvão, a quem Lucas diz ser um “varão cheio de fé e do Espírito Santo”. Creio que o propósito de Lucas com esses qualificadores enfáticos é duplo: 1º destacar essas duas qualidades espirituais. 2º informar e preparar o leitor para a narrativa seguinte, onde Estêvão é o personagem principal. Está verdade se aplica também a Felipe, um personagem importante na extensão do evangelho, fora do círculo de Jerusalém e Judéia. A segunda nota, se refere a Nicolau a quem ele acrescenta: “prosélito de Antioquia”. Esta última distinção, sugere que todo o resto de linhagem judaica e Nicolau o único a se converter Judaismo.
Os apóstolos, por conseguinte, impuseram as mãos sobre os sete e os nomeou para ser responsável pela distribuição diária de comida. A questão que surge aqui é: como devemos relacionar Atos 6 com o oficio de diácono como temos hoje? Segundo Daniel Wallace, três opções de respostas são apresentadas: 1) Atos 6 dá um padrão essencial da liderança da igreja, 2) Dá uma opção válida da liderança da igreja, 3) Dá  uma descrição incidental que talvez seja irrelevante para a liderança da igreja.
Os exegetas estão divididos sobre esta questão, a qual sem dúvidas é uma das mais difíceis do livro de Atos. Infelizmente, devido o propósito deste trabalho não temos tempo para uma análise mais detalhada do assunto, por ora faremos apenas algumas observações. De início precisamos reconhecer que, não há dúvidas, que um dos propósitos de Lucas é mostrar mais o crescimento da igreja por meio da ação do Espírito, que a sua organização eclesiástica, por meio da ação dos apóstolos. Além disso, Lucas não descreve uma igreja que é modelo em tudo, para todas as épocas.[83] Todavia, há alguns elementos exegéticos fortes que para uma gênese do diaconato.
O primeiro é a se encontra no verso 3, quando os doze dizem que os eleitos seriam encarregados “deste serviço” (ARA). A palavra “serviço” no original é a palavra “χρείας”. A tradução mais como para esta palavra é “necessidade”. Todavia, segundo Danker, uma das possibilidades de tradução (mesmo que não primaria) contempla a ideia de um serviço necessário a ser prestado.[84] Vine, vai mais longe ao dizer que χρείας, nesta passagem se refere “a distribuição de fundos”, e traz a ideia de uma “função” instituída.[85] Assim, parece que no verso 3 os doze propõe instituir os sete para a função de distribuir os fundos arrecadados diariamente.
A segunda evidência, que é mais clássica, está no verso 6. Onde lemos que após orarem impuseram sobre os sete as mãos. A imposição de mãos lembra Moisés comissionamento de Josué em Números 27: 18-23, onde, através deste ato, a autoridade foi conferida Josué (cf. Lv 03:02; 16:21) . Isso é, evidentemente, que a imposição de mãos foi feita para simbolizar aqui, a transmissão de autoridade para os sete, selecionados pela Igreja (cf. 8:17; 09:17, 13:03, 19:06).[86]
Finalmente, precisamos considerar outras questões. Primeiro, o cargo de diácono é assumida na carta aos Filipenses de modo natural e em distinção dos bispos (cf. Fp. 1:1). Assim, se Atos 6:1-6 não é uma história de iniciação, em seguida, surge a pergunta, quando e onde eles se originaram os diáconos? Em segundo lugar, várias palavras relacionadas ao diaconato estão aqui, “distribuição” (διακονίᾳ), Servir (διακονεῖν) Serviço (χρείας). Além disso, essa tem sido a interpretação deste o segundo século. Por fim, Calvino quando interpretou este texto asseverou o seguinte: Imposição de mãos era um sinal de consagração solene nos termos da lei. Para esse efeito que os apóstolos agora as suas mãos sobre os diáconos, para que saibam que são oferecidos a Deus.[87] (Destaque nosso).
Os argumentos contra essa ideia são fortes e convincentes. Por questão de tempo não pudemos aqui apresentá-los e abrimos um diálogo. Todavia, em poucas palavras podemos dizer provavelmente foi de atos 6 que a igreja pós primitiva concebeu a ideia de diácono.


O resultado - V. 7.


(7) E, a palavra de Deus crescia e era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente, e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé.

