Pr. Jailson Santos

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Quando a verdade tropeça, a justiça não consegue entrar.


O Humanismo saiu da arena principal, o modernismo não conseguiu assumir o seu lugar e o grande gigante que se levantou para a guerra foi o “pós-modernismo”. Sabemos de onde ele veio, mas, quem ele realmente é não podemos dizer com clareza. Um o chama de “relativismo”, outro de “secularismo”, e há o que o conheça por “pluralismo”. A verdade é que ele responde por todos esses nomes, pois ele próprio prega uma vida dicotomizada das verdades universais. Seu veneno letal tem afetado não apenas o meio acadêmico e o seu sistema intelectual, mas toda sociedade contemporânea. De forma democrática a negação de uma verdade absoluta tem sido uma realidade de ricos e pobres, homens e mulheres, acadêmicos e leigos, ateus e até religiosos.

Essa realidade, que em um rápido olhar parece ser uma inversão dos movimentos filosóficos dos nossos dias, é na verdade mais antiga que imaginamos. O profeta Isaías por volta do ano 700 a.C já asseverava: “Pelo que o direito se retirou, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar. Sim, a verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa. O SENHOR viu isso e desaprovou o não haver justiça”. O Anno Domini (A.D.) chegou, o tempo passou e a verdade continua tropeçando pelos salões políticos, nas praças das cidades e dentro dos pátios das igrejas e, como nos anos antes de Cristo, a retidão não pode entrar. Semelhante à maioria das sociedades influenciadas pelo espírito de nossa época a nação brasileira está mergulhada em um oceano de injustiça política, ética e religiosa, onde cada um busca seus próprios interesses sem absolutos divinos para o certo e o errado, o verdadeiro e o falso.

A política que rege a nação brasileira tem sido marcada pela injustiça e imoralidade. Há muito tempo a corrupção passiva se tornou ativa e a coligação política uma verdadeira formação de quadrilha. Análogo ao tempo de Isaías nossos governantes “por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!” (Isaías 5.23). Os escândalos do “mensalão” e a ineficácia da célebre “Lei da Ficha Limpa” com seus inumeráveis recursos (todos eles filhos de partos normais da morosidade da justiça brasileira) é uma prova incontestável deste lamentável fato.

Quando o assunto é o retorno dos impostos pagos (os quais, diga-se de passagem, são os mais altos do mudo) a injustiça brasileira tem sido pintada com cores fortes. A despeito de ganharem os mais altos salários da nossa nação e possuírem benefícios a perder de vista, a maioria de nossos políticos, dos mais diferentes partidos, desviam milhões de reais todos os anos de creches, escolas e hospitais para os bolsos e até cuecas. Com seus discursos sofistas e ações egocêntricas negam justiça aos pobres, arrebatam o direito dos aflitos e roubam os mais necessitados (Isaías 10.2).

Se na política as coisas não vão bem, na ética elas vão de mal a pior. O relativismo é visto na teoria nos discursos dos intelectuais e na prática no “jeitinho” dos brasileiros. Em um passado não tão distante Eros Roberto Grau ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) asseverou: “Há muitas moralidades. Se cada um pretender afirmar a sua, é bom sairmos por aí, cada qual com seu porrete”. Essa multiplicidade de conceitos sobre certo e errado defendida pelo doutor Eros Grau, compreende a essência do pensamento humano dos nossos dias e seu direito em crer ou deixar de crer no que quiser, sem ser discriminado por isso. A crença do individuo é sua verdade. Pode-se até dialogar, desde que haja “tolerância”, o que para eles é quase um sinônimo de concordância. Um exemplo disso é a desgastada lei PL-122 com seu falso discurso de “tolerância”. Todavia, dialogar implica em respeitar, e não concordar. A “tolerância” termina onde a verdade absoluta começa.

