Pr. Jailson Santos

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Discurso de Formatura JMC




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Meus colegas me concederam a honra de representá-los na formatura do curso de bacharelado em teologia do Seminário Teológico Rev. José Manuel da Conceição. Agradeço a todos pela escolha. Abaixo segue minhas simples e rápidas palavras em vídeo e texto.


Discurso de Formatura JMC


Ilustre Sr. diretor do Seminário Teológico Rev. José Manuel da Conceição, Rev. Ageu Magalhães; Nobre paraninfo da turma, Rev. Christian Medeiros; Digno patrono Rev. Dario Cardoso; Queridos professores homenageados Rev. George Canêlhas, Rev. Gildásio Reis e Rev. Hermisten Maia;  Senhores coordenadores, em nome de quem saúdo a todos os demais professores; autoridades aqui representadas; demais componentes da mesa; Senhores e senhoras presentes, boa noite!
Meus caros colegas, amigos e irmãos. Nem que eu tivesse o maior poder de síntese do mundo e a noite inteira para discursar nesta tribuna, conseguiria expressar em palavras o que vocês merecem ouvir. Isso porque a nossa história é longa e intensa.
Lembro como se fosse hoje do dia em que chegamos do interior do Brasil e do centro do Chile com os corações empolgados, e agora, aqui estamos nós, com os olhos hora aguados. Entre a alegria da chegada e a tristeza da partida muitas coisas aconteceram. Algumas alegres outras tristes.
Victor Hugo dizia que “a gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano”. Nós pudemos experimentar esta verdade em muitos momentos do nosso curso. Estudamos muito, mas rimos, também, bastante. Se tivesse que defini-los em três palavras diria: Responsabilidade com alegria. Jamais nos esqueceremos dos apelidos que aqui adquirimos e das histórias vivenciamos. Como nos esqueceremos da dramatização feita pelo Eliseu no “tribunal” da matéria Constituição 2. Isso é inesquecível!
Mas não apenas nos alegramos com os que se alegraram, mas choramos com os que choraram. Choramos com colegas que ficaram pelo caminho e não puderam esta aqui conosco. Choramos a recente perda do pai do nosso colega Luciano.
O fato é que vivemos tantas emoções que se fôssemos contar a nossa história por meio de um filme, seríamos injustos se escolhêssemos apenas um gênero. Pois, tivemos A AVENTURA de deixamos tudo e viajarmos para um "novo mundo"; O DRAMA de aprendermos grego e hebraico e até aramaico; A COMÉDIA nos intervalos das aulas; A ANIMAÇÃO (quase em 3D) do PowerPoint de certos alunos; A AÇÃO na nossa quadra “rala ombro”; E O SUSPENSE da lista final dos formandos. Uma coisa é certa. No final deste filme (em homenagem ao chileno Juan) ao invés de termos FIM, teríamos “tetelestai” “está consumado!” Não somos mais seminaristas.
 Passamos estes anos nos preparando para um único propósito: Cumprir a vocação e a missão mais nobre de todas, isto é: Sermos pastores. Entretanto, o que vem a ser isto? Certamente pastorear não é usar a fé sincera de um povo sofrível para explorá-lo de forma visível. Não é viver em desprezível ganância e ainda fazer do ministério meio de jactância. Não é ser um palestrante motivacional fazendo do homem ainda mais carnal!
            Ser pastor é ser muito mais que ser um grande orador; Está além de ser um administrador e fica aquém da figura de salvador. Ser pastor é se lançar numa extensa e desafiante obra muito além das forças humanas é “gastar-se e se deixar gastar em favor das almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. 
A priori nos preparamos nestes anos da melhor maneira possível para sermos pastores; a posteriori não será nada fácil os sermos. Teremos que resistir algumas tentações ministeriais, vencer alguns desafios práticos e seguir os bons exemplos. É sobre isso que desejo falar-lhes.