O verso 7 é antes de mais nada, um “sumário” de todos os eventos narrados até aqui (1.1 – 6.6). Segundo Carson, estes “resumos fundamentais”, em forma de “notas breves”, servem para mostrar uma sequência de acontecimentos, e são usados por Lucas, para nos dizer que, eles levaram ao crescimento da Palavra de Deus ou da igreja. Além disso, o fato de esse sumário ter sido colocado após um grande problema enfrentado pela igreja aponta para um dos objetivos de Lucas, que é apresentar a igreja triunfante em meio às lutas deste mundo. Ela continua vitoriosa mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e os líderes religiosos judeus (5. 11ss), ou a crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). Frank Thielman, acertadamente, mostra que a história de Jesus e da igreja primitiva demonstra que os propósitos salvíficos de Deus para Israel e o mundo sempre triunfarão. [88]
Este verso também é um fechamento da perícope que temos estudado até aqui. Se nos versos anteriores temos a apresentação do problema, a proposta e a execução da mesma, no verso sete, Lucas apresenta o resultado, isto é palavra de Deus continuou se espalhando; O número de discípulos em Jerusalém aumentou grandemente; e uma multidão de sacerdotes obedecia a fé. Vejamos cada parte deste resultado separadamente.
Primeiro, a “Palavra de Deus continuou se espalhando”. Há dois sumários com a mesma ênfase em 12: 24 e  19: 20. O termo λόγος (“palavra”), neste contexto, não é sinônimo de livro, mas uma referência à palavra de Deus como os apóstolos continuaram a pregar (Cf. 2, 4). Bob Deffinbaugh observa, por outro lado, que Lucas não está destacando o crescimento da igreja (apesar disso ter acontecido em consequência da pregação), mas sim a ampliação círculo, onde o Evangelho está sendo proclamado.[89] Assim, este sumário aponta uma transição, isto é, pregação que ecoa além dos murros de Jerusalém (Cf. At. 1: 8). O imperfeito[90] progressivo do verbo ηὔξανεν (“continuou se espalhando”) assinala uma ação continua e crescente. A cada dia que se passava novas regiões eram alcançadas.
Consequentemente, a igreja continuou a crescer em números: “era aumentado o número dos discípulos em Jerusalém grandemente”. Em consequência da divisão de trabalho (vv.3-6), da maior dedicação dos doze a oração e a pregação da Palavra (v. 4) e, sobretudo da ação soberana do Espírito, a igreja cresce no lugar que poderíamos chamar de base da missão (Cf. At. 1: 8).
Finalmente, somos informados que uma multidão de sacerdotes obedecia à fé. A construção frasal com sujeito coletivo no singular (ὄχλος – “multidão”) com verbo no plural (ὑπήκουον - Lit. “obedeceram”), segundo Wallace, indica ênfase nos indivíduos do grupo,[91] aqui os sacerdotes. Assim, essa nota colocada por Lucas destacando os sacerdotes parece ter sido proposital e merece nossa atenção. Primeiro, precisamos entender sua quantidade. Jeremias destaca, que nesse período houve talvez até oito mil sacerdotes e dez mil levitas, divididos em 24 grupos semanais, servindo no templo de Jerusalém, durante o período de um ano, dos quais muitos abraçaram a fé.
Segundo sua conversão. “Obedecia à fé” é uma descrição da conversão de muitos sacerdotes.  O verbo ὑπήκουον (“escutar atentamente”) no Novo Testamento traz a ideia de ouvir com a atenção e responder positivamente ao que ouviu.[92] Assim, ele expressa um ato de obediência à vontade graciosa de Deus em Cristo. Já o seu uso no imperfeito aponta, para uma ação continua, ou seja, eles continuavam obedecendo a fé.
Por fim, o uso de πίστει é usado como sinônimo do evangelho de Cristo. Sendo assim, Lucas fala de uma fé objetiva incorporada ao ensino doutrinário, e não a fé subjetiva do crente. Mais do que crer em hw"hy (Yahweh – Deus) eles estavam aceitando as palavras de Jesus por meio dos apóstolos. Este é um incidente importante na história da Igreja, tanto porque eles eram uma ordem superior entre os homens, mas acima de tudo por sempre terem preconceitos contra a fé que agora abraçaram.

 Mensagem para a época.


Esta instrução não é só para Téofilo. Quando Lucas escreveu este texto, estava interessado também, na resposta dos leitores dos primeiros anos da igreja. Segundo Frank Thielman, Lucas esperava que sua narrativa, desse para os leitores a certeza da fé, a qual haviam se comprometido. Esperava fortalecer o compromisso dos cristãos perseguidos com a fé professada e assim edificá-los.[93] Por isso, talvez a pergunta a ser feita, seja: Como os leitores seriam edificados por essa verdade e responderiam positivamente a este ensino?
Primeiramente, precisamos entender que Lucas possuía dois tipos de leitores, isto é, judeus e gentios. A mensagem de Lucas, visa ao mesmo tempo alcançar ambos. Quando um judeu lia este texto, seria edificado através da exortação e compreensão, que a aliança de Yahweh agora se estende aos gentios. A partir daqui, os gentios são por meio de Cristo inseridos no novo Israel de Deus (a igreja) e passam a desfrutar dos mesmo privilégios dos judeus, nessa nova aliança, independente da linhagem sanguínia, da lingua falada ou da cultura na qual vive. Os leitores gentios, diante desta verdade, seriam edificados em saber que podem desfrutar desses beneficios privados até então dos judeus.
Lucas diante do mapa social que possuia em mãos, visava ainda, mostrar aos leitores judeus e de modo especial aos gentios, à medida que seguiam a sua narrativa, que eles são parte do povo muito mais importante que os povos da sociedade grego-romana, pois fazem parte da nação de Deus. Por isso, desfrutam de bençãos incomuns, não dadas aos demais povos que estavam a sua volta. Por outro lado, como um novo povo devem conduzir suas vidas enquanto segue no caminho de maneira diferente. Lucas queria que seus leitores entendessem, que eles devem praticar a inclusividade, pregando a salvação às pessoas de cultura diferente e ajudando aos pobres que estivessem a sua volta, como vemos no tratamento dado as viúvas.[94]
Outra mensagem que é fortemente vista em todo o livro, e que está clara nossa perícope, é a que apresenta a igreja triunfando sobre os obstáculos. Este triunfo está relacionado com o propósito da salvação. Mais uma vez, Frank Thielman, assevera o propósito da salvação, como Lucas afirma triunfará sobre todos os obstáculos colocados em seu caminho pelo tradicionalismo desobediente da igreja ou pela oposição direta de perseguidores incrédulos.[95] Assim, Lucas quer mostrar as seus leitores que “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”.[96] A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, a avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.