O relativismo teórico ganhou corpo e vida no famoso “jeitinho brasileiro”. Este é uma maneira de se colocar entre o certo e o errado, e decidir pelo que te favorece sem a preocupação de seguir normas pré-estabelecidas. Mais importante que a lei instituída é a “Lei de Gérson”: “O importante é obter vantagem em tudo”. Uma sociedade guiada por esse “jeito” além de injusta sempre será fria, egoísta, calculista, incessível e acima de tudo desumana. Como a verdade anda tropeçando aqui e ali, a ética tem sido pragmática e utilitarista. As portas serão abertas para justiça entrar quanto ética deontológica for libertada e a teleológica condenada à prisão perpetua, pois o fim não pode ser divorciado da norma que está no meio. É necessário que a verdade divina firme seus passos, pois como diria Dostoievski: “Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido”.

É de se esperar que no âmbito religioso o cenário seja outro, mas infelizmente isso não é uma verdade. Nesta esfera, o relativismo não apenas fechou a porta para a justiça, mas abriu a janela para sincretismo. A particularidade da fé cristã foi engolida pela pluralidade de pensamentos. Os pressupostos revelacionais foram minimizados nas cátedras e nos púlpitos e enquanto os racionais foram maximizados na fé e prática. A multiplicidade de sentimentos não ficou fora do pacote. Assim como a beleza está nos olhos de quem vê, há quem diga que a verdade está no coração de quem sente. A objetividade foi abandonada e a subjetividade tem sido aclamada. Pois o discurso atual é que a fé não se explica se sente.

Além disso, idêntico ao tempo do profeta Isaías não há quem clame pela justiça, quem compareça em juízo pela verdade. Ao contrário, grande parte dos líderes religiosos confiam no que é nulo e andam falando mentiras; concebem o mal e dão à luz a iniquidade (Isaías 59.4). Como nos tempos de Miquéias muitos sacerdotes usam a fé sincera de um povo sofrível para explorá-lo de forma visível; e vivem em desprezível ganância fazendo do ministério meio de jactância. Líderes dominadores escondem a verdade na obscuridade da ignorância para oprimir os que clamam por justiça. Os que mais precisam do favor de Deus são explorados por aqueles que falam “em seu nome”. Seduzidos pela teologia da prosperidade dão o que não tem para possuir o que Deus nunca prometeu. Enquanto muitos sacerdotes estão chegando ao topo dos mais ricos da nossa nação o povo afunda na miséria como quem anda em areia movediça.

O que fazer diante deste quadro? Além de, a semelhante Cícero, lamentar: “O tempora o mores” (oh que tempos, oh que costumes), faz-se necessário agir, pois como dizia Calvino “os erros jamais podem ser arrancados do coração humano, enquanto não for nele implantado o verdadeiro conhecimento de Deus”. Por isso, para que a justiça entre e tenha acento na política, na ética e na religião é imprescindível voltar à verdade para conhecer, pregar e viver. Vivemos na época do vazio. Os membros das igrejas são recebidos, mas não são instruídos; são animados, mas não são ensinados. As pessoas então adorando um Deus que elas não conhecem. A verdadeira adoração requer o envolvimento com a verdade encarnada (Jesus Cristo). Muitos religiosos dos nossos dias são como os atenienses no Areópago. O altar está lá, adoração está sendo realizada, mas o Deus verdadeiro é desconhecido.

No entanto, não basta conhecer a Deus é imperativo fazê-lo conhecido por meio da pregação. Martin Lloyd-Jones estava certo quando afirmou que “a mais urgente necessidade da igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica”. C. H. Spurgeon aconselhava os seus alunos que apegassem a verdade e anunciassem todo o conselho de Deus, ao invés de cederem às pressões da época e agradarem aos seus ouvintes. Assim, para que haja justiça é mister ter o olhar fixo na Palavra infalível de Deus e pregá-la a tempo e fora de tempo.


Finalmente, é imprescindível viver a verdade. Ser um cristão ortodoxo livra a igreja da heterodoxia tão visível no mundo contemporâneo. Todavia, não se deve esquecer que esta ortodoxia não pode ser divorciada de uma vívida ortopraxia, aliás, elas são inseparáveis. Como seguidor de Cristo, o cristão não pode fechar os olhos para a prática da justiça que o evangelho pressupõe. A verdade crida e seguida deve também ser vivida e praticada.

Rev. Jailson Santos

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Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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