1.      Uma tentação a ser resistida: Abandonar as velhas práticas e abraçar novos métodos.
A cada raia do sol uma nova metodologia nos é apresentada para como a solução para termos um ministério bem sucedido. Milhares de congressos são realizados a cada ano e inumeros livros são lançados a cada dia. Estes nos apresentam: “Dez maneiras de fazer a igreja crescer”; “Sete princípios para você ser torna um lider de sucesso”; “Cinco passos para plantar uma igreja em um ano”... O problema, muitas vezes, é que essa metodologia estar fudamentada mais em princípios racionais que revelacionais. Mais voltada para entreter o homem que agradar a Deus!
Não são poucos os líderes que têm mergulhado a fundo nas aguás da medodologia humanista. Mas, meus colegas, o que nós mais precisamos não são de novos métodos antropocêntricos, mas sim de velhas práticas teocêntricas, entre elas, as práticas da oração e do estudo sério da Palavra.
Leiam a história dos verdadeiros avivamentos e vocês verão que a igreja de Cristo se expandiu quando pastores se voltaram para prática diaria da oração e do estudo da Palavra. Foi depois de um período de oração e estudo da Palavra que sugiu a reforma. Foi após dias e noites de oração, agonia e suor nas frias selvas americanas que David Brainerd experimentou com abundância a graça de Deus sobre seu ministério entre índios pele-vermelhas.
Os homens que foram usados por Deus nos grandes avivamentos da História, foram homens de vida abundante de oração. Charles Haddon Spurgeon um dos maiores pregadores que o mundo já viu, conhecido como “o Príncipe dos Pregadores”, em uma autobiografia, revelou o segredo do seu ministério; diz ele: “Quando cheguei à capela da rua de New Park, era apenas um grupinho de gente a quem primeiro pregava; mas não posso esquecer jamais o fervor com que eles oravam”. Somos informados de que de 1854 – 1905 o sol nunca surgia no horizonte da China, sem que Hudson Taylor não tivesse de joelhos. Muito mais que mentes brilhantes o que precisamos e de corações ungidos.
 Se lermos a História da Igreja, veremos ainda que os ministérios dos grandes pastores foram logocêntricos: centrados na Palavra. Veja o que aconteceu Savonarola. Enquanto muitos desprezavam a Palavra de Deus, este grande homem de Deus “desbruçava-se sobre a Bíblia, dia e noite, de modo que se dizia que ele a sabia de cor, do princípio ao fim”.[1] E quando subia ao púlpito para pregar, seu sermão irrompia como um meteoro do céu, quando sua palavra ecoava, o rosto de todo auditório branqueava.
            A solução para a revitalização da nossa igreja não é darmos um mergulho profundo nos novos métodos, mas sim a volta às velhas práticas. O D. Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, a saber: olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: “Foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido”.[2]
O que a igreja precisa não é de novos métodos humanos, mas de velhos homens de Deus. Vivemos em uma época de grandes palestrantes, mas de pequenos pregadores. Há muita oratória, porém pouca oração. Há muita performance, mas pouco poder. Há muitas palestras sobre livros do cristianismo, todavia poucas pregações sobre Cristo. A igreja não precisa de pessoas cheias de conhecimento do mundo consumista, mas cheias de Deus. Pessoas vazias de Deus púlpito geram bancos vazios na igreja. Por isso, resistamos à tentação de abandonar as velhas práticas e abraçar novos métodos.

2.      Um desafio a ser vencido: Manter casado o que ultimamente tem sido divorciado: Ortodoxia e ortopraxia.

Dizem que há seminários que formam teólogos e outros pastores. Que alguns privilegiam o estudo acadêmico em detrimento da piedade. Os que assim asseveram estão tentando divorciar duas coisas que sempre devem andar de mãos dadas, isto é, ortodoxia e ortopraxia. Teologia sem piedade não gera vida e piedade sem teologia leva a morte! Eu costumo dizer que nós precisamos ter a mente informada para dar razão da fé e o coração empolgado para viver a fé.
Por isso, precisamos manter juntas estas duas coisas que andam separadas em muitas igrejas da nossa pátria. Uma análise superficial de a realidade evangélica brasileira dar-nos a entender que estas verdades estão polarizadas.
Por um lado temos muitas igrejas históricas que são ortodoxas em sua teologia. Sabem sem titubear as verdades basilares da fé cristã. Mas que não estão tão comprometidas com a evangelização do mundo e a transformação da sociedade. Por outro lado, temos pessoas engajadas e entusiasmadas com essas coisas, mas que desprezam quase que por completo o estudo bíblico-teológico, ao ponto de dizer que “o estudo é coisa de homens”. Assim, se por um lado temos ortodoxia sem ortopraxia, por outro temos ortopraxia sem ortodoxia!
Nossa tradição reformada jamais divorciou ou dicotomizou estas verdades. Dr. Abraham Kuyper falando sobre Calvino, diz que o pensamento deste Genebrino não deve ser visto apenas como um conjunto de dogmas teológicos que teve influência no meio eclesiástico, mas que tem sido antes de tudo, uma filosofia de vida que tem afetado a sociedade e os indivíduos como um todo.  Segundo ele “a visão teológica de Calvino permeada pela soberania de Deus, fez com que ele procurasse relacionar a aplicação desta soberania às diversas atividades culturais do ser humano”. Zuínglio dizia que “o reino de Cristo é também externo”.[3] Piedade e teologia devem ter um casamento sólido e sem crise. Na verdade, a igreja necessita “deixar o monte da transfiguração e descer até ao povo sofrido onde se encontram os perdidos da sociedade”.
Em suma precisamos ter a mente informada para dar razão da fé e o coração empolgado para viver a fé. Por isso, vençamos o desafio de manter casado o que ultimamente tem sido divorciado: Ortodoxia e ortopraxia.