Mensagem para todas as épocas


Como podemos aplicar essa passagem a nossa época? O livro de Atos como uma narrativa tem alguns princípios que não podem ser considerados, como permanentes para todas as épocas. Todavia, em outras situações, os eventos narrados nos dão exemplos que podem ser úteis, mesmo que não possamos vislumbrar princípios absolutos a partir deles.[97]
Por essa razão, podemos tirar de atos 6. 1-7 princípios fundamentais para a vida da igreja hoje. Em primeiro lugar, a igreja primitiva se preocupava com a combinação de preocupações espirituais e materiais na realização do ministério que Deus lhe havia dado. Como a igreja de Atos, precisamos entender que o papel da igreja não é apenas salvar uma alma, mas transformar uma vida como o todo. Nosso entendimento Reformado das Escrituras implica que tudo da vida deve ser trazido em obediência a Cristo. Isto significa que as missões cristãs, devem envolver tanto o ministério de ação (ajuda os pobres realizada pelos sete) como o ministério da palavra (atividade desenvolvida de modo especial pelos doze).

Teologia do Texto


O texto nos apresenta a doutrina soteriologia e eclesiologia, sendo que temos mais elementos da segunda.

Soteriologia - Vocação eficaz [98] - O texto nos apresenta a conversão de um dos maiores grupos de oposição ao Evangelho, a saber, os sacerdotes. Temos claro aqui a vocação eficaz é a obra secreta da vivificação ou regeneração realizada na alma dos eleitos pela operação imediata e sobrenatural do Espírito Santo. Aqueles que se levantavam contra Cristo agora se rendem a Ele, pois quando Deus que não há quem não queira.

Eclesiologia - Soberania de Deus e a responsabilidade humana - Uma das maiores lições deste texto é o da soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Ele nos deu o Seu Espírito, que nos permitirão realizar essas tarefas. Esse paradoxo mostra-nos que a igreja cresce porque Deus soberanamente e graciosamente a faz crescer, mas também Ele faz isso por meio de sua igreja que é a agencia de proclamação e transformação.[99]

     Eclesiologia - Uma igreja multicultural. A igreja de Jerusalém tinha uma composição multicultural. A conclusão de David Fiensy em um estudo da composição da igreja de Jerusalém é que as indicações são de que quase todos os níveis da sociedade estiveram representados. “A igreja parece ter sido um microcosmo da cidade” diz ele.[100] Atos 6 nos ensina que a igreja deve alcançar todas as classes sociais.

Eclesiologia - Liderança e oração. Atos 6 apresenta também a oração como o segredo do poder no ministério. Em resposta à pergunta dos discípulos sobre a sua incapacidade de expulsar um espírito maligno de um menino, Jesus disse: “Este tipo só sai por meio da oração” (Mc 9:29).

Eclesiologia - Liderança e o ministério da Palavra. Uma das principais responsabilidades de um líder é ensinar às pessoas a Palavra. Por esta razão, quando Paulo enumera as qualificações para bispos da igreja, a única exigência capacidade relacionadas, ele cita é que a pessoa deve ser “capaz de ensinar” (1 Tm 3:2;... Cf 2 Tm 2:2) .

Eclesiologia - Critérios para seleção da liderança. Os três critérios utilizados na seleção dos servos da área administrativa da igreja primitiva eram: “uma boa reputação”, “cheio de sabedoria”, e “ser cheio do Espírito Santo”. Ao nomear os líderes da igreja devemos olhar para estas três qualificações.

 

 

SERMÃO.


Titulo: A igreja que triunfa sobre os obstáculos gerados pelo crescimento.
Tema: Como solucionar problemas gerados pelo crescimento da igreja?
Doutrina: Eclesiologia.
Necessidade: Toda comunidade que faz parte da igreja visível tem problemas, pois seus membros são humanos e, por isso, falhos. Por isso, faz-se necessário compreender que diante desses problemas os líderes devem manter o foco na palavra de Deus e escolher pessoas certas para a os ajudar nas soluções dos mesmos.
Imagem: O corpo humano que apesar de tanta diversidade possibilita unidade.
Objetivo: Levar a igreja ao final do sermão a reconhecer a necessidade de uma atitude humilde para reconhecer os problemas e com o foco na palavra e na oração, buscar as soluções dos mesmos.

Esboço:

Introdução: Ilustração sobre a vida em família, mostrando os problemas e as dificuldades de se conviver na mesma. Aplicar a igreja que a grande família das famílias. Mostrar que por essa razão, os problemas não comuns e muitas vezes inevitáveis. Mas que como corpo de Cristo é possível ter unidade na diversidade se mantermos o foco na oração e na Palavra.

Tema: Como solucionar problemas gerados pelo crescimento natural da igreja?

1. Não negligenciar o problema. (v. 1)

ü  Ouvir os que têm problemas.
ü  Ser humilde para reconhecer o erro. (como foram os doze)

2. Manter o foco na Palavra e na oração. (v. 2, 4).

ü  Colocar sempre as primeiras coisas nos primeiros lugares.
ü  Não abandonar a Palavra

3. Escolher as pessoas certas para ajudar. (v. 3,5,6)

ü  Escolher priorizando os dotes espirituais.
o   “uma boa reputação”,
o   “cheio de sabedoria”, e
o   “ser cheio do Espírito Santo”
o    
ü  Pessoas próximas dos necessitados (Nomes gregos)

Conclusão: (v. 7).

*      A igreja de Cristo com o foco na Palavra sempre triunfará sobre todos os obstáculos, pois, é Deus que está escrevendo a história de sua igreja.
*      Como a igreja primitiva continuou vitoriosa mesmo diante da hipocrisia de Ananias e Safira (5: 1- 10); da oposição do Sinédrio e os líderes religiosos judeus (5. 11ss), ou a crise que ameaça no cuidado com as viúvas (6: 1). A Igreja de hoje também vencerá, ela é a igreja do Senhor Jesus.
*      A vitória final da igreja será na consumação dos séculos.

  

Conclusão


Agora que chegamos juntos ao fim deste trabalho, esperamos ter lançado luz sobre a narrativa bíblica aqui analisada. Gostaria de concluir com três aspectos apenas. O primeiro, está relacionado com a mensagem principal do texto. A conclusão que chegamos é o que nessa narrativa Lucas apresenta a igreja que triunfa, diante dos problemas colocados no seu caminho, enquanto ela avança para os confins da terra.[101] Lucas traz edificação aos seus leitores ao mostrar eles “eles não erraram em colocar a sua fé em Jesus”. A igreja é conduzida por Deus e ela continuará, mesmo em meio aos obstáculos, seu propósito salvífico avançar no futuro exatamente como ocorreu no passado.
O segundo, estar ligado a pergunta inicial: o substantivo diakonos do qual tomamos “diácono” (cf. 1 Tm 3. 08), tem sua gênese em atos 6? Entendemos, apesar de Lucas não descreve uma igreja que é modelo em tudo, para todas as épocas. Todavia, há alguns elementos exegéticos fortes que apontam para uma gênese do diaconato. Destacamos a palavra “χρείας” que segundo Danker e Vine, nesta passagem se refere “a distribuição de fundos”, e traz a ideia de uma “função” instituída. Falamos ainda da clássica interpretação da imposição de mãos, a qual simbolizava aqui, a transmissão de autoridade. E mostramos o pensamento do reformador Calvino sobre este assunto, onde ele claramente usa a expressão diácono para se refere os sete. Entretanto por ser uma questão aberta preferimos ser cautelosos e deixá-la aberta no desafio de estudá-la com mais afinco.
Terceiro e último, gostaria destaca, os aspectos teológicos e práticos dessa perícope. Atos 6 nos ensina que é preciso voltar a ver o ser humano, não apenas como uma alma a ser conquistada para o Reino de Cristo, mas uma vida a ser  transformada em seu Reino A igreja é também uma agência de transformação social. A muitos lugares da nossa nação onde as pessoas precisam tanto do alimento para alma como para o corpo. A prática dessa verdade levará nossa igreja ser uma comunidade multicultural.  David Fiensy em um estudo da composição da igreja de Jerusalém é que as indicações são de que quase todos os níveis da sociedade estiveram representados. “A igreja parece ter sido um microcosmo da cidade” diz ele.[102] Atos 6 nos ensina que a igreja deve alcançar todas as classes sociais.
A minha mais sincera oração, é que Deus dê graça a sua igreja para que ela triunfe sobre os problemas no caminho do alcance de todas as nações e se volte para todas as classes.

Jailson Santos


Referência para este artigo: SANTOS, Jailson Jesus. Exegese de Atos dos Apóstolos - 6. 1-7.. Disponível em: <http://jailsonipb.blogspot.com/2011/10/exegese-de-atos-dos-apostolos-6-1-7.html> Acessado em: DATA DO ACESSO.