3. Um exemplo a ser seguido: Paulo um homem que abriu mão das glórias deste mundo para viver para glória de Deus.

            O passado de Paulo – Um homem honrado pelos homens. Era natural de um dos maiores centros intelectuais de sua época. Seus escritos posteriores mostram sua erudição grega. Um cidadão romano “por direito de nascimento” (At. 22.28). No que se refere a sua linhagem era a tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; Quanto à lei era um dos grandes entre os fariseus (Fp. 3.5).
            Porém este homem quando alcançado pela graça de Deus abriu mão de todas estas glórias para viajar o mundo de sua época e viver para glória de Deus! Escrevendo aos Filipenses ela assevera: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp. 3.8).
Paulo foi um homem que viveu intensamente para glória de Deus! Uma de suas últimas palavras foi: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm. 4. 7). Estas palavras revê-nos que Paulo encerrou o seu ministério com três certezas:
A certeza que viveu intensamente para o senhor. Com as palavras: “Combati o bom combate”, ele mostra o quanto viveu profundamente para glória do Senhor. É da palavra grega usada para combate que vem que deriva nossa palavra agonia. Isso revela que seu ministério era tão intenso quanto difícil. Por anos e anos a fio Paulo guerreou pelo evangelho. E esse não era qualquer combate era o “bom combate”.
Com as palavrascompletei a carreira” ele revela a sua certeza de que cumpriu o propósito estabelecido pelo Senhor. O termo grego traduzido como “carreira” faz alusão a uma corrida de atletismo. Aprendemos nesta casa que ministério não é uma corrida de cem metros, mas uma grande maratona. Paulo no final dela pode dizer “eu Completei” ou “eu fui até o fim!”. O nosso ministério começará em breve. Não deixemos que os escândalos morais; o apego às coisas deste mundo; as dificuldades do ministério no deixe pelo caminho. Ao contrário, combatamos o bom combate e completemos a nossa carreira.
Finalmente, com as palavras “guardei a fé” ele revela a certeza que abriu mão do que não era necessário reter para guardar o que não poderia perder! A palavra “fé” neste contexto se refere ao conjunto de doutrinas presente na Palavra de Deus. Esta fé ele guardou até fim da sua carreira. 
Um estudioso da Bíblia fez um esboço exaustivo dos homens e das mulheres da Bíblia. Ele concluiu que existem, pelo menos, cerca de 100 biografias detalhadas na Bíblia. E observou que cerca de dois terços dos homens e mulheres, começaram bem e terminaram mal. Não foram poucos se voltaram para a imoralidade e afastaram da fé. Leiam a história dos juízes e dos reis e vocês confirmaram esta verdade. Paulo, porém, perdeu família, fama, dinheiro, amigos e as glórias deste mundo, mas guardou a fé. Por isso, abramos mão do que não é necessário reter para guardar o que não podemos perder!
Eu poderia encerrar dizendo: “nos vemos no FaceBook”. Mas isso seria muito superficial. Poderia dizer o tradicional adeus. Porém direi apenas até breve! Pois, se por acaso, não nos vermos mais, em meu coração vocês sempre estarão. E há uma esperança de nos vermos outra vez. Acredite, o nosso último encontro vai ser diferente, pois vai ser pra sempre! Deus os abençoe. Muito obrigado!
Jailson Santos


[1] FISHER, Harold A. Avivamentos que Avivam. Tradução de Messias Freire. Rio de Janeiro, Editoras Livros Evangélicos, 1961, p. 77.
[2] Apud NETO, F. Solano Portela. A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje. In: MATOS, Alderi Souza de; LOPES, Augustus Nicodemos. Fides Reformata. v.2, n.2. jul/dez, 1997. p.29.
[3] Apud GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. Trad. Gérson Dudus, Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 112

Um comentário:

  1. Oi,te conheci na rede Presbiteriana e vim conhecer seu blog que por sinal é ótimo.Espero que venha conhecer o meu pois isso me deixaria honrada.Graça e paz.

    http://vilma-wwwsoparamigos.blogspot.com

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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