[1] Cf. THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[2] Ibid
[3] SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A palestina no tempo de Jesus. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1983. 95 p.
[4] Matos, Alderi Souza de. Estudos sobre Ação social cristã. Artigo disponível em: acessado em 06 nov. 2010
[5] Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[6] Barrett argumenta ainda, que havia também algumas comunidades religiosas especiais (como os fariseus e os essênios), que tinha seus próprios agentes em cada cidade, para proporcionar aos seus membros “um serviço social em algum lugar entre os serviços privado e público”. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[7] ENCICLOPÉDIA da Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. v. 3. P. 464
[8] Apud Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[9] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[10] Apud, Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the Acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[11] Cf. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[12] CHAMPLIN, Russell Norman. O novo testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Milenium distribuidora cultural, 1985. v.3. p. 128.
[13] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 204. 
[14] Ibid
[15] A maioria dos estudiosos tem entendido que o propósito primário de Lucas em Atos é a “edificação dos crentes”. Cf. CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 224.
[16] Essa ideia, mesmo que embrionária e incomum, foi destacada pelo Prof. Ver. João Paulo Thomás de Aquino em uma de suas aulas de Exegese do NT2 no 2º semestre de 2010 - seminário JMC. , e faz muito sentido com o sumário encontrado no verso 7.
[17] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205
[18] Ibid
[19] CHAMPLIN, Russell Norman. O novo testamento interpretado : versículo por versículo. São Paulo: Milenium distribuidora cultural, 1985. v.3. p. 128.
[20] Cf. DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[21] Está estrutura foi montada a partir dos esboços sugeridos por Carson e Constable. Cf. CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205; Ver também CONSTABLE, Thomas L. Notes on Acts. Comentário Bíblico online Disponível em: http://www.soniclight.com/constable/notes/pdf/acts.pdf Acessado em: 08 de novembro de 2010
[22] A conjunção δὲ, apesar de ser normalmente traduzida por “então” ou “ora” (ARA, PJFA) e ser uma conjunção adversativa mediana (“porém”), é mais bem traduzida aqui por “mas”, (como se fosse alla, – adversativa forte), pois, segundo Vincent, revela o contraste com a atual condição de próspera da igreja indicado no final do último capítulo. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[23] Preferimos a tradução “nestes”, diferentes das demais versões, pois expressa melhor a ideia original onde temos Ἐν (“em”) + ταύταις (Estes) = “nestes”;  ao invés de Ἐν (“em”) + ekeííi´,naiς (aqueles)= “naqueles”.
[24] Literalmente “quando os discípulos foram se multiplicando”, o particípio presente, indicando que algo em andamento. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword
[25] Esta é a primeira vez no livro de Atos, onde a palavra μαθητῶν (“discípulos”) é utilizada para se refere aos cristãos, de modo mais geral. No total, o termo grego correspondente é usado mais de 25 vezes em Atos: uma vez com o acréscimo “do Senhor” (At. 9: 1). Em atos 9: 25 a referência pode ser limitada aos seguidores de Paulo. Há uma leve diferença entre a ideia de discípulo nos Evangelhos em relação a Atos. Nos Evangelhos μαθητῶν (“discípulos”) são “aqueles a quem Jesus ensinou” ou “aqueles que andaram e aprenderam com Jesus”, em Atos, é necessário empregar uma expressão que indica associação indireta com Jesus, por exemplo, “aqueles que foram seguidores de Jesus”, sendo que a palavra “seguidores” tem mais a ver com o compromisso com as ideias de Cristo (crentes em Jesus) do que como companheiros de imediatos dele (μαθητῶνcomo nos Evangelhos). Por essa razão, muitas traduções usar simplesmente “crentes” para os discípulos em Atos. Cf. Newman, B. M., & Nida, E. A. (993], c1972). A handbook on the Acts of the Apostles. Originally published: A translator's handbook on the Acts of the Apostles, 1972. UBS handbook series; Helps for translators (pg 134ss). New York: United Bible Societies.
[26] O verbo ἐγένετο, (“vim a ser”, “acontecer”) aqui traduzido como nas demais traduções como “houve”, (ARA, NVI, PJFA) tem a ideia de uma mudança de estado. Sendo assim, apesar de imperfeitos da narrativa, que apontam para uma ação contínua e incessante”, somente aqui “vem a ser conhecido” pelos discípulos. Já o aoristo, dele, aponta para uma ação pontual, ou seja, eles reclamaram, mas por que foi resolvido o problema a murmuração cessou.
[27] Atos 6 em parte traz uma realidade diferente de atos 2: 42 – 47, onde vemos comunhão sem conflitos.
[28] Ἑλληνιστῶν é o termo que significa propriamente aqueles que falavam o grego ou seguiam as práticas gregas. Ele normalmente era aplicado tanto para estrangeiros cristãos como para não cristãos. Segundo, muitos estudiosos a tradução do termo “helenistas” deve ser determinado pelo contexto no qual é usado. Considerando este detalhe e olhando a luz para o contexto de atos 6 podemos concluir que os helenistas como temos aqui refere-se judeus da dispersão que viviam em países onde o grego era falado, e que se falava a língua grega. Foi por uma questão semelhante que a versão Alexandrina das Escrituras, comumente chamada de LXX., foi feita. Ver: The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc. Ver também: Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[29] πρὸς – em dado contexto, a preposição significa “contra”. Ela traz a conotação de abordagem indireta ao invés da direta anti (face a face). Assim, a reclamação não é direcionada para as outras viúvas, nem para um grupo especifico que pode ter sido responsável, mas para toda a comunidade dos hebreus nativos. Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299
[30] Hebreus, os judeus da Palestina e outros, que falavam aramaico (2 Co. 11:21;. Fp. l 3:5), em oposição aos gregos.
[31] O termo ὅτι, na construção frasal que temos aqui, funciona como uma conjunção causalA maneira como Lucas constrói a frase, isto e,  ὅτι + παρεθεωροῦντο faz do verbo παρεθεωροῦντο um imperfeito progressivo, ou seja, uma ação continua e ainda em andamento.
[32] O verbo παρεθεωροῦντο (viip3p) aparece somente aqui em todo o Novo Testamento.  O radical verbal traz a ideia de “passa as vistas por cima”, em outras palavras deixar de ser visto e assim “negligenciado” (ARA, PJFA). Obseve que o tempo imperfeito aponta para algo que já estava sendo habitual, ou seja, elas “continuavam sendo esquecida”.  Por essa razão é que traduzimos por: “estavam sendo deixadas de lado”. Cf. STRONG. Dicionário Bíblico Strong-Léxico Hebraico, Aramaico e Grego - Sociedade Bíblica do Brasil. Disponível na bíblia E-sword.
[33] Diário; καθημερινός ocorre apenas aqui no Novo Testamento, e raramente em escritores gregos; vem do verbo ἐφημερινός “febre diária”. Esta palavra foi usada por Hipócrates, que pode, eventualmente, ter sugerido o uso da palavra rara usada pelo médico Lucas. CF. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[34] O verbo προσκαλεσάμενοι Significa: a) “chamar a si mesmo”, ou, “convidamos a vi”, e é usado somente na voz média. Esse foi o termo usado por Lucas em At. 2: 39. Para se refere ao “chamado” (ARA) de Deus para os gentios, por meio do evangelho. A voz média traz a ideia de envolvimento, por isso poderia ser traduzido por: “Convocando com empenho”.
[35] Diferente do verso 1 a conjunção δὲ aqui é melhor traduzida por “então” como temos na ARA, pois, traz a ideia continuação do que foi dito no verso anterior.
[36] Essa é a primeira vez que Lucas usa apenas a palavra οἱ δώδεκα para se referir a liderança exercida pelos Apóstolos.
[37] Apesar da palavra “comunidade” usada pela ARA , trazer implícita, a ideia de um grande grupo, preferimos a tradução literal do termo πλῆθος (multidão), pois expressa melhor a ideia de um grupo além dos 120 de atos 1. 15. F.M. Cruz Jr., apontou as semelhanças linguísticas e funcionais entre o uso de רבּים (rabbîm, “os muitos”) em um QS 6,8-13, que lida com a ordem das sessões públicas de Qumran, e o uso de τὸ πλῆθος (“to plethos” , “o número inteiro”, “todo”), em Atos 6:2, 5 e 15:12, 30 (cf. antiga Biblioteca de Qumran [Londres: Duckworth, 1958], p. 174). Embora nem o acampamento dos Essênios em Qumran, nem a igreja de Jerusalém poderia ser chamado em nosso sentido moderno, uma assembleia democrática, é evidente que em ambos a congregação estava envolvida nas deliberações de seus líderes. Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[38]  O termo ἀρεστόν é usado aqui como adjetivo verbal do verbo areskw (“eu agrado” como temos no verso 5). ἀρεστόν é muitas vezes a interpretação de טוב (“bom”, “agradável”). Normalmente se refere ao termo יָשָׁר, “o que é certo”. ἀρεστόν juntamente com a partícula negativa οὐκ (não) significa “não é desejável”, como traduzimos aqui. Cf. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc. Ver também: KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[39] καταλείψαντας é o verbo diretivo composto de kataleipw (“eu deixo de lado” “eu desisto”) significa  “abandonar” ou “renunciar” ou literalmente  “deixar em apuros”. Além disso, este verbo como particípio aoristo ativo demonstra modo. Assim, tanto o pronome ἡμᾶς (sujeito do infinitivo) como o infinitivo do presente διακονεῖν (servir) abrangem a construção verbal principal. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299.
[40] διακονεῖν - Presente infinitivo ativo de diakonew. Esta palavra é derivada de diakonov. Esta palavra vem da raiz diâmetro que significa “guardar com cuidado”. Normalmente se referia a uma tradução que a LXX fez para se referir ao cuidado providencial de Deus. No NT normalmente está ligada a ideia de “servir”, “ministrar”, quer na mesa ou em outro serviço (João 12:25). Em muitos contextos, como neste caso é uma referência a “servir” como diácono (1 Tm. 3: 10,13; Fp. 1: 1). Esta palavra tem a mesma raiz de  diakonia (“serviço” ou “distribuição diária”), usada no versículo 1. Este termo é também, mais frequentemente utilizados no NT, para se refere aos ministros (pastores) do que dos diáconos, mas é também muitas vezes usada para falar do ofício de diácono, como separado presbíteros e pastores. Cf. Thayer and Smith. “Greek Lexicon entry for Diaphulasso”. “The New Testament Greek Lexicon”.  Disponível em: <http://www.studylight.org/lex/grk/view.cgi?number=1314> Acessado em 02/11/2010. Ver também: Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[41] O verbo ἐπισκέψασθε (“selecionai”), vem de verbo ἐπισκευάζω “equipada com as coisas necessárias”. Era o verbo usado para descrever os equipamentos necessários aos animais de carga para uma viagem. Uma forma tardia deste verbo é ἐπισκέπτομαι que significa “olhar para as pessoas certas para uma finalidade específica”. Por isso,  ἐπισκέψασθε, traz a ideia de uma seleção feita a partir de uma inspeção dos elementos necessários para se alcançar um propósito. Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[42] Futuro ativo indicativo de katisthmi (“nós nomearemos”), aponta para o fato que a ação dos apóstolos é posterior e segue a escolha da igreja, mas é prometido como uma certeza, não como uma possibilidade. O Texto Receptus tem um aoristo ativo do subjuntivo (katasthswmen). Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[43] “Porém, nós” (ἡμεῖς δὲ). Apesar do δὲ não ser uma conjunção adversativa tão forte como alla,, ela mostra claramente o contraste entre o trabalho dos apóstolos e o dado aos sete. Cf.: em Atos 2: 42. Ver: Robertson, A. T. Word Pictures In The New Testament. B&H Publishing Group, Concise edition, August 2000. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword .
[44] É improvável que προσευχή refere-se a um lugar de oração em que os apóstolos estavam constantemente a ser encontrada. Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[45] O ministério da palavra (τῇ διακονίᾳ τοῦ λόγου). A mesma palavra διακονίᾳ empregada no versículo 2, mas aqui este serviço se referia ao ministério especial com que os apóstolos estavam em causa e que deveria “continuar firmes” ou “perseverando”  (προσκαρτερήσομεν) como em Atos 2: 42. Op cit 9.
[46] O verbo προσκαρτερήσομεν continuaremos envolvidos” vem de προσκαρτερέω (“eu persevero”). Este verbo é de uso frequente em Atos (Cf. 1:14;. 02:42, 02:46, 08:13, 10:07, ver também Col. 4:02). É utilizado de pessoas e coisas às quais qualquer um se adere e perseverança, que são colocados no caso dativo, como aqui. Cf. The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (p. 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[47] ὁ λόγος τοῦ θεοῦ - Lucas aqui não está falando em palavra como sinônimo de livro,  porém se refere a palavra de Deus como os apóstolos continuaram a pregar (vv. 2, 4), mas que agora se espalhava para lugares além de Jerusalém. 
[48] O verbo ηὔξανεν pode ser analisado tanto como um particípio, como um imperfeito. A luz do contexto, preferimos analisá-lo como: 3pms do imperfeito ativo do presente do indicativo. Além disso, traz a ideia que a palavra de Deus “continuava a crescer em influência e efeito”.
[49] À primeira vista, esta informação deve nos deixar no mínimo, um pouco perplexos em vista de 4:1 e ss. 5:17 e ss., parece difícil de acreditar que todos os sacerdotes teriam se tornado cristãos. No entanto, como Jeremias observou em pormenor, houve talvez até oito mil  sacerdotes e dez mil levitas, divididos em 24 grupos semanais, servindo no templo de Jerusalém durante o período de um ano, cuja posição social foi nitidamente inferior ao das famílias sacerdotal e cuja piedade em muitos casos, poderia muito bem ter que os levaram a uma aceitação da mensagem cristã. Cf. Jerusalém, p. 198-213, Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[50] O verbo ὑπήκουον significa literalmente “escutar atentamente”. Entretanto no Novo Testamento traz a ideia de ouvir com a atenção e responder positivamente ao que ouviu. Normalmente os tradutores traduzem como “obedecer” como fizemos aqui.
[51] Πίστει - Está expressão é muito usada por Paulo e sua tradução é variada. Pode se referir ao ato de ter fé ou até mesmo ao conteúdo da fé. O uso aqui parece ser o que os pais da igreja chamavam de “fides quae”, isto é, o conteúdo da fé cristã e da vida.
[52] F. F. Bruce, The Book of Acts, Revised Edition (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1988), p. 121.
[53] CARSON D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao novo testamento. 6. reimpressão São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 205
[54] CONSTABLE, Thomas L. Notes on Acts. Comentário Bíblico online Disponível em: http://www.soniclight.com/constable/notes/pdf/acts.pdf Acessado em: 08 de novembro de 2010
[55] Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[56] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[57] Ryrie, C. C. (1961). Acts of the Apostles. Everyman's Bible Commentary (pg 42ss). Chicago: Moody Press.
[58] The Pulpit Commentary: Acts of the Apostles Vol. I. 2004 (H. D. M. Spence-Jones, Ed.) (pg 192ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[59] Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[60] A conjunção δὲ, apesar de ser normalmente traduzido por “então” ou “ora” (ARA, PJFA) e ser uma conjunção adversativa mediana (“porém”), é mais bem traduzida aqui por “mas”, (como se fosse alla, – adversativa forte), pois, segundo Vincent, revela o contraste como descrito acima. Cf. Vincent, Marvin R. Word Studies in the New Testament Part Two. Kessinger Publishing, LLC, 2004. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword; Ver também: Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[61] Cf. STRONG. Dicionário Bíblico Strong-Léxico Hebraico, Aramaico e Grego - Sociedade Bíblica do Brasil. Disponível na bíblia E-sword.
[62] Cf. KISTEMAKER, Simon J. . Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. 2 v. p. 299
[63] Apud, Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the Acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[64] Cf. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[65] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[66] A responsabilidade deste trabalho, tinha sido até então restrito aos apóstolos; doações de caridade foram colocadas a seus pés (4: 35, 5:2), e foram distribuídos ou aplicados de acordo com o seu julgamento, (4:35). Outros estudiosos tem obsevado que algumas vezes a palavra διακονίᾳ foi usada para se refere ao serviço apostólico que Judas Iscariotes fazia e que Matias passou a fazer. Cf. Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures : Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[67] Apud Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (p. 302). Edinburgh: T&T Clark.
[68] Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures: Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[69] cf. Antiga Biblioteca de Qumran [Londres: Duckworth, 1958], p. 174
[70] Apud Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[71] Lange acredita que “toda a multidão dos discípulos”, se refere a todos os membros do sexo masculino, o que pode ser possível considerando o contexto da época. Cf. Lange, J. P., Schaff, P., Gotthard, V. L., Gerok, C., & Schaeffer, C. F. (2008). A commentary on the Holy Scriptures : Acts (pg. 102ss). Bellingham, WA: Logos Research Systems, Inc.
[72] THAYER, J. H. Greek-English Lexicon of the New Testament. Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1999. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[73] Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[74] Ibid
[75] Cf. Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[76] Cf. Ryrie, C. C. (1961). Acts of the Apostles. Everyman's Bible Commentary (pg 42ss). Chicago: Moody Press.
[77] Para Longenecker a preposição ἐξ (“dentre vós”) refere-se aos helenistas sozinhos. Eles mesmos poderiam assumir a responsabilidade no caso diz ele. Esse argumento faz sentido quando olhamos para os nomes dos escolhidos, todavia não podemos afirma essa verdade com certeza. Cf. Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[78] Ambas as atividades são vistas como formas de culto público, eles elas eram chamadas no mundo grego, λειτουργοι (liturgias). Witherington III, B. (1998). The Acts of the Apostles: A socio-rhetorical commentary (pg 240ss). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[79] A mesma palavra διακονίᾳ empregada no versículo 2, mas aqui este serviço se referia ao ministério especial com que os apóstolos estavam em causa e que deveria “continuar firmes” ou “perseverando”  (προσκαρτερήσομεν) como em Atos 2: 42. Op cit 9
[80] Gerhardsson, B. Memory and Manuscript, 1961, 245. Apud Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[81] Cf. Barrett, C. K. (2004). A critical and exegetical commentary on the acts of the Apostles. The international critical commentary on the Holy Scriptures of the Old and New Testaments (302). Edinburgh: T&T Clark.
[82] BRUCE, F. F. The Book of Acts, Revised Edition (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1988), p. 121.
[83] Daniel Wallace obseva, que Lucas descreve muitas coisas que certamente não são válidas para no ministério contínuo da igreja (por exemplo, o comunismo inicial da igreja, o batismo do Espírito depois da salvação). Assim, é preciso ter cuidado para distinguir as coisas que parecem ter significação permanente daqueles que não.
[84] Arndt, W., Danker, F. W., & Bauer, W. (2000). A Greek-English lexicon of the New Testament and other early Christian literature. "Based on Walter Bauer's Griechisch-deutsches Wr̲terbuch zu den Schriften des Neuen Testaments und der frhchristlichen [sic] Literatur, sixth edition, ed. Kurt Aland and Barbara Aland, with Viktor Reichmann and on previous English editions by W.F. Arndt, F.W. Gingrich, and F.W. Danker." (3rd ed.). Chicago: University of Chicago Press. p. 1088
[85] Cf. VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[86] Longenecker, R. N. (1981). The Acts of the Apostles. In F. E. Gaebelein (Ed.), The Expositor's Bible Commentary, Volume 9: John and Acts (F. E. Gaebelein, Ed.) (pg. 326ss). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[87] Calvino, Acts. Calvin's New Testament Commentaries Series, vol. 13. Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1994. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword

[88] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[89] DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[90] O verbo ηὔξανεν pode ser analisado tanto como infinitivo, como um imperfeito. A luz do contexto, preferimos analisá-lo como: 3pms do imperfeito ativo do presente do indicativo.
[91] WALLACE, Daniel B. Gramática grega: uma sintaxe exegética do novo testamento. São Paulo: Batista Regular, 2009. p. 401.
[92] Cf. THAYER, J. H. Greek-English Lexicon of the New Testament. Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1999. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
Ver também: VINE, W. E. Vine's expository dictionary of Old & New Testament words. Nashville: T. nelson publishers, 1997. Disponível na Bíblia eletrônica e-sword.
[93] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[94] Ibid
[95] Ibid p. 250
[96] Ibid
[97] Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[98] CALVINO, As Institutas – edição Clássica, Vol III, p.429.
[99] DEFFINBAUGH, Bob. Growth Pains (Acts 6:1-15). Disponível em: http://bible.org/seriespage/growth-pains-acts-61-15 Acessado em 01 set. 2010
[100] Fiensy, “Composition of the Jerusalem Church,” 4:213. Apud Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.
[101] Cf. THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento: uma abordagem canônica e sintética. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p. 250
[102] Fiensy, “Composition of the Jerusalem Church,” 4:213. Apud Fernando, A. (1998). The NIV Application Commentary: Acts (pg 225-242). Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House.


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Matos, Alderi Souza de. Estudos sobre Ação social cristã. Artigo disponível em: acessado em 06 nov. 2010

Um comentário:

  1. Caro Jailson,

    Parabéns pelo seu trabalho na web!.

    Se permite,

    Diversos assuntos têm inquietado muitos de nós e a internet tem sido um espaço precioso onde podemos discutir diferentes pontos de vista sobre a religião, cultura, política e, sobretudo, o que acontece na sociedade seja no Brasil como em todo o mundo.

    E essa é a proposta do blog independente Conversa Protestante, ou seja, o pensamento e a expressão de idéias sobre tudo aquilo que está ao nosso redor.

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    abs.

